China retira embargo e volta a importar frango do Rio Grande do Sul após controle sanitário

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A decisão das autoridades chinesas de autorizar novamente a entrada de frango do Rio Grande do Sul encerra um período de 18 meses marcado por restrições sanitárias, negociações e ajustes internos no setor avícola brasileiro. A revogação do embargo, anunciada na última semana e confirmada pelo Ministério da Agricultura, atende à comprovação de que o surto da Doença de Newcastle registrado em julho de 2024 foi debelado segundo os protocolos internacionais de saúde animal.
- Motivos que levaram ao embargo do frango do Rio Grande do Sul
- Etapas de controle sanitário e recuperação do frango do Rio Grande do Sul
- Impacto econômico do embargo sobre o frango do Rio Grande do Sul
- Negociações para reabrir o mercado chinês ao frango do Rio Grande do Sul
- Perspectivas para as exportações de frango do Rio Grande do Sul após a retomada
Motivos que levaram ao embargo do frango do Rio Grande do Sul
O bloqueio imposto por Pequim teve origem direta na detecção da Doença de Newcastle em uma granja comercial localizada no município de Anta Gorda, interior gaúcho. O episódio levou o estado a decretar emergência zoossanitária por aproximadamente três semanas, durante as quais técnicos estaduais e federais concentraram esforços em isolamento, abate sanitário e quarentena. Como medida preventiva, a Administração-Geral das Alfândegas da China e o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais daquele país emitiram ato suspendendo a importação de aves gaúchas até segunda avaliação.
Embora o surto tenha ficado circunscrito à fazenda notificada, a doença é classificada como de alto impacto por sua velocidade de transmissão e pelos riscos econômicos associados à mortalidade das aves. Por isso, a medida chinesa seguiu a lógica de análise de risco sanitário que norteia o comércio internacional de proteína animal.
Etapas de controle sanitário e recuperação do frango do Rio Grande do Sul
Encerrada a emergência inicial, o Serviço Veterinário Oficial executou um plano de ação que incluiu:
• Vigilância ativa: coleta de amostras em dezenas de propriedades, abatedouros e estabelecimentos de reprodução para verificar a inexistência de circulação viral.
• Rastreabilidade: identificação da origem das aves, do trânsito de caminhões e de qualquer material biológico que pudesse ter contato com lotes contaminados.
• Capacitação: treinamentos junto a produtores, trabalhadores e casas agropecuárias para fortalecer práticas de biosseguridade.
O histórico sanitário recente do estado já incluía um alerta anterior. Em maio de 2025, Montenegro registrou um foco de influenza aviária em plantel comercial. Após 28 dias sem novas ocorrências, o país foi declarado livre dessa enfermidade, demonstrando capacidade de resposta rápida. Essa experiência contribuiu para aperfeiçoar estruturas de vigilância, fator decisivo citado pelo Ministério da Agricultura ao comunicar a retomada do comércio com a China.
Impacto econômico do embargo sobre o frango do Rio Grande do Sul
A ausência do mercado chinês teve reflexo direto nos números das exportações gaúchas. Até antes das restrições, a China representava quase 6 % dos embarques totais de carne de frango do estado. A barreira sanitária colaborou para uma retração de aproximadamente 1 % no volume exportado em 2024, percentual que, em termos absolutos, significou milhares de toneladas a menos negociadas e queda de receita cambial para frigoríficos e produtores integrados.
Para mitigar perdas, as indústrias redirecionaram parte da produção a destinos como Emirados Árabes Unidos, Japão e países da África, estratégia que equilibrou, mas não compensou integralmente, a ausência do maior comprador asiático. A dependência de mercados diversos é um dos pilares da competitividade brasileira; contudo, a China, segundo dados do setor, figura entre os principais destinos do frango nacional e exerce influência significativa na formação de preços internacionais.
Negociações para reabrir o mercado chinês ao frango do Rio Grande do Sul
A retomada resulta de diálogo técnico continuado entre ministérios dos dois países, missões veterinárias e participação ativa da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Durante o período de embargo, relatórios epidemiológicos, resultados de testes laboratoriais e evidências de medidas corretivas foram encaminhados de forma sistemática aos órgãos chineses. Essa troca de informações teve como objetivo demonstrar:
• Efetividade do vazio sanitário implementado na granja foco e em seu entorno imediato;
• Ausência de novos registros da Doença de Newcastle em todo o território gaúcho após o episódio de 2024;
• Conformidade permanente com o Código Terrestre da Organização Mundial de Saúde Animal, que orienta critérios de regionalização, erradicação e liberação de comércio.
Em novembro de 2025, a China chegou a liberar as importações de frango proveniente dos demais estados brasileiros, mantida, no entanto, a suspensão específica para o Rio Grande do Sul. O passo final dado agora revoga esse ato anterior e confirma a confiança no sistema de defesa agropecuária local.
Perspectivas para as exportações de frango do Rio Grande do Sul após a retomada
Com a decisão oficializada, as empresas exportadoras iniciam processo de atualização de habilitações, emissão de certificados sanitários e adequação de cronogramas logísticos. Entidades do setor estimam que o retorno dos embarques ocorrerá de forma gradual, acompanhando a liberação de plantas frigoríficas pelo governo chinês. A ABPA classificou a reabertura como passo relevante para a normalização do fluxo comercial e ressaltou que a credibilidade do sistema sanitário brasileiro foi reforçada perante parceiros internacionais.
O Ministério da Agricultura acrescentou que a retomada fortalecerá a participação brasileira no abastecimento global de proteína de frango, ao mesmo tempo em que sinaliza previsibilidade aos produtores integrados do Rio Grande do Sul. Enquanto os certificados são atualizados, as plantas habilitadas retomam contatos comerciais e ajustam linhas de produção para atender aos volumes tradicionalmente demandados por importadores chineses.
De acordo com projeções internas do setor, a recomposição completa do mercado poderá ocorrer nos próximos ciclos produtivos, dependendo da velocidade de habilitação das unidades exportadoras e da capacidade de absorção do mercado chinês.

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