Chappell Roan transforma Lollapalooza São Paulo em ritual pop e celebra amor lésbico no primeiro show no Brasil

Às 21h30 do segundo dia de Lollapalooza São Paulo, o Autódromo de Interlagos mergulhou em atmosfera de feitiço. As luzes do palco principal se apagaram, os telões exibiram olhos amarelos, dragões e um caldeirão em chamas, e Chappell Roan surgiu no alto de um castelo cenográfico para iniciar o que soou como um ritual pop de despedida da turnê que a consagrou.

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O início do ritual: Chappell Roan ergue um castelo no palco principal

Em cena, tudo remetia ao universo místico que a cantora assumiu nesta fase. A construção de torres pontiagudas foi erguida apenas uma hora antes da apresentação, transformando o palco numa espécie de fortaleza medieval. Da janela mais alta, Chappell Roan acenou e disparou o primeiro cortejo sonoro: “Super Graphic Ultra Modern Girl”. O pop vibrante da faixa fez leques coloridos girarem por toda a plateia, antecipando a sinergia que se manteria sem pausas longas ao longo do espetáculo.

O repertório seguiu com “Feminenomenon”, em que a artista exalta as mulheres e satiriza atitudes masculinas, e “Naked in Manhattan”. A sequência rápida, sem quebras, reforçou a intenção de compressar um set intenso em pouco mais de uma hora, estratégia lógica para a posição de headliner do sábado.

Setlist e performance destacam o amor lésbico e a narrativa pessoal de Chappell Roan

Assumidamente lésbica, a norte-americana utiliza a própria vivência como motor criativo. No Lollapalooza, o destaque recaiu sobre composições que relatam afetos e rupturas amorosas entre mulheres. “Casual” ganhou encenação dramática, com a cantora trajando tecido verde que esvoaçava como se fosse parte de um feitiço. Já “The Subway” arrancou coro coletivo quando a artista lamentou, em versos, que uma antiga namorada talvez se torne apenas mais um rosto anônimo nos vagões do metrô.

O repertório caminhou para a reta final com “Good Luck, Babe!”, canção que se converteu em hino lésbico, e “Pink Pony Club”, dedicada a experiências como jovem queer em Los Angeles. O desfecho reforçou a identidade de liderança que fãs encontram na figura da intérprete, descrita por muitos como “mágica” ou “maga” — terminologia que dialoga diretamente com a estética bruxa do show.

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Conexão imediata entre Chappell Roan e o público brasileiro

Apesar de poucas interações verbais, Chappell Roan estabeleceu laço visível com os presentes. O gesto de agitar leques, popularizado no Brasil durante apresentação de Lady Gaga em Copacabana no ano anterior, foi prontamente reconhecido pela cantora. Ela citou o episódio e, em resposta, a arquibancada voltou a estalar os acessórios, gerando estrondo uniforme que ecoou pelo autódromo.

Em outro momento, a artista saudou “as pessoas gays da plateia” e destacou a qualidade das drag queens brasileiras, afirmando considerar-se parte dessa cena desde que se mudou do Missouri para Los Angeles e passou a conviver com expressões LGBTQIA+ que ampliaram seu repertório artístico. A frase provocou novas ondas de aclamação.

Horas antes do show, redes sociais repercutiram relato do jogador Jorginho Frello, que atribuiu a seguranças da cantora suposta hostilidade contra sua filha em hotel onde ambas estariam hospedadas. No festival, o público reagiu gritando palavrões contra o time Flamengo. O incidente, verídico ou não, não contaminou o clima do espetáculo: a artista se manteve sorridente, declarou sentir calor, mas disse estar feliz por encerrar a turnê no Brasil.

Trajetória de Chappell Roan até o Lollapalooza

A presença no festival marca o primeiro show da norte-americana em solo brasileiro. Ela chega com status de revelação: em edição recente do Grammy, foi eleita Artista Revelação, reconhecimento que historicamente alavanca carreiras no mercado fonográfico. O prêmio veio após o álbum de estreia, “The Rise and Fall of a Midwest Princess”, lançado em 2023 e apontado como a obra que “concedeu todos os poderes” atuais à intérprete.

Desde então, Chappell Roan vem colecionando elogios de figuras estabelecidas, entre elas Lady Gaga, muitas vezes descrita como “mamãe monstro do pop”. Essa validação de artistas veteranas amplia a inserção da cantora na linhagem do pop performático. Paralelamente, há controvérsias: vídeos viralizados mostram a artista repreendendo paparazzi e evitando fotos não autorizadas, atitude que levou rótulos como “mal-humorada” ou “impaciente”. A tensão se estende a fãs que tentam abordá-la nas ruas; segundo relatos, ela prefere reservar parte da vida privada.

Ainda assim, a base de admiradores permanece sólida. A adesão massiva no Lollapalooza ilustra fidelidade que não se abala diante de incidentes pontuais, reforçando a força de identificação cultural que o repertório de temática lésbica e queer exerce sobre o público.

Repercussões e próximos passos após o encerramento da turnê

O show em São Paulo encerra oficialmente a turnê inspirada no álbum de estreia. O festival seguirá até o domingo, 22, ocupando o mesmo autódromo com novas atrações, mas o ciclo atual de Chappell Roan foi concluído diante de milhares de brasileiros. A movimentação no palco – com cenário desmontado logo após o set – simboliza passagem de fase para a artista, que agora retorna aos Estados Unidos sem agenda divulgada publicamente.

Enquanto novidades de estúdio não são anunciadas, o impacto imediato recai sobre redes sociais, onde registros do ritual pop se espalham e ampliam o alcance global da performance. A recepção positiva em território brasileiro pode influenciar decisões futuras de escalas de turnês ou festivais na América do Sul, mas qualquer definição permanece, até aqui, sem divulgação oficial.

A poucos minutos do fim, quando “Pink Pony Club” ecoou pela última vez, as luzes retomaram força total, o castelo desmontou-se e os telões se apagaram. Com isso, Chappell Roan deixou o palco principal do Lollapalooza São Paulo sob aplausos prolongados, concluindo não apenas a noite de sábado, mas todo um capítulo de sua trajetória artística, consolidado por prêmios, controvérsias controladas e, sobretudo, pela devoção de um público que encontra na cantora um espelho de representatividade.

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