Desinformação nas eleições: presidente do TSE alerta para crescimento do problema em 2026

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Desinformação nas eleições voltou ao centro do debate institucional depois de um pronunciamento da presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, que advertiu sobre o aumento do fenômeno à medida que o calendário de 2026 se aproxima. Falando na abertura de um seminário oficial em Brasília, a magistrada descreveu a circulação de conteúdos falsos como ameaça direta à liberdade de escolha do eleitorado, enfatizando a necessidade de preservar um processo eleitoral íntegro e tranquilo.
- Panorama atual da desinformação nas eleições
- A visão da presidente do TSE sobre tecnologia e responsabilidade
- Desinformação nas eleições e o compromisso com um pleito tranquilo
- Medidas preparatórias da Justiça Eleitoral para conter a desinformação nas eleições de 2026
- Calendário eleitoral de 2026 e transição na presidência do TSE
- Consulta pública e próxima etapa do processo normativo
Panorama atual da desinformação nas eleições
A declaração da presidente do TSE partiu da constatação de que mensagens enganosas, criadas com objetivos maliciosos, vêm ganhando volume nas diferentes plataformas digitais. Segundo ela, a estratégia de espalhar inverdades busca “capturar a vontade livre do eleitor”, procedimento que, na visão do tribunal, corrói as bases democráticas. Ao reconhecer o avanço dessa prática, Cármen Lúcia colocou o tema como prioridade na preparação do ciclo eleitoral de 2026.
A ministra ressaltou que a dúvida semeada por mentiras tecnicamente divulgadas fragiliza a confiança nas instituições e no resultado das urnas. Dessa forma, o TSE identifica a necessidade de ação coordenada para mitigar riscos antes que eles atinjam escala maior durante a campanha oficial.
A visão da presidente do TSE sobre tecnologia e responsabilidade
Ao dirigir-se a servidores dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) reunidos no seminário, Cármen Lúcia observou que as tecnologias de comunicação não são, por si, instrumentos negativos. O problema, salientou, surge do emprego distorcido desses recursos para manipular narrativas. Ela destacou que ferramentas digitais de grande alcance podem tanto fortalecer o debate cívico quanto “contaminar” a disputa, dependendo do uso que recebem.
O discurso incluiu crítica expressa a indivíduos ou grupos que, de alguma forma, buscam influenciar artificialmente o discernimento do eleitor com vistas a determinado resultado. Neste contexto, a presidente do TSE reafirmou que a Justiça Eleitoral persegue o objetivo de manter o ambiente livre de pressões externas e de ataques à liberdade de escolha.
Desinformação nas eleições e o compromisso com um pleito tranquilo
Além de apontar o problema, a ministra defendeu que o enfrentamento à desinformação nas eleições ocorra sem gerar tumulto ou violência. Sua posição enfatiza a conciliação entre firmeza institucional e serenidade, evitando a criação de clima de insegurança. Para o TSE, a transparência processual e a ampla informação ao cidadão são armas essenciais contra narrativas falsas.
A magistrada indicou ainda que a Justiça Eleitoral planeja reforçar protocolos de segurança comunicacional, a fim de proteger tanto o sistema de votação quanto a percepção pública sobre ele. A meta é garantir que cada etapa — do registro de candidatura até a totalização dos votos — permaneça resguardada de interferências indevidas.
Medidas preparatórias da Justiça Eleitoral para conter a desinformação nas eleições de 2026
O seminário que motivou o pronunciamento integra uma série de eventos voltados à capacitação de servidores dos TREs para o próximo pleito geral. Esses encontros tratam de segurança, comunicação e, especificamente, da proliferação de informações falsas. Conforme detalhado pela presidente do TSE, a intenção é municiar o corpo técnico com práticas padronizadas de monitoramento, resposta e esclarecimento ao eleitorado.
Outra frente mencionada diz respeito à consulta pública aberta pelo tribunal sobre as regras que vão reger as Eleições 2026. Até 5 de março, cidadãos e entidades podem apresentar sugestões sobre temas como uso de Inteligência Artificial (IA) em campanhas e limites para a veiculação de conteúdos potencialmente enganosos. As contribuições serão analisadas antes da edição final das normas, de modo a refletir preocupações atuais e antecipar tendências tecnológicas.
Embora o conteúdo da consulta ainda esteja em debate, o TSE já sinalizou que o combate à desinformação ganhará dispositivos normativos específicos. A atualização deve considerar, por exemplo, procedimentos para identificar manipulações de áudio, vídeo e texto capazes de afetar a reputação de candidatos ou confundir eleitores.
Calendário eleitoral de 2026 e transição na presidência do TSE
O Brasil viverá em 2026 mais um ciclo de votação para cinco cargos: presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e, se necessário, o segundo ocorrerá em 25 de outubro. Ao longo desse período, a Justiça Eleitoral pretende acompanhar de perto o fluxo de informações nas redes e nos meios tradicionais.
Ainda antes do período oficial de campanha, o TSE passará por mudança de comando. Cármen Lúcia permanece na presidência até agosto, quando o ministro Nunes Marques assumirá a liderança do tribunal. A transição, segundo a própria ministra, incluirá a continuidade das iniciativas já definidas para resguardar a votação contra práticas de desinformação.
Com a definição de datas e de responsabilidades, a corte busca assegurar previsibilidade para partidos, candidatos, eleitores e órgãos de fiscalização. O alinhamento entre presidência atual e futura pretende evitar descontinuidade no enfrentamento a conteúdos falsos.
Consulta pública e próxima etapa do processo normativo
O processo de elaboração das resoluções eleitorais segue rito formal. Após o encerramento da consulta em 5 de março, os magistrados do TSE deverão consolidar propostas e submetê-las a votação em sessão administrativa. A expectativa é que o conjunto de regras esteja concluído dentro do prazo legal, oferecendo parâmetros claros para toda a sociedade.
Nesse contexto, o tribunal reforça a importância da participação popular. Sugestões enviadas por instituições acadêmicas, organizações de mídia, partidos políticos e cidadãos tendem a enriquecer o debate sobre fronteiras éticas do uso de tecnologias avançadas, especialmente as aplicadas à produção automática de conteúdos.
O próximo marco relevante do calendário é o término da consulta pública em 5 de março, data em que se encerra a fase de envio de propostas sobre combate à desinformação, Inteligência Artificial e demais aspectos das regras que nortearão as Eleições 2026.

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