CES 2026 mostra como carros autônomos e IA transformam a mobilidade mundial

Carros autônomos e inteligência artificial assumiram o papel de protagonistas na CES 2026, reforçando a feira como vitrine de inovações que já saem dos estandes diretamente para ruas, minas e aeroportos.
- Carros autônomos dominam a CES 2026
- Zoox leva microônibus autônomos às ruas de Las Vegas
- Waymo expande serviço de carros autônomos para novos mercados
- Comparativo de tecnologias em carros autônomos
- Inteligência artificial chega aos veículos pesados
- Aeroportos adotam máquinas autônomas nas operações de solo
Carros autônomos dominam a CES 2026
A Consumer Electronics Show, tradicionalmente dedicada à eletrônica de consumo, tornou-se nos últimos anos um palco estratégico para o setor automotivo. A edição de 2026 confirma essa virada: fabricantes e startups de mobilidade ocuparam espaços centrais, oferecendo demonstrações de carros autônomos e soluções movidas a IA. O cenário reflete a mudança de ritmo de um setor que, segundo organizadores, demorou para se digitalizar, mas agora figura entre os que mais investem em pesquisa e desenvolvimento.
O ambiente em Las Vegas traz uma combinação de “quem”, “o quê”, “quando”, “onde”, “como” e “porquê” claramente definidos. O “quem” inclui gigantes da tecnologia, montadoras tradicionais e empresas emergentes. O “o quê” é a adoção maciça de sistemas de direção autônoma. O “quando” é o presente imediato, visível já nesta feira. O “onde” abrange não só as ruas de Las Vegas, mas também ambientes industriais e aeroportuários. O “como” tem na inteligência artificial o elemento central. E o “porquê” demonstra uma busca simultânea por eficiência, segurança e novos modelos de negócio.
Zoox leva microônibus autônomos às ruas de Las Vegas
A Zoox, startup de veículos autônomos controlada pelo grupo de Jeff Bezos e Amazon, escolheu Las Vegas como laboratório urbano. Pequenos microônibus sem volante ou pedais já circulam em volume considerável pela cidade. Quem estiver na região pode solicitar uma corrida via aplicativo, num modelo de atendimento comparável ao táxi tradicional.
No pavilhão da CES, o estande da Zoox destacou-se pelo fluxo contínuo de visitantes. A curiosidade se justifica por dois motivos. Primeiro, o design simétrico dos veículos, com capacidade para se mover em ambas as direções sem necessidade de manobras. Segundo, a constatação de que a tecnologia já opera fora do espaço expositivo, cumprindo rotas reais. Essa convergência entre demonstração e aplicação consolida o projeto como referência imediata em transporte urbano autônomo.
O interesse elevada ainda revela a estratégia de posicionamento da empresa: utilizar Las Vegas, cidade conhecida pela receptividade a testes de mobilidade, como vitrine permanente. Dessa forma, o teste de campo torna-se um componente de marketing e, simultaneamente, de coleta de dados para calibração dos algoritmos de direção.
Waymo expande serviço de carros autônomos para novos mercados
Se a Zoox atrai olhares pelos microônibus, a Waymo, pertencente ao Google, desponta como principal nome quando o tema são carros autônomos convencionais. A empresa já oferece serviço comercial de robotáxis em várias cidades dos Estados Unidos e iniciou fase experimental em Londres.
O diferencial tecnológico da Waymo está no uso simultâneo de conjuntos de radares e câmeras. Esse arranjo, projetado para funcionar como “olhos” do carro, contrasta com a filosofia da Tesla, que prioriza apenas câmeras para conter custos. Pelo desempenho observado até o momento, a abordagem híbrida garante leitura redundante do ambiente, aumentando a confiabilidade nas decisões de navegação.
Durante a CES 2026, representantes da empresa apresentaram dados operacionais que reafirmam a viabilidade comercial do modelo robotáxi. A combinação entre rotas urbanas e expansão internacional sugere uma estratégia escalonada: consolidar mercados norte-americanos antes de avançar em centros europeus. O teste em Londres cumpre justamente a fase de adaptação a regras de trânsito e padrões de sinalização diferenciados.
Comparativo de tecnologias em carros autônomos
As duas propostas — microônibus próprios da Zoox e veículos adaptados da Waymo — ilustram caminhos distintos. A Zoox concebe um veículo do zero, eliminando itens convencionais como volante ou pedais. Já a Waymo parte de plataformas automotivas existentes, integrando sensores e software. Em ambos os casos, a inteligência artificial executa as etapas de percepção, planejamento de rota e controle de movimento.
A diferença principal reside no hardware sensorial. A Waymo adota câmeras em combinação com radares, enquanto a Tesla, citada como contraponto, defende câmera única para redução de custos. O debate técnico gira em torno de profundidade de campo, resistência a condições climáticas adversas e volume de dados processados em tempo real. Por ora, o sistema híbrido da Waymo mostra maior eficiência, segundo dados apresentados na feira.
Do ponto de vista do usuário, o formato do serviço também diverge. O microônibus Zoox atende múltiplos passageiros em rotas predefinidas no centro de Las Vegas. Já o robotáxi Waymo opera solicitações individuais ou compartilhadas em malhas viárias mais amplas. Essas alternativas ampliam a oferta de transporte sem motorista, ajustando-se a diferentes densidades populacionais e perfis de viagem.
Inteligência artificial chega aos veículos pesados
Não apenas o transporte de passageiros ganha novos contornos. A Caterpillar, marca tradicional em máquinas de grande porte, apresentou na CES 2026 seus primeiros modelos controlados por inteligência artificial, em colaboração com a Nvidia. No estande da companhia, um painel exibiu, em tempo real, a operação autônoma de uma mina de carvão. Escavadeiras e caminhões gigantes realizavam tarefas de extração e transporte sem intervenção humana.
O “como” desse processo parte do uso extensivo de sensores industriais, algoritmos de visão computacional e rede sem fio de alta capacidade. A telemetria permite monitoramento contínuo de desempenho, enquanto a IA assume decisões de rota, velocidade e carga ideal. A Caterpillar enfatiza ganhos de segurança, pois elimina a exposição de operadores a ambientes potencialmente perigosos, e ganhos de produtividade, atribuídos à operação 24 horas em condições controladas.
O exemplo sinaliza que os avanços vistos nos carros autônomos urbanos se estendem a setores primários da economia. A diferença reside na escala dos equipamentos e na complexidade do terreno. Ainda assim, o princípio — software no comando, resposta em tempo real e autonomia progressiva — é idêntico.
Aeroportos adotam máquinas autônomas nas operações de solo
Outro destaque da feira foi o protótipo de automação para aeroportos. Em demonstração, robôs assumiam funções tradicionalmente realizadas por equipes em pátio, como sinalização para posicionamento de aeronaves, aplicação de freios de calço e abastecimento de combustível. A adoção de sistemas autônomos, controlados por IA, visa reduzir riscos associados a ruído, tráfego de veículos de apoio e cargas inflamáveis.
Na prática, a transição envolve sensores para mapeamento do pátio, algoritmos de reconhecimento de padrões de voo e integração com sistemas de gerenciamento do aeroporto. Os expositores projetam benefícios de velocidade e eficiência, já que processos poderão ocorrer de forma simultânea e com menor probabilidade de erro humano.
A aplicação confirma uma tendência mais ampla da CES 2026: a mobilidade autônoma ultrapassa o espaço da condução pessoal e alcança áreas especializadas, onde segurança e continuidade operacional são cruciais.
No balanço geral da feira, a presença consolidada de carros autônomos, veículos de carga inteligentes e robôs de pátio ilustra a convergência entre hardware avançado, coleta massiva de dados e algoritmos de inteligência artificial. A substituição gradual de postos de trabalho perigosos por sistemas autônomos desponta como consequência direta dessa transformação.
Para os próximos anos, fabricantes e operadores concentrarão esforços em ampliar rotas, refinar sensores e ajustar regulamentações, enquanto setores como mineração e aviação seguirão incorporando máquinas autônomas para elevar segurança e eficiência.

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