Brasil inaugura laboratório de terras raras em Poços de Caldas e avança na cadeia de minerais estratégicos

Brasil inaugura laboratório de terras raras em Poços de Caldas e avança na cadeia de minerais estratégicos
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O laboratório de terras raras instalado em Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais, iniciou operações anunciadas como inéditas no país e marca um passo importante para a cadeia de refino desses minerais estratégicos no Brasil. A estrutura, pertencente à mineradora australiana Meteoric, funciona como planta piloto ligada ao Projeto Caldeira, empreendimento que prevê a exploração de uma área de 193 quilômetros quadrados no município vizinho de Caldas.

Índice

Por que o laboratório de terras raras foi instalado em Poços de Caldas

A opção pela cidade mineira está diretamente associada à localização do chamado Planalto ou Cratera de Poços de Caldas, região com aproximadamente 800 quilômetros quadrados que se estende por municípios de Minas Gerais e de São Paulo. Estudos geológicos mencionados pela empresa apontam que o local pode reunir até 300 milhões de toneladas de minérios classificados como terras raras, uma das maiores ocorrências conhecidas no planeta. Concentrar a fase piloto próximo à fonte mineral reduz custos logísticos de transporte de amostras e permite monitorar em tempo real as variáveis de processo e de impacto ambiental.

Outro fator relevante para a escolha do sítio foi a obtenção da primeira licença ambiental concedida em Minas Gerais para uma planta piloto de extração de terras raras. A autorização, emitida antes da inauguração oficial, viabilizou o início das atividades sem a necessidade de deslocar material para instalações em outros estados ou em países vizinhos, garantindo rapidez aos ensaios metalúrgicos que subsidiarão a futura operação comercial.

Capacidade operacional do laboratório de terras raras

Apesar do caráter pioneiro, a unidade opera em escala reduzida. A planta foi dimensionada para processar até 500 quilos por ano de carbonato misto de terras raras, concentrado inicial obtido a partir do minério extraído em campanhas de pesquisa. No cotidiano, cerca de 600 quilos de argila são submetidos ao circuito de beneficiamento, resultando em aproximadamente 2 quilos de carbonato misto; 53 % desse material corresponde a óxidos de terras raras, fração que interessa diretamente a fabricantes de componentes eletrônicos e de ímãs permanentes.

O investimento de 1,5 milhão de dólares em infraestrutura contempla laboratórios de preparação de amostras, tanques de lixiviação, sistemas de separação física e áreas de estocagem controlada. Embora o volume anual pareça modesto, ele cumpre o papel de validar rotas de processo, determinar índices de recuperação e produzir lotes suficientes para testes de pureza, essenciais para clientes da indústria de alta tecnologia.

Processo de refino e segurança radiológica no laboratório de terras raras

O ciclo de produção começa com a fragmentação da argila coletada no terreno designado ao Projeto Caldeira. Em seguida, as partículas passam por etapas de lixiviação que solubilizam os elementos de interesse, gerando solução rica em terras raras. A fase seguinte envolve precipitação controlada para formar o carbonato misto, concentrado final previsto nesta etapa piloto.

Um aspecto sensível do procedimento é a eventual presença de urânio e tório associados à mineralização. Para mitigar riscos, a operação está sob acompanhamento da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN). Ensaios anteriores, realizados pela própria empresa, indicaram níveis baixos de radioatividade nos resíduos, mas o monitoramento permanecerá durante toda a fase experimental no Brasil, assegurando que a atividade se mantenha dentro dos limites regulatórios.

Licenças ambientais e desafios regulatórios

Enquanto o laboratório de terras raras já processa amostras, o licenciamento das minas planejadas para Caldas e Poços de Caldas enfrenta entraves. O Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) adiou duas vezes a análise dos pedidos. A primeira postergação ocorreu para que a empresa apresentasse informações complementares; a segunda deu-se após recomendação do Ministério Público Federal, que solicitou avaliação mais detalhada dos possíveis impactos ambientais e dos riscos às comunidades do entorno.

As discussões regulatórias trazem à tona preocupações frequentes em empreendimentos de mineração: destinação de rejeitos, uso de recursos hídricos e recuperação de áreas escavadas. No caso específico das terras raras, a presença potencial de isótopos radioativos chama atenção de órgãos supervisores, exigindo planos de gestão de resíduos capazes de garantir a segurança das populações vizinhas e a preservação da biodiversidade local.

Potencial geológico do Projeto Caldeira e projeções de produção

A Meteoric projeta que, uma vez concluídas as etapas de licenciamento e instalada a infraestrutura em escala industrial, a futura mina possa atingir capacidade de 18 mil toneladas de produto por ano. O número contrasta com os 500 quilos anuais previstos para o estágio piloto, evidenciando a diferença entre a fase de pesquisa e o nível comercial.

A dimensão do depósito geológico localizado na Cratera de Poços de Caldas reforça o interesse econômico. Estimativas apontam até 300 milhões de toneladas de minérios com concentração de terras raras, tornando o projeto potencialmente significativo para diversificar a oferta global desse grupo de elementos químicos, hoje dominada por poucos países.

Importância estratégica dos óxidos de terras raras

Os óxidos obtidos no laboratório de terras raras são matérias-primas para diferentes cadeias de valor. Eles entram na fabricação de telas eletrônicas, equipamentos médicos, componentes de informática e, principalmente, ímãs permanentes empregados em motores de veículos elétricos e em turbinas de geração eólica. A crescente demanda por tecnologias de energia limpa impulsiona o interesse por reservas emergentes, enquanto fabricantes buscam reduzir a dependência de fornecedores concentrados em mercados externos.

Além do uso em ímãs, as terras raras encontram aplicação em ligas metálicas de alta resistência, catalisadores automotivos e pigmentos especiais. Portanto, o avanço do Projeto Caldeira pode criar oportunidades para polos industriais que pretendem se instalar próximos a fontes de insumos críticos, fomentando cadeias de suprimento mais curtas e resilientes.

Próximos passos para a expansão do laboratório de terras raras

Com a planta piloto em funcionamento, a companhia deve concentrar esforços na consolidação de dados de processo, no monitoramento dos parâmetros radiológicos e no atendimento às exigências ambientais impostas pelos órgãos competentes. Somente após a emissão das licenças definitivas, previstas para as minas em Caldas e Poços de Caldas, a operação em larga escala poderá ser instalada, visando à meta de 18 mil toneladas anuais de concentrado.

O cronograma do Copam ainda não possui nova data de deliberação divulgada, mas a próxima análise do colegiado será determinante para indicar se o empreendimento avançará para a fase de construção da mina ou se precisará responder a novas solicitações de complementação documental.

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