Brasileiro redefiniu “Guerra dos Mundos” com 132 ilustrações há mais de um século

Brasileiro redefiniu “Guerra dos Mundos” com 132 ilustrações há mais de um século
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Em 1898, o escritor britânico H. G. Wells publicou “The War of the Worlds”, obra que rapidamente suscitou adaptações e inspirou gerações de leitores. Menos conhecido do grande público é o contributo do brasileiro Henrique Alvim Corrêa, artista que, ao produzir mais de uma centena de desenhos, acabou por moldar o imaginário visual ligado à invasão alienígena descrita pelo autor.

Índice

Trajetória de Henrique Alvim Corrêa

Nascido no Rio de Janeiro a 30 de janeiro de 1876, Corrêa foi pintor, ilustrador, desenhista e gravador. Em 1892, mudou-se para Portugal na companhia do padrasto, o Barão de Oliveira Castro, após transformações políticas desencadeadas pela independência do Brasil. Na Europa, consolidou a carreira artística, gerindo mais tarde o seu próprio estúdio.

Embora o momento exato do primeiro contacto com o romance de Wells não seja documentado, sabe-se que, em 1903, o brasileiro empreendeu uma extensa série gráfica baseada na narrativa. O conjunto totalizou 132 ilustrações, todas com foco no confronto entre humanos e marcianos.

Encontro com H. G. Wells e edições ilustradas

No mesmo ano, Corrêa apresentou pessoalmente as pranchas ao escritor em Londres. Wells, impressionado com a interpretação artística, autorizou a publicação do material. O aval resultou numa edição de luxo em francês lançada pela L. Vandamme & Cie, que integrou 32 das imagens originais. Em 1906, parte do trabalho voltou a ser editada numa impressão belga limitada a 500 exemplares.

Para além do projecto ligado a “Guerra dos Mundos”, Corrêa produziu ilustrações sobre conflitos militares reais e desenvolveu séries de carácter erótico inspiradas na esposa, Blanche Fernande Barbant. Apesar da versatilidade, foi o universo criado para o livro de Wells que lhe garantiu maior reconhecimento.

Vida breve e perda de património

Henrique Alvim Corrêa faleceu em 1910, aos 34 anos, vítima de tuberculose. A morte prematura não bastou para impedir que a sua obra continuasse a circular, porém o acervo enfrentou episódios de destruição. Durante a Primeira Guerra Mundial, em 1914, várias peças foram roubadas ou destruídas na invasão alemã da Bélgica. Em 1942, já na Segunda Guerra Mundial, parte restante perdeu-se no naufrágio de um navio torpedeado enquanto transportava obras para o Brasil.

Reconhecimento póstumo

A memória do artista foi recuperada lentamente. Só em 1972, o Museu de Arte de São Paulo (MASP) expôs um conjunto representativo das ilustrações, marcando a primeira apresentação significativa em solo brasileiro. Décadas depois, em 2016, a Galeria Casanova, também em São Paulo, reuniu originais presentes na edição francesa, reacendendo o interesse académico e comercial pelo legado do ilustrador.

Impacto na cultura visual

Ao retratar máquinas de guerra trípodes e paisagens devastadas, Corrêa antecipou elementos que hoje são recorrentes em produções cinematográficas e televisivas. As imagens criadas no início do século XX continuam a ser referenciadas por cineastas, designers e ilustradores que adaptam ou reinterpretam a narrativa de Wells.

Assim, mais de cem anos depois, o contributo do artista brasileiro permanece decisivo para a forma como o público visualiza invasões alienígenas e, em particular, o universo de “Guerra dos Mundos”.

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