Casos de sarampo voltam a crescer e colocam em risco o status de eliminação nos Estados Unidos e em outros países

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Sarampo voltou a avançar com velocidade em diferentes regiões do mundo, provocando um alerta coletivo de especialistas reunidos na Global Virus Network (GVN) sobre a necessidade de respostas urgentes para preservar conquistas sanitárias recentes.
- Escalada de casos de sarampo nos Estados Unidos supera patamares das últimas três décadas
- Principais causas do ressurgimento do sarampo: cobertura vacinal insuficiente e mobilidade internacional
- Sarampo ainda é altamente contagioso e potencialmente letal, porém totalmente prevenível
- Cenário global: mortes por sarampo chegaram a 95 mil em 2024
- Medidas recomendadas pela Global Virus Network para estancar a expansão do sarampo
- Risco de perda do status de eliminação do sarampo e suas implicações
- Próximos passos para conter o avanço do sarampo em 2026
Escalada de casos de sarampo nos Estados Unidos supera patamares das últimas três décadas
Em 2025, autoridades norte-americanas confirmaram 2.242 casos de sarampo distribuídos por 45 estados, número considerado o maior dos últimos 30 anos. Pelo menos 11 % das pessoas infectadas precisaram de hospitalização, cenário que expôs a gravidade clínica que a doença ainda representa quando encontra bolsões de suscetibilidade. Entre os registros constam crianças pequenas e três óbitos confirmados, fato que reverte uma tendência de baixa observada antes da pandemia de COVID-19.
Para 2026, a projeção inicial dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) aponta continuação dos surtos. Alguns focos concentram-se em comunidades específicas; a Carolina do Sul já notificou centenas de infecções em poucas localidades. Se a transmissão não for contida, o país corre o risco de perder o status de eliminação, exatamente como ocorreu recentemente no Canadá.
Principais causas do ressurgimento do sarampo: cobertura vacinal insuficiente e mobilidade internacional
Boletins epidemiológicos do CDC correlacionam a retomada da circulação viral principalmente à queda na vacinação infantil. Taxas de imunização abaixo do limiar de 95 % comprometem a chamada imunidade coletiva e abrem brechas para introdução do vírus em creches, escolas e ambientes comunitários.
Outro fator decisivo está nas viagens internacionais. Indivíduos não vacinados que visitam regiões onde o sarampo continua endêmico podem retornar ao território norte-americano incubando o vírus. Uma única pessoa infectada é capaz de desencadear surtos em locais com cobertura vacinal desigual, já que o sarampo tem um dos maiores índices de contágio entre as doenças respiratórias.
Sarampo ainda é altamente contagioso e potencialmente letal, porém totalmente prevenível
O vírus do sarampo pode permanecer viável no ar ou sobre superfícies por até duas horas após a saída de uma pessoa doente. A taxa de transmissão em ambientes fechados supera 90 % entre indivíduos suscetíveis. Embora qualquer faixa etária possa ser acometida, crianças não imunizadas concentram o maior risco de desenvolver complicações como pneumonia, encefalite ou cegueira.
Desde a década de 1960, a vacina tríplice viral (MMR) — que protege contra sarampo, caxumba e rubéola — apresenta perfil de segurança bem documentado e eficácia elevada. O esquema padrão, aplicado em duas doses, oferece proteção próxima de 97 %. Autoridades sanitárias enfatizam que, quando a cobertura populacional se mantém alta, a circulação do vírus praticamente desaparece.
Cenário global: mortes por sarampo chegaram a 95 mil em 2024
O alerta da GVN não se limita aos Estados Unidos. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) calculam 95 mil óbitos por sarampo em 2024, majoritariamente entre crianças com menos de cinco anos que não receberam imunização ou tiveram esquema incompleto. Esses dados indicam que o patógeno persiste como desafio em nações de baixa renda, mas também pode ressurgir em países que já haviam alcançado controle, caso a vigilância diminua.
Com a pandemia de COVID-19, vários sistemas de saúde redirecionaram recursos, atrasando campanhas rotineiras de vacinação. O resultado foi um acúmulo de indivíduos vulneráveis, situação que favorece queimadas epidêmicas assim que o vírus encontra uma porta de entrada.
Medidas recomendadas pela Global Virus Network para estancar a expansão do sarampo
Diante do crescimento das notificações, a GVN orienta governos, profissionais de saúde e organizações comunitárias a implantar ou reforçar ações concentradas em quatro eixos:
1. Ampliação imediata da vacinação MMR
Estratégias incluem campanhas em escolas, horários estendidos em postos de saúde e parcerias com setores privados para oferta da vacina em locais de grande circulação. A prioridade recai sobre crianças que ainda não receberam nenhuma dose e adultos sem comprovação de imunização.
2. Fortalecimento da vigilância epidemiológica
Laboratórios precisam de capacidade para confirmar casos rapidamente por meio de testes sorológicos ou moleculares. A notificação ágil permite identificar cadeias de transmissão e implementar bloqueios vacinais em tempo hábil.
3. Combate sistemático à desinformação
Equipes de comunicação devem disseminar dados baseados em evidências sobre segurança das vacinas, recorrendo a infográficos, rádios comunitárias e redes sociais. Monitoramento ativo de boatos ajuda a neutralizar conteúdos que desencorajam a vacinação.
4. Apoio a iniciativas globais de imunização
A cooperação internacional, com envio de doses a países de baixa renda e capacitação de profissionais locais, reduz a circulação global do vírus e protege também nações que já alcançaram eliminação.
Risco de perda do status de eliminação do sarampo e suas implicações
Conquistar o título de eliminação — situação em que não há transmissão endêmica contínua por ao menos 12 meses — foi um marco para os Estados Unidos em 2000. Entretanto, esse reconhecimento pode ser revogado se a transmissão se manter até 2026. Ao perder o status, o país enfrentaria impactos em múltiplas frentes, desde custos adicionais no sistema de saúde até a necessidade de reconfigurar programas de vigilância.
Especialistas enfatizam que recuperar a eliminação requer anos de esforços consistentes. Além disso, a perda do título sinaliza fragilidade a outras doenças preveníveis, compromete metas globais de saúde e diminui a confiança pública na capacidade dos serviços de proteger a população.
Próximos passos para conter o avanço do sarampo em 2026
Os próximos relatórios trimestrais do CDC, previstos para o início do verão de 2026, serão decisivos para avaliar se as intervenções já adotadas conseguem frear a curva ascendente. Até lá, autoridades de saúde mantêm como prioridade a recuperação das taxas de vacinação infantil e a interrupção rápida de cada novo foco identificado.

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