Desaparecimento de cães comunitários no centro de distribuição do Mercado Livre aciona investigação da Polícia Civil

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O desaparecimento de cães comunitários que viviam no estacionamento do centro de distribuição do Mercado Livre, em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba, abriu um inquérito da Polícia Civil do Paraná. Três animais castrados e portadores de microchips de identificação sumiram em 28 de janeiro, levando a corporação a concentrar esforços na análise de imagens internas, na oitiva de funcionários e na verificação de possíveis deslocamentos até organizações de acolhimento animal.
- Desaparecimento de cães comunitários mobiliza investigação policial
- Como era a rotina dos cães comunitários no centro de distribuição
- Polícia Civil busca imagens e testemunhas para esclarecer o desaparecimento de cães comunitários
- Posicionamento do Mercado Livre e da ONG DNA Animal
- Atuação da Prefeitura de Araucária após o desaparecimento de cães comunitários
- Próximos passos da investigação sobre o desaparecimento de cães comunitários
Desaparecimento de cães comunitários mobiliza investigação policial
Segundo o registro feito pelos colaboradores do armazém logístico, a ausência repentina dos três cães foi notada logo nas primeiras horas do expediente, ainda no dia 28. A cadeia de eventos descrita aos investigadores indica que o sumiço pode ter ocorrido durante o período noturno ou na troca de turnos, quando o fluxo de entrada e saída de veículos aumenta e a vigilância se concentra na expedição de cargas.
Os funcionários responsáveis pelo pátio acionaram a gerência em busca de explicações formais. Relataram que os cães eram considerados parte do cotidiano do local, recebendo cuidados coletivos, alimentação e acompanhamento veterinário regular. Sem respostas internas claras, optaram por notificar a Polícia Civil, que instaurou procedimento para apurar se o sumiço resultou de ação intencional de indivíduos ligados ou não à empresa.
Como era a rotina dos cães comunitários no centro de distribuição
Classificados como “cães comunitários”, os três animais eram tutelados de modo informal por colaboradores da unidade. Essa configuração, recorrente em espaços industriais e comerciais, pressupõe cuidados compartilhados sem definição de um dono único. O município de Araucária, por meio do Departamento de Proteção Animal, mantém cadastro específico para esses animais, realiza a castração e o implante de microchips subcutâneos que armazenam dados essenciais para identificação e eventuais resgates.
No dia a dia do centro de distribuição, os cães circulavam pelas áreas externas, beneficiando-se de abrigos improvisados, ração fornecida por turnos de funcionários e acompanhamento periódico da prefeitura, responsável por vacinação e verificação do estado de saúde. O histórico de convivência pacífica e a existência de chipagem oficial reforçam, para a polícia, a possibilidade de rastreamento caso os animais tenham sido deslocados para outro endereço.
Polícia Civil busca imagens e testemunhas para esclarecer o desaparecimento de cães comunitários
A linha de investigação definida pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente inclui três frentes principais. A primeira consiste na coleta de gravações captadas pelo circuito fechado de televisão do armazém entre a noite do dia 27 e a manhã do dia 28. Solicitadas formalmente, essas imagens podem revelar a movimentação de pessoas ou veículos em horários compatíveis com o sumiço.
A segunda frente prevê o depoimento de funcionários de diferentes setores. A Polícia Civil programou a oitiva de vigilantes, operadores de doca e responsáveis pela gestão predial no dia 18. O objetivo é mapear quem teve acesso direto à área em que os cães costumavam permanecer, quais ordens foram emitidas pela liderança e se houve alteração na rotina de segurança.
Por fim, a corporação cruza informações sobre eventuais parcerias firmadas entre a empresa e ONGs de proteção animal. Uma informação preliminar aponta que representantes do Mercado Livre consultaram pelo menos uma instituição sem fins lucrativos sobre o acolhimento de animais de rua. A confirmação dessa tratativa integra a estratégia policial para estabelecer uma cronologia precisa.
Posicionamento do Mercado Livre e da ONG DNA Animal
Em nota encaminhada à imprensa, o Mercado Livre afirmou que repudia qualquer forma de maus-tratos e reforçou estar cooperando com a investigação. A companhia de comércio eletrônico, presente em diversos estados brasileiros e com vasta rede logística, declarou ter colocado suas dependências e registros internos à disposição da autoridade policial para “completo esclarecimento dos fatos”.
A ONG DNA Animal, localizada em Fazenda Rio Grande, também na Região Metropolitana de Curitiba, confirmou ter sido contatada por representantes da empresa. O contato resultou no recebimento de cães para acolhimento no dia 10. Entretanto, segundo a entidade, os animais entregues não correspondem aos três registrados como pertencentes ao pátio de Araucária. A organização, especializada em resgate e adoção responsável, informou que permanece aberta a fornecer documentos e imagens que comprovem a identidade dos cães sob seus cuidados.
Atuação da Prefeitura de Araucária após o desaparecimento de cães comunitários
O Departamento de Proteção Animal do município relatou que não autorizou a retirada dos cães da área industrial. A prefeitura mantém responsável designada para monitorar a saúde dos animais, garantir a vacinação em dia e promover campanhas de conscientização entre colaboradores da planta logística. Após tomar conhecimento do episódio, agentes municipais compareceram ao local, lavraram notificação ambiental e exigiram que a administração da empresa apresente relatórios internos que possam auxiliar na localização dos cães.
Conforme a legislação municipal, a remoção de cães comunitários depende de avaliação técnica que comprove risco ao bem-estar dos próprios animais ou à segurança de pessoas. Como não havia nenhum laudo indicando necessidade de transferência, a prefeitura considera a retirada irregular até que se prove o contrário.
Próximos passos da investigação sobre o desaparecimento de cães comunitários
Com depoimentos agendados e as imagens em fase de análise, a Polícia Civil pretende traçar uma linha do tempo detalhada da noite anterior ao desaparecimento até o momento em que os funcionários perceberam a falta dos animais. Caso fique comprovado que houve captura sem consentimento legal, os responsáveis poderão responder por crime ambiental, previsto em legislação federal que penaliza abuso, maus-tratos ou remoção indevida de animais.
Nesse contexto, o microchip implantado em cada cão desempenha papel crucial. O dispositivo possibilita conferência rápida da origem do animal em clínicas veterinárias, centros de zoonoses e fronteiras estaduais, ampliando a chance de recuperação. A corporação também informou que, caso receba denúncias de que os cães estejam em residências particulares ou instituições de fora da região metropolitana, requisitará apoio de delegacias locais para verificação imediata.
Enquanto a investigação prossegue, a comunidade de colaboradores do centro de distribuição mantém a expectativa de que as imagens internas esclareçam o destino dos três cães e permitam sua devolução ao ambiente onde viviam sob tutela compartilhada.

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