Como a “internet das florestas” conecta árvores por meio de fungos e garante a troca de nutrientes e alertas

Como a “internet das florestas” conecta árvores por meio de fungos e garante a troca de nutrientes e alertas
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Palavra-chave principal: internet das florestas

A expressão internet das florestas descreve uma rede subterrânea de fungos e raízes que, segundo estudo divulgado na revista Nature, viabiliza a troca de nutrientes, informações químicas e sinais elétricos entre árvores de diferentes espécies. Essa estrutura invisível, composta por micélios que se ligam às raízes, transforma cada planta em ponto de conexão, reforçando a sobrevivência coletiva do ecossistema.

Índice

Como a internet das florestas se forma sob o solo

O processo começa quando micélios fúngicos envolvem as extremidades das raízes, criando as chamadas redes micorrízicas. Ao ampliar a área de absorção, os fungos conseguem captar água, fósforo, nitrogênio e outros minerais em volumes que a raiz sozinha não alcançaria. Em troca, recebem açúcares produzidos durante a fotossíntese. Essa reciprocidade consolida uma simbiose essencial, na qual cada parceiro depende da eficiência fisiológica do outro para manter funções vitais.

Do ponto de vista físico, o micélio estende-se em filamentos microscópicos que podem atravessar metros de solo. Quando esses filamentos tocam as raízes de outra árvore, a ligação se completa, estabelecendo um itinerário contínuo para moléculas e sinais eletroquímicos. Quanto maior a densidade de raízes e fungos num mesmo volume de terra, mais ramificada se torna a malha, formando verdadeiros nós de conectividade que lembram pontos de roteamento em redes digitais.

Quem participa da internet das florestas: árvores e fungos em simbiose

Nem todas as espécies vegetais se associam aos mesmos fungos. O estudo distingue, por exemplo, as ectomicorrizas, preferidas por pinheiros e carvalhos em climas frios, e as micorrizas arbusculares, predominantes em árvores tropicais e arbustos que precisam de absorção rápida de fósforo em solos pobres. Essa especialização cria sub-redes, cada qual adaptada à temperatura, umidade e composição química do ambiente onde se aloja.

Dentro dessa estrutura, árvores mais velhas—muitas vezes chamadas de “árvores-mãe”—funcionam como hubs centrais. Graças ao maior porte radicular e à extensão dos ramos micorrízicos, elas acumulam reservas de carbono e micronutrientes, distribuindo-os a plântulas que crescem na sombra. Ao ceder recursos extras, esses indivíduos maduros aumentam a taxa de sobrevivência das gerações jovens, mantendo a continuidade da comunidade vegetal.

Por que a internet das florestas é crucial para a sobrevivência do ecossistema

A presença da internet das florestas altera o equilíbrio ecológico de diversas maneiras. Em primeiro lugar, a transferência controlada de nutrientes evita que regiões de solo pobre se tornem zonas mortas. Áreas com deficiência de nitrogênio ou fósforo recebem esses elementos de pontos mais férteis, suavizando diferenças de disponibilidade mineral. Em segundo, o compartilhamento de carbono compensa situações temporárias de sombra ou estresse fisiológico em plantas jovens.

Além da logística nutricional, a rede subterrânea também contribui para a resiliência frente a eventos externos. Ao acelerar respostas de defesa em árvores próximas, ela impede que pragas e doenças se alastrem sem resistência. Isso reduz a perda de folhas, madeira e sementes, o que, por consequência, sustenta a biodiversidade dependente das copas e do sub-bosque.

Troca de alertas e recursos na internet das florestas

Quando um inseto mastiga o tecido foliar de uma árvore, compostos voláteis escapam pelo ar, mas sinais químicos também percorrem as raízes. Pelo micélio, essas moléculas viajam até vizinhas ainda intactas, ativando nelas a produção de substâncias que afetam o paladar dos herbívoros. Esse aviso antecipado, relatado no artigo da Nature, reduz a probabilidade de que a infestação se torne epidêmica.

O mesmo mecanismo se aplica a condições climáticas adversas. Em épocas de seca severa, árvores que sofrem estresse hídrico liberam indicativos moleculares que orientam outras a fechar estômatos mais cedo, minimizando perdas por transpiração. Paralelamente, o sistema redistribui água e sais minerais, de forma que unidades em áreas ligeiramente mais úmidas dividam sua vantagem com as que enfrentam déficit.

Nutrientes viajam em sentido contrário quando a escassez recai sobre solos empobrecidos. O desvio de nitrogênio ou fósforo acontece em volumes pequenos, porém constantes. Somados, eles sustentam a regeneração natural e retardam a necessidade de estratégias mais drásticas, como a queda prematura de folhas ou a limitação de crescimento.

Tipos de redes que compõem a internet das florestas

O estudo enumera três configurações principais:

Ectomicorrizas: ligam-se à periferia das raízes sem penetrar nas células. Muito comuns em regiões temperadas, oferecem proteção extra contra baixas temperaturas e organismos patogênicos.

Micorrizas arbusculares: entram nas células radiculares, formando estruturas em forma de árvore (árbusculos). Esse arranjo agiliza a absorção de fósforo, nutriente frequentemente limitante nos trópicos.

Redes de alerta: resultado da sobreposição das duas primeiras categorias. Elas conectam múltiplas espécies e funcionam como corredores de sinalização, permitindo que mensagens de perigo atravessem áreas com composição vegetal heterogênea.

A distribuição dessas redes cria uma tapeçaria de interdependência. Em cada camada de solo, comunidades específicas de fungos associam-se a conjuntos determinados de plantas, de modo que o mapeamento completo exige análises regionais. A depender da altitude, umidade e pH, a predominância de um tipo fúngico altera-se, modificando a largura de banda nutricional e a velocidade de propagação dos sinais.

Riscos e consequências do rompimento da internet das florestas

O corte de uma árvore-mãe não remove apenas um organismo grande; elimina também um ponto central de distribuição de recursos e informações. A lacuna resultante pode isolar plântulas que dependiam daquele canal para receber carbono ou paraçoquímicos de defesa. Sem a conexão, a taxa de mortandade aumenta, causando clareiras que favorecem erosão e a entrada de espécies invasoras.

Outro risco é a compactação do solo durante operações de manejo florestal. Quando máquinas pesadas comprimem a camada superficial, poros são fechados, reduzindo a aeração necessária à sobrevivência dos micélios. A interrupção física prejudica a passagem de nutrientes e bloqueia o trânsito de sinais, fragmentando a rede em bolsões menores e menos eficientes.

Por fim, a remoção de madeira morta pode limitar fontes de carbono que alimentam fungos decompositores essenciais. Ao restringir matéria orgânica, reduz-se o substrato em que micélios se expandem, enfraquecendo todo o arcabouço subterrâneo.

A compreensão de que as árvores se mantêm conectadas por uma internet das florestas leva à conclusão factual de que proteger não apenas a copa, mas também os fungos do subsolo, é fundamental para preservar a resiliência e a capacidade de regeneração natural diante das mudanças ambientais globais.

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