Anvisa proíbe venda de fórmula infantil após detecção de toxina cereulide em lotes da Nestlé

Fórmula infantil de seis linhas de produtos da Nestlé teve a comercialização, distribuição e uso interditados em todo o território nacional após determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitida nesta quarta-feira, 7 de janeiro de 2026. A medida atinge lotes específicos de Nestogeno, Nan Supreme Pro, Nanlac Supreme Pro, Nanlac Comfor, Nan Sensitive e Alfamino, motivada pelo risco de contaminação por cereulide, toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus.

Índice

Entenda a decisão da Anvisa sobre fórmula infantil

A Anvisa informou que a decisão de proibir a comercialização dos lotes identificados tem caráter preventivo. O órgão registrou a presença da toxina em análises de produtos fabricados em uma planta localizada na Holanda e decidiu agir de imediato para resguardar a saúde de lactentes em todo o país. Embora não haja confirmação de casos de intoxicação no Brasil até o momento do anúncio, a legislação sanitária permite a adoção de medidas cautelares tão logo se identifique um potencial risco à população.

De acordo com a agência, a empresa Nestlé Brasil Ltda. iniciou voluntariamente o recolhimento dos lotes afetados, não apenas no mercado brasileiro, mas também em outros países para os quais os produtos foram exportados. A retirada segue protocolo internacional de recall e deverá ser acompanhada pela vigilância sanitária estadual e municipal.

Quais marcas e lotes de fórmula infantil foram afetados

Seis linhas de alimento para lactentes compõem o universo impactado pela decisão regulamentar:

Nestogeno – voltada ao consumo a partir do nascimento;

Nan Supreme Pro – indicada para bebês que necessitam de proteína parcialmente hidrolisada;

Nanlac Supreme Pro – versão sem lactose para intolerantes;

Nanlac Comfor – proposta para crianças com desconfortos gastrointestinais leves;

Nan Sensitive – fórmula adaptada a bebês com cólicas ou distensão abdominal;

Alfamino – destinada a casos de alergia severa à proteína do leite de vaca.

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Somente lotes específicos dessas linhas estão sob proibição. Os números de lote constam no comunicado oficial da Anvisa e também nas campanhas de recall conduzidas pela Nestlé. Produtos fora da lista permanecem liberados para consumo.

O que é a toxina cereulide e como ela pode contaminar a fórmula infantil

Cereulide é uma molécula produzida durante o ciclo de vida de certas cepas de Bacillus cereus, bactéria amplamente distribuída no ambiente e em cadeias alimentares. A toxina apresenta alta estabilidade térmica, isto é, não se quebra facilmente mesmo quando submetida a temperaturas de preparo usuais. Se ingerida, pode provocar quadro de intoxicação alimentar de curta incubação, caracterizado por vômitos repetidos.

No caso em pauta, a Anvisa detalhou que a cereulide estava presente em um ingrediente oleoso utilizado na composição dos produtos. Esse insumo foi adquirido de um fornecedor terceirizado global. Uma vez que o mesmo ingrediente é distribuído a diferentes fábricas, incluindo a planta holandesa que abastece diversos mercados, a contaminação assumiu caráter internacional e exigiu rastreabilidade em cadeia para localização dos lotes.

Sintomas associados ao consumo de fórmula contaminada

A ingestão da toxina pode causar, em bebês:

Vômito persistente – episódios repetidos que podem levar à desidratação;

Diarreia – perda de líquidos e sais minerais, com risco de desequilíbrio eletrolítico;

Letargia – sonolência excessiva, lentidão de movimentos, dificuldade de reação e de expressão.

Em populações pediátricas, esses sintomas demandam atenção imediata. A recomendação da Anvisa é procurar um serviço de saúde ao primeiro sinal de desconforto após o consumo de produto pertencente a lote recolhido. Levar a embalagem, se disponível, auxilia na tomada de decisão clínica e na confirmação laboratorial do alimento ingerido.

Como pais e responsáveis devem proceder em relação à fórmula recolhida

O primeiro passo é verificar o número do lote, impresso normalmente na parte inferior ou próxima ao lacre das latas e sachês. Caso corresponda a um dos códigos listados no recall, o produto não deve ser utilizado. A devolução ou troca deve ser solicitada diretamente ao Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da Nestlé Brasil, cujo canal telefônico e demais formas de contato constam no rótulo.

A empresa é responsável por fornecer orientações sobre reembolso ou substituição, conforme a Política Nacional de Recall e o Código de Defesa do Consumidor. O armazenamento de amostra do produto recolhido, quando possível, colabora para investigações sanitárias adicionais.

Se o lote não aparece na lista, a Anvisa afirma que o consumo pode ser mantido normalmente, pois não há evidência de contaminação fora dos códigos identificados.

Medidas adotadas pela Nestlé e próximos passos

A Nestlé Brasil notificou autoridades sanitárias sobre a contaminação detectada na fábrica da Holanda e reportou a origem no ingrediente oleoso fornecido por um player global terceirizado. Em seguida, a companhia comunicou distribuidores, redes de varejo e profissionais de saúde acerca do recolhimento. Amostras de novos lotes estão sendo analisadas em laboratórios independentes para assegurar ausência de cereulide antes de qualquer redistribuição.

Paralelamente, a Anvisa acompanha a devolução dos lotes, monitora eventuais notificações de eventos adversos e orienta secretarias de saúde a intensificar a vigilância epidemiológica. O órgão também publicou em seu portal recomendações de manipulação segura de fórmulas, reforçando práticas de higienização de utensílios, diluição correta e armazenamento em temperaturas adequadas.

Até a conclusão do processo de recolhimento e das análises complementares, lotes identificados permanecem proibidos para venda, distribuição e uso em todo o país.

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