DF: Polícia prende técnicos de enfermagem suspeitos de matar pacientes em hospital particular

|
Getting your Trinity Audio player ready... |
No Distrito Federal, três técnicos de enfermagem que atuavam em um hospital particular foram presos sob suspeita de provocar a morte de três pacientes, usando um medicamento comum em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), mas fatal quando administrado de forma inadequada. As detenções ocorreram durante a Operação Anúbis, conduzida pela Polícia Civil, e abrangem dois episódios de óbito registrados em novembro e um em dezembro de 2025, todos no Hospital Anchieta, em Taguatinga.
Contexto da investigação sobre técnicos de enfermagem
A Operação Anúbis foi deflagrada em 11 de janeiro de 2026, quando um homem e uma mulher, ambos ex-funcionários do hospital, foram capturados. Em 15 de janeiro, uma terceira suspeita foi detida. A ação policial recebeu o nome de uma divindade egípcia associada à condução das almas dos mortos, refletindo o caráter da apuração que envolve supostos homicídios dentro de uma instituição de saúde.
Segundo a Polícia Civil, o inquérito reúne imagens de câmeras da UTI, prontuários dos pacientes e depoimentos de profissionais que trabalhavam na unidade. O caso tramita em segredo de Justiça, o que impede a divulgação dos nomes dos investigados e das vítimas. A motivação dos crimes ainda não foi esclarecida pelos responsáveis pela investigação.
As prisões são temporárias, com prazo inicial de 30 dias, período em que os agentes pretendem esclarecer detalhes sobre possíveis cúmplices, verificar a existência de outras mortes com padrão semelhante em hospitais onde os suspeitos atuaram e examinar os aparelhos eletrônicos apreendidos.
Detalhes dos três óbitos atribuídos aos técnicos de enfermagem
Os óbitos investigados ocorreram em 19 de novembro e 1º de dezembro de 2025. As vítimas são uma professora aposentada de 75 anos, um servidor público de 63 anos e um homem de 33 anos. Todas estavam internadas na UTI do Hospital Anchieta quando, de acordo com a polícia, receberam o medicamento de forma direta na veia, o que teria provocado parada cardíaca seguida de morte.
O delegado responsável pelo caso destacou que a substância aplicada é rotineiramente utilizada em UTIs, mas somente sob prescrição e controle estrito. Injetada de maneira indevida, a dose causa falência imediata das funções cardíacas. Em um dos pacientes, o técnico de enfermagem chegou a aplicar desinfetante por mais de dez vezes, além do medicamento, fato que revela um método ainda mais agressivo e intencional.
Como os técnicos de enfermagem teriam aplicado a substância letal
As câmeras de segurança da UTI foram decisivas para reconstruir a sequência de eventos. Em pelo menos duas ocasiões, afirma a polícia, um dos técnicos de enfermagem aproveitou que um terminal de prontuário eletrônico estava aberto no nome de médicos e registrou a prescrição do remédio. Na sequência, dirigiu-se à farmácia interna, retirou a ampola, preparou a seringa e a manteve oculta no jaleco até alcançar o leito das vítimas.
Relatos de colegas colhidos pela investigação indicam que as duas técnicas de enfermagem detidas teriam auxiliado na retirada do medicamento ou permanecido junto ao paciente no momento da aplicação. Essa cooperação reforça a hipótese de conivência e distribui responsabilidades entre o trio.
No caso em que houve injeção de desinfetante, o suspeito teria utilizado um copo plástico para transferir o líquido de limpeza para a seringa, repetindo o processo diversas vezes. A prática sugere conhecimento dos efeitos tóxicos e intenção deliberada de acelerar o óbito.
Perfil dos técnicos de enfermagem investigados
O principal suspeito, de 24 anos, é estudante de fisioterapia e continuava empregado em uma UTI infantil mesmo após ser desligado do Hospital Anchieta. As duas mulheres detidas têm 28 e 22 anos. A profissional mais velha possui experiência em outros hospitais, enquanto a mais jovem estava em seu primeiro emprego na área.
As circunstâncias de contratação e o acesso irrestrito aos sistemas eletrônicos do hospital também fazem parte do escopo de apuração. A polícia pretende verificar se houve falhas de segurança ou brechas que tenham facilitado a alteração de prescrições médicas por parte de profissionais que não possuem autonomia legal para tal.
Providências do Hospital Anchieta e próximos passos
O Hospital Anchieta relatou ter constituído um comitê interno logo após identificar as “circunstâncias atípicas” envolvendo as mortes. Em menos de 20 dias, a equipe de auditoria concluiu que havia indícios robustos de participação dos ex-funcionários, motivo pelo qual o estabelecimento decidiu demiti-los e comunicar a Polícia Civil.
Além de fornecer prontuários, relatórios e gravações de câmeras, o hospital declarou solidariedade às famílias das vítimas e afirmou colaborar de modo irrestrito com as autoridades. A instituição também reforçou o compromisso com a segurança assistencial e informou que vem prestando esclarecimentos aos parentes, respeitando o segredo de Justiça.
Paralelamente, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios aguarda o recebimento formal do procedimento policial para avaliar eventuais medidas judiciais. A continuidade da Operação Anúbis envolve análise de celulares, computadores e expansão da investigação a outros locais de trabalho dos técnicos de enfermagem presos, a fim de detectar se o mesmo modus operandi foi adotado em diferentes unidades de saúde.
Conforme a Polícia Civil, a próxima etapa engloba a conferência de óbitos recentes que apresentem padrão semelhante de parada cardíaca imediata após administração de medicamentos, bem como o rastreamento do histórico profissional de cada investigado. A eventual identificação de novas vítimas poderá ampliar o número de indiciados e a tipificação dos crimes.
Enquanto isso, os detidos permanecem em custódia temporária por 30 dias. A expectativa é que, nesse período, o trabalho pericial e a análise de comunicação eletrônica esclareçam a motivação e o grau de participação de cada envolvido, antes da remessa do inquérito ao Ministério Público, que decidirá sobre eventual denúncia criminal e medidas cautelares adicionais.

Conteúdo Relacionado