Bolsa supera 178 mil pontos e registra melhor semana desde abril de 2020

Bolsa supera 178 mil pontos e registra melhor semana desde abril de 2020
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Bolsa supera 178 mil pontos e, com novo recorde de fechamento, consolida uma semana de ganhos que não era vista desde o início da recuperação dos mercados após a chegada da covid-19 em 2020, enquanto o dólar mantém-se em patamar inferior a R$ 5,30.

Índice

Bolsa supera 178 mil pontos: desempenho diário e variação intraday

O índice Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira a 178.858 pontos, avanço de 1,86% em relação ao dia anterior. Durante a sessão, o principal indicador da B3 chegou a tocar 180 mil pontos às 17h31, registrando alta intradiária de 2,38%. A marca foi reduzida na última hora de negociação, movimento atribuído à realização de lucros por investidores que aproveitaram as valorizações recentes para vender parte das posições. Ainda assim, o patamar registrado no fechamento confirmou o quarto recorde consecutivo do índice brasileiro.

Essa escalada contínua reflete a combinação de fatores técnicos e fluxo de capital estrangeiro. No cenário de curto prazo, gestores têm aumentado a exposição a ações locais em meio à percepção de que os preços seguem atrativos na comparação com outras praças emergentes. O volume de negócios, reforçado pela atuação de investidores institucionais, sustentou o clima de otimismo que tomou conta do pregão desde as primeiras horas desta sexta-feira.

Bolsa supera 178 mil pontos: quarta marca histórica consecutiva impulsiona melhor semana desde 2020

Ao acumular alta de 8,53% nos últimos cinco pregões, o Ibovespa apontou seu melhor desempenho semanal desde a semana encerrada em 9 de abril de 2020, quando havia subido 11,71%. Naquele momento, o mercado ainda se recuperava das quedas provocadas pelas incertezas sanitárias e econômicas causadas pela pandemia. O salto atual ocorre, portanto, em um contexto completamente distinto: a economia global transita de um ciclo de aperto monetário nos países desenvolvidos para a expectativa de afrouxamento das condições financeiras, o que desloca recursos em direção a países emergentes.

A sucessão de recordes também reforça o peso de setores domésticos no movimento de alta. Empresas de consumo interno, construção civil e varejo, que vinham represadas pelos juros elevados, ganharam fôlego adicional com a perspectiva de estabilidade ou até mesmo de redução da taxa Selic ao longo do ano. Esse rearranjo setorial ampliou a diversificação dos ganhos do índice, contribuindo para a robustez da valorização semanal.

Fluxo externo impulsiona rali e segura dólar abaixo de R$ 5,30

Enquanto a bolsa supera 178 mil pontos, o mercado de câmbio registrou apenas leve variação. O dólar comercial foi vendido a R$ 5,287, variação diária de 0,05% positiva. Pela manhã, a cotação chegou a tocar R$ 5,30, reação pontual atribuída a estratégias de compra de investidores que aproveitaram o recuo recente da moeda. Ainda no mesmo dia, a entrada de recursos estrangeiros devolveu a taxa de câmbio ao patamar próximo da estabilidade.

No acumulado da semana, o dólar recuou 1,61% e, no ano de 2026, a desvalorização chega a 3,68%. Esses percentuais mantêm o preço da moeda nos níveis mais baixos desde a primeira quinzena de novembro do ano anterior, sustentados pela arbitragem favorável entre o juro doméstico – hoje em 15% ao ano – e as taxas praticadas nas economias avançadas.

A atração de capitais é mensurável. Entre 1.º e 21 de janeiro, o fluxo líquido para a B3 somou R$ 12,35 bilhões. O montante representa quase metade dos R$ 25,5 bilhões de ingresso verificados ao longo de todo o ano de 2025. Esse ritmo, caso mantido, tende a ampliar a liquidez do mercado acionário e a conferir sustentação adicional às cotações.

Bolsa supera 178 mil pontos: impacto dos juros internos e agenda do Copom

A taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, permanece no maior nível em quase duas décadas. O diferencial em relação aos rendimentos de títulos de países desenvolvidos atua como ímã para recursos internacionais, fomentando a procura por ativos denominados em reais. Com o Comitê de Política Monetária (Copom) agendado para se reunir na próxima semana, agentes de mercado monitoram a possibilidade de manutenção do patamar ou de um eventual sinal de queda na trajetória dos juros.

Uma sinalização de corte gradual poderia embutir duas leituras distintas. De um lado, o custo de carregamento de posições em renda variável cairia, gerando apoio adicional à valorização das ações. De outro, a redução do diferencial de juros tenderia a moderar a velocidade de entrada de dólares, influenciando o comportamento futuro do câmbio. Analistas apontam que, mesmo em cenário de flexibilização, o nível absoluto da Selic continuará elevado em termos reais, motivo pelo qual o apetite por ativos brasileiros deve persistir.

Comparativo histórico: recordes atuais e a recuperação pós-início da pandemia

O desempenho desta semana remete aos episódios vividos em abril de 2020. Naquele período, o Ibovespa saltou mais de 11% na base semanal depois de ter afundado nas semanas anteriores em razão do choque inicial de incertezas causado pela covid-19. A diferença crucial entre então e agora reside na direção dos fluxos globais: em 2020, os pacotes de estímulo nos Estados Unidos e na Europa ampliaram a liquidez, mas parte considerável desse capital permaneceu nas próprias bolsas desses países. Hoje, o movimento se inverte, e a percepção de menor atratividade dos rendimentos norte-americanos provoca a migração de recursos para mercados considerados descontados, como o brasileiro.

Adicionalmente, a resiliência dos balanços corporativos listados na B3, combinada a revisões de lucro para cima em setores ligados a commodities e energia, reforça a narrativa de que o patamar de 180 mil pontos pode tornar-se um novo suporte, desde que o fluxo externo não seja revertido de forma abrupta.

Efeito nos mercados de câmbio: oscilações do dólar comercial e perspectivas

A estabilidade observada no dólar indica que a volatilidade, por ora, migrou para o mercado acionário. A queda acumulada de 3,68% em 2026 reflete não apenas os ingressos para a bolsa, mas também o ingresso de capital para renda fixa, favorecido pela remuneração elevada dos títulos públicos brasileiros. Caso o Copom mantenha o tom conservador e demore a iniciar o ciclo de flexibilização, o diferencial de juros pode permanecer como elemento central na formação do preço da moeda norte-americana.

Em contrapartida, uma aceleração do corte de juros nos Estados Unidos ou um cenário de aversão global ao risco poderiam alterar esse equilíbrio, levando a ajustes tanto no dólar quanto no Ibovespa. Por essa razão, operadores acompanham com atenção os dados de inflação norte-americanos e as sinalizações do Federal Reserve, buscando estimar se o atual fluxo para emergentes será sustentável.

Até o momento, contudo, a combinação de juros domésticos elevados, entrada líquida expressiva de recursos e perspectiva de crescimento moderado, porém estável, tem sustentado a valorização dos ativos nacionais. Esse ambiente explica por que a bolsa supera 178 mil pontos e, mesmo após quatro recordes seguidos, encontra terreno para buscar novas máximas.

O próximo ponto de atenção para investidores será a reunião do Copom, que pode redefinir as expectativas sobre a trajetória da Selic e influenciar, em cadeia, o comportamento de ações, renda fixa e câmbio.

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