Cordão do Boitatá comemora 30 anos e estreia no circuito dos megablocos do carnaval do Rio

Cordão do Boitatá comemora 30 anos e estreia no circuito dos megablocos do carnaval do Rio
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O Cordão do Boitatá, fundado por estudantes e músicos em 1996, alcança duas marcas relevantes no carnaval de 2026: celebra três décadas de existência e confirma sua primeira passagem pelo Circuito Preta Gil, rota oficial dos megablocos no centro do Rio de Janeiro. A mudança de trajeto, decidida em diálogo com a prefeitura e a Riotur, reflete o crescimento do cortejo, que atualmente reúne mais de 40 mil foliões, uma orquestra de sopro com 250 integrantes e uma tradição reconhecida como patrimônio cultural de natureza imaterial no estado.

Índice

Origem e evolução do Cordão do Boitatá

A trajetória do bloco começou em meados da década de 1990, quando um grupo de universitários e instrumentistas se organizou para levar música popular brasileira às ruas do Rio. Desde então, o Cordão consolidou um repertório centrado em choros, marchinhas, sambas e frevos, mantendo o formato de orquestra de sopro como elemento distintivo. A data de fundação, 1996, faz com que o ano de 2026 marque o trigésimo cortejo consecutivo da agremiação. Para celebrar, o bloco promove, nesta segunda-feira de ensaio geral, uma apresentação especial no Circo Voador, espaço cultural que tradicionalmente abriga sua preparação de palco e de rua.

Além do aniversário, o ensaio rende homenagem a dois padroeiros: Pixinguinha, referência maior da música brasileira e patrono da Orquestra de Rua do Cordão, e São Sebastião, santo protetor da cidade do Rio de Janeiro e venerado na passagem de 20 para 21 de janeiro. Essa combinação de símbolos sintetiza a proposta artística do grupo, que se apoia tanto na tradição religiosa ligada ao calendário do carnaval quanto na valorização de ícones da música nacional.

Cordão do Boitatá estreia no Circuito Preta Gil dos megablocos

No carnaval de 2026, o bloco passa a integrar oficialmente o roteiro dos megablocos. O circuito foi rebatizado como Circuito Preta Gil em tributo à cantora, falecida em julho de 2025 após enfrentar um câncer de intestino. A via escolhida para a concentração é a Rua Primeiro de Março; o trajeto prossegue pela Avenida Presidente Antônio Carlos e se encerra nas imediações da Rua Araújo Porto Alegre. Essa logística proporciona ruas mais largas e adequadas ao porte da orquestra, suprindo a demanda de espaço que blocos de grande público exigem.

A estreia está marcada para 8 de fevereiro. A data foi definida em conjunto com a Riotur, órgão municipal responsável pela organização do carnaval de rua. Segundo o diretor musical Kiko Horta, o diálogo com a prefeitura vinha ocorrendo há anos, pois o Cordão deixou de desfilar na Praça XV — seu ponto original — após a demolição do Elevado da Perimetral, realizada entre 2013 e 2014. Desde então, o grupo circulou por ruas como Henrique Valadares, Assembleia e Carioca, estas últimas consideradas estreitas para a dimensão atual do bloco.

Dimensão, estrutura e características que definem o megabloco Cordão do Boitatá

A prefeitura do Rio classifica como megabloco qualquer cortejo que atraia multidões superiores a dezenas de milhares de pessoas, possua logística de grandes proporções e demande operações especiais de segurança, saúde e limpeza. Embora o Cordão do Boitatá não utilize trio elétrico, drones usados em 2025 registraram imagens que revelam aglomeração acima de 40 mil foliões. Esse volume, associado a uma orquestra de sopro com mais de 250 músicos, enquadra o grupo no conceito de megabloco, ao lado de outros nomes consagrados, como Cordão da Bola Preta e Monobloco.

Os megablocos contam ainda com carros de som, palcos móveis e monitoramento em tempo real. A presença de artistas e a busca por patrocinadores integram a lista de requisitos. A estrutura operacional inclui agentes públicos, equipes de saúde, garis e câmeras de vigilância distribuídas ao longo do percurso. No caso do Cordão, a opção por manter a orquestra ao nível da rua exige adaptações específicas, mas não reduz a complexidade do apoio municipal, que envolve isolamento de vias, reforço policial e instalação de postos médicos.

Baile Multicultural, retorno à Praça XV e homenagens programadas

Uma semana depois da estreia no Circuito Preta Gil, em 15 de fevereiro, ocorrerá o 20.º Baile Multicultural do Cordão do Boitatá, também na Praça XV, local histórico para o grupo. O baile tornou-se uma extensão do cortejo de rua, reunindo bonecos gigantes, estandartes e repertório que percorre diferentes vertentes da música brasileira. A edição de 2026 recria o ambiente festivo que havia sido interrompido pelas reformas urbanas da região.

No mesmo período, o bloco prestará tributo a figuras centrais da cultura nacional. Entre os homenageados confirmados estão Hermínio Bello de Carvalho, compositor, poeta e produtor musical, e Hermeto Pascoal, reconhecido mundialmente pela inventividade como arranjador e multi-instrumentista. O diretor Kiko Horta afirma que não há fantasia oficial definida, mas antecipa que os foliões devem referenciar acontecimentos recentes, como a invasão da Venezuela pelos Estados Unidos, refletindo no figurino e nos estandartes mensagens de caráter político e social.

Simbologia da serpente de fogo e reconhecimento como patrimônio cultural

A alegoria principal do Cordão é inspirada na Lenda do Boitatá, serpente de fogo que, segundo o folclore, desperta envolta em labaredas, iluminando e protegendo a mata contra invasores. Esse símbolo aparece em estandartes e fantasias, reforçando a ideia de salvaguarda da cultura popular e do carnaval de rua. A serpente também estende seu significado à proteção do meio ambiente, um tema recorrente nas narrativas visuais do bloco.

Em 2022, o Cordão do Boitatá e seu Baile Multicultural foram declarados patrimônios culturais de natureza imaterial do Estado do Rio de Janeiro. O título reconhece o espaço de liberdade criativa e celebração democrática proporcionado pelos desfiles, além de consagrar a relevância do bloco na preservação das manifestações musicais brasileiras.

Expectativa de público e próximos compromissos do Cordão do Boitatá

A projeção de público para 2026 ultrapassa a marca de 40 mil participantes, podendo crescer devido à nova visibilidade no circuito dos megablocos. A organização prevê afluxo de foliões antigos e de pessoas que nunca acompanharam o cortejo. A ampla orquestra de sopros, as alas de ritmistas e a dinâmica de canto coletivo compõem a experiência descrita pela direção como “carnaval de corpo a corpo”.

Para acomodar o contingente, a Riotur prepara intervenções logísticas, inclusive reforço na iluminação pública, instalação de banheiros químicos e criação de rotas alternativas para o trânsito. Equipes de limpeza atuarão imediatamente após a dispersão, enquanto postos de saúde prestarão atendimento durante todo o percurso.

A agenda imediata do bloco estabelece duas datas-chave: 8 de fevereiro de 2026, dia da estreia no Circuito Preta Gil, e 15 de fevereiro de 2026, quando ocorre o 20.º Baile Multicultural na Praça XV.

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