Burnout leva profissional de TI a vender apartamento, viajar pelo Brasil e dançar forró por dois anos

Palavra-chave principal: burnout

Índice

Da crise de burnout ao ponto de virada

Uma crise de burnout serviu de divisor de águas para a paulistana Priscila Albuquerque, 42 anos, que atuava havia duas décadas em tecnologia bancária. Segundo ela, o esgotamento apareceu após uma mudança de gestão no ambiente de trabalho e desencadeou a decisão de interromper a carreira. O afastamento foi viabilizado por uma política interna da própria empresa, que permite dois anos sem remuneração. Nesse quadro, a moradora de São Paulo decidiu transformar o período em uma experiência dedicada às atividades que mais lhe trazem bem-estar: viajar, fazer trilhas em meio à natureza e dançar forró.

Anúncio

O caso se insere em um cenário de elevação dos registros oficiais de síndrome de burnout no país. Em 2024, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) concedeu 3.359 benefícios a trabalhadores diagnosticados com o transtorno, quase o triplo do total verificado em 2023 (1.153), conforme dados liberados pela Lei de Acesso à Informação.

Planejamento financeiro e venda de bens após o burnout

Para concretizar a pausa de dois anos, Priscila precisou equacionar a ausência de salário. A estratégia incluiu a venda de um apartamento e de todo o mobiliário. Os objetos que quis manter foram guardados na residência da mãe. Só depois de concluir essa etapa ela deu início à jornada, evitando decisões precipitadas. O planejamento abrangeu ainda a escolha inicial de viajar de carro alugado, opção abandonada em três meses por elevado custo. A alternativa passou a ser o transporte rodoviário regular, medida que reduziu despesas e manteve o cronograma ativo.

Roteiro guiado por festivais de forró e contato com a natureza

A origem pernambucana da mãe colocou o forró na vida de Priscila desde a infância. Esse vínculo cultural a impulsionou a organizar a rota de acordo com o calendário dos principais eventos do gênero. De junho do ano passado para cá, ela contabiliza 12 ou 13 festivais, entre eles Nata Forrozeira, Buraco do Tatu, Malagueta e Beijo Me Liga. Lugares tradicionalmente ligados ao ritmo, como Itaúnas (ES), Caraíva e Cumuruxatiba (BA), Aldeia Velha (RJ) e Ilhabela (SP), entraram na lista de destinos.

O percurso até o momento inclui passagens pelo interior paulista e pelos Estados da Bahia, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Sergipe, Alagoas e Pernambuco. Em paralelo aos eventos musicais, trilhas e caminhadas em áreas de mata tornaram-se parte frequente da rotina, ampliando a sensação de desconexão do cotidiano corporativo que motivou sua saída temporária do mercado de trabalho.

Estratégias de segurança para mulher viajando sozinha

Viajar sem companhia exige cuidados específicos, sobretudo para mulheres. Priscila relata ter desenvolvido critérios ao longo do caminho. Um deles é evitar chegar a cidades desconhecidas durante a noite. O tipo de transporte também passa por avaliação: ônibus intermunicipais, caronas por aplicativo e serviços de corrida urbana são comparados caso a caso. De acordo com ela, centros urbanos maiores requerem atenção redobrada para prevenir tentativas de aproveitamento indevido por terceiros.

A cena do forró, no entanto, foi apontada pela viajante como ambiente acolhedor. Ela afirma que é possível frequentar os bailes desacompanhada e ainda assim socializar com facilidade, característica que facilitou a manutenção do roteiro mesmo sem parceiros fixos de viagem.

Repercussões do burnout na carreira e futuro profissional

Com aproximadamente metade do período sabático cumprido, Priscila avalia se voltará ou não à área de TI ao fim dos dois anos. A experiência de burnout e a vivência em novos cenários despertaram a reflexão sobre uma eventual transição profissional. Embora nenhuma decisão esteja tomada, ela pondera a busca por atividades mais alinhadas ao ritmo de vida descoberto na estrada.

Para interessados em repetir o modelo, a ex-executiva reforça a importância do planejamento financeiro e do preparo emocional. Segundo ela, organizar reservas antes de pedir afastamento reduz imprevistos e permite focar no presente, em vez de se manter ansioso com metas futuras ou ressentido por perdas passadas.

Calendário de viagens pós-burnout até o momento

Com base nos dados compartilhados pela própria viajante, o itinerário já percorrido desde junho de 2025 inclui:

• São Paulo (interior) – ponto de partida após a venda do apartamento.
• Rio de Janeiro (capital e interior) – presença em Aldeia Velha e participação em festivais locais.
• Espírito Santo – passagem por Itaúnas, destino conhecido no circuito forrozeiro.
• Bahia – visitas a Caraíva e Cumuruxatiba, além de participação em festivais como Malagueta.
• Sergipe, Alagoas e Pernambuco – deslocamentos para novos eventos e trilhas em áreas naturais.

As datas exatas dos deslocamentos não foram detalhadas, porém o critério predominante é a proximidade entre os festivais, o que possibilita sair de um evento e chegar ao seguinte com tempo hábil.

Dados sobre o burnout no cenário brasileiro

O salto no volume de benefícios concedidos pelo INSS em 2024 indica aumento da busca por afastamento motivado por burnout. O número de 3.359 concessões representa quase três vezes o registrado em 2023. Esse indicador insere a história de Priscila em um contexto mais amplo de adoecimento laboral, marcado por estresse crônico e esgotamento físico e mental.

No caso relatado, a colaboradora recorreu não diretamente ao INSS, mas ao suporte psicológico e psiquiátrico particular e ao mecanismo interno da empresa, que autorizou dois anos de licença sem remuneração. Essa combinação de fatores permitiu a saída planejada antes da adoção do estilo de vida itinerante.

Próximos passos e horizonte de decisão

Com festivais de forró espalhados durante todo o ano, a agenda de Priscila permanece aberta a novas inclusões. Enquanto o prazo de licença não se encerra, ela segue avaliando cidades, datas e condições logísticas. A decisão sobre retorno ou mudança de carreira ficará para o fim do período de afastamento, ponto em que terá de escolher se retoma o mercado de TI ou se direciona a trajetória para atividades compatíveis com a nova rotina descoberta após o burnout.

zairasilva

Olá! Eu sou a Zaira Silva — apaixonada por marketing digital, criação de conteúdo e tudo que envolve compartilhar conhecimento de forma simples e acessível. Gosto de transformar temas complexos em conteúdos claros, úteis e bem organizados. Se você também acredita no poder da informação bem feita, estamos no mesmo caminho. ✨📚 No tempo livre, Zaira gosta de viajar e fotografar paisagens urbanas e naturais, combinando sua curiosidade tecnológica com um olhar artístico. Acompanhe suas publicações para se manter atualizado com insights práticos e interessantes sobre o mundo da tecnologia.

Conteúdo Relacionado

Deixe um comentário

Go up

Usamos cookies para garantir que oferecemos a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você está satisfeito com ele. OK