Bares de samba lacrados no Bixiga: prefeitura ergue paredes de tijolo após denúncias de ruído

Bares de samba lacrados no Bixiga: prefeitura ergue paredes de tijolo após denúncias de ruído
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Bares de samba tradicionais do Bixiga, na região central de São Paulo, tiveram as portas vedadas com tijolos depois de uma fiscalização que reuniu diversos órgãos municipais e estaduais. A medida, realizada na última sexta-feira (30), partiu da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e foi motivada por reclamações de moradores sobre excesso de ruído e irregularidades na documentação.

Índice

Como a operação lacrou bares de samba no Bixiga

A ação de fiscalização foi conduzida pela Subprefeitura da Sé, com participação do Programa do Silêncio Urbano (Psiu), Guarda Civil Metropolitana, Vigilância Sanitária, Companhia de Engenharia de Tráfego, Polícia Militar e Polícia Civil. Segundo a prefeitura, a força-tarefa percorreu 30 estabelecimentos na noite de sexta-feira. Durante as visitas foram feitas medições de nível sonoro, verificação de alvarás de funcionamento, checagem de grandes geradores de resíduos e inspeção de ocupação de área pública por mesas e cadeiras.

Entre os locais vistoriados, dois acabaram recebendo a sanção máxima de lacre físico: o Sirigoela, na Rua Treze de Maio, e o Bar do Jackson, na Rua Conselheiro Carrão. Em ambos, equipes operacionais ergueram paredes de tijolo bloqueando o acesso principal. A intervenção objetiva impedir o uso do imóvel até que as pendências apontadas sejam sanadas e nova autorização seja emitida.

Reclamações de ruído e histórico de autuações nos bares de samba

De acordo com a Secretaria Municipal das Subprefeituras, os dois bares de samba vinham sendo alvo de queixas recorrentes e já possuíam registros anteriores de irregularidades. No caso do Sirigoela, a primeira inspeção aconteceu em agosto de 2025, quando o Psiu mediu volume acima do limite legal e aplicou uma autuação. Na ocasião, os agentes solicitaram a licença de funcionamento e receberam, conforme o proprietário, uma licença temporária, aceita sem exigências adicionais naquele momento.

A segunda inspeção, realizada na sexta-feira, encontrou a mesma licença temporária. Desta vez, porém, o documento foi considerado insuficiente. A prefeitura informou que, além das queixas de moradores, recebeu notificações de outros órgãos públicos indicando desconformidade acústica. A recusa do alvará desencadeou o lacre imediato do estabelecimento.

O Bar do Jackson chegou à noite de fiscalização com uma situação pendente desde 6 de dezembro de 2024. Naquela data, havia sido emitida ordem de fechamento administrativo, segundo a administração municipal. O descumprimento dessa ordem resultou na infraestrutura de tijolos, em nova multa e no registro de boletim de ocorrência.

Documentação exigida para reabrir os bares de samba

Para voltar a funcionar, o Sirigoela deve, segundo a prefeitura, promover adequações estruturais e realizar ajustes na rede elétrica, além de apresentar um alvará definitivo. Os responsáveis precisarão comprovar que o nível de pressão sonora atende às normas vigentes do Psiu. Apenas após a vistoria de técnicos credenciados a vedação poderá ser retirada.

No Bar do Jackson, a reabertura depende da regularização da acústica e da obtenção de uma nova licença de funcionamento. Enquanto essas condições não forem cumpridas, o lacre permanece, e qualquer tentativa de acesso pode resultar em penalidades mais severas.

Impacto da medida no Bixiga, bairro historicamente boêmio

O Bixiga é reconhecido por sua forte vocação cultural e noturna. Ao longo de décadas, o bairro atrai moradores, turistas e amantes da música popular brasileira para casas de samba, bares e restaurantes. O fechamento abrupto de dois pontos conhecidos altera a rotina da vizinhança e levanta debates sobre convivência entre entretenimento e qualidade de vida.

Segundo relato do proprietário do Sirigoela, desde a abertura do bar, em julho de 2024, foram adotadas ações para diminuir o incômodo local. Entre elas, ajuste do volume para cerca de 30 % do original, alteração nos horários de atendimento e reorganização do espaço externo para facilitar o tráfego de veículos. Mesmo assim, a administração municipal afirma que os índices de ruído continuavam fora do padrão.

Para atender às reivindicações, moradores do entorno contam com o respaldo do Psiu, criado justamente para mediar conflitos acústicos na cidade. O órgão possui protocolos de medição que definem limites diferenciados conforme horário e zoneamento urbano. Quando a aferição registra valores acima do permitido, a legislação prevê sanções que podem chegar ao fechamento definitivo.

Próximos passos jurídicos dos proprietários dos bares de samba

Após o lacre, os empresários transferiram temporariamente a operação do Sirigoela para outro endereço, o Candeia, enquanto preparam ações judiciais. Entre as medidas anunciadas está a impetração de mandado de segurança com o objetivo de reabrir rapidamente. A estratégia busca demonstrar que o bar vinha se ajustando às normas e que a licença temporária era válida.

No Bar do Jackson, a expectativa também é recorrer administrativamente e comprovar, junto aos órgãos competentes, que os requisitos técnicos podem ser cumpridos. A prefeitura, por sua vez, sustenta que qualquer negociação passa, primeiro, pela apresentação de documentos regulares e pela certificação acústica.

Os resultados dessas iniciativas jurídicas definirão o ritmo de retorno das atividades musicais nesses bares de samba. Até lá, permanece o bloqueio de tijolos, a multa pendente e a obrigação de adequar estrutura e som aos padrões estipulados.

A ação de sexta-feira gerou, ainda, três autuações adicionais, seis apreensões de mercadorias ligadas a comércio irregular e dois termos de orientação por ausência de Termo de Permissão de Uso para mobiliário externo. A prefeitura indica que novas fiscalizações no Bixiga estão previstas, reforçando o acompanhamento das adequações solicitadas.

A próxima etapa relevante será a análise dos pedidos de regularização que os proprietários devem protocolar junto à Subprefeitura da Sé. O processo inclui apresentação de projeto acústico, documentação da rede elétrica e solicitação de vistoria final. A liberação, caso os requisitos sejam atendidos, permitirá a retirada das paredes de tijolo e a retomada das atividades musicais nos imóveis vistoriados.

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