Banco Will: entenda passo a passo o que fazer após a liquidação decretada pelo BC

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O anúncio da liquidação extrajudicial do Banco Will pelo Banco Central mudou de forma imediata o relacionamento de correntistas e investidores com a instituição. Mesmo fora de operação, as obrigações contratuais permanecem ativas, enquanto os recursos aplicados ficam congelados até a conclusão do trabalho do liquidante nomeado pelo regulador.
- Por que o Banco Will foi liquidado
- O que muda imediatamente para os clientes do Banco Will
- Como proceder com dívidas e faturas vinculadas ao Banco Will
- Situação de saldos e investimentos após a liquidação
- Cobertura do Fundo Garantidor de Créditos e eventuais riscos
- Próximos passos do processo de liquidação extrajudicial
Por que o Banco Will foi liquidado
O caso teve origem na constatação de que a Will Financeira, empresa vinculada ao Banco Master, deixou de honrar os repasses devidos à operadora de cartões de crédito Mastercard. Diante da inadimplência, o Banco Central, responsável pela estabilidade do sistema financeiro, decretou a liquidação extrajudicial na quarta-feira, 21. Esse procedimento retira a instituição do mercado, bloqueia novas operações e dá início a um processo de levantamento completo do patrimônio, dos direitos e das obrigações da empresa.
O que muda imediatamente para os clientes do Banco Will
A partir do ato de liquidação, toda a movimentação de contas passa a ser suspensa. Saldos em conta-corrente, aplicações financeiras e eventuais rendimentos ficam congelados até que o liquidante conclua o inventário patrimonial e defina a ordem de pagamentos aos credores. A figura do liquidante, indicada pelo Banco Central, assume a administração e a representação legal da companhia, substituindo integralmente a antiga diretoria.
Apesar da paralisação operacional, contratos já firmados continuam válidos. Isso significa que prazos para quitação de dívidas, vencimentos de parcelas e obrigações com cartões emitidos pela instituição não sofrem perdão automático nem são renegociados de forma coletiva.
Como proceder com dívidas e faturas vinculadas ao Banco Will
Especialistas em mercado financeiro recomendam que os clientes mantenham a pontualidade dos pagamentos. De acordo com as regras do Sistema Financeiro Nacional, faturas de cartão de crédito, parcelas de financiamentos ou qualquer débito registrado seguem ativos. A falta de pagamento resulta em inadimplência, o que acarreta registro no Serasa e no SPC, afetando o histórico de crédito do consumidor.
Na prática, quem possui uma fatura de cartão ligada ao Banco Will deve quitar o valor integral ou o mínimo contratado, dentro do vencimento acordado originalmente. Caso haja dúvidas sobre o procedimento de cobrança, o cliente deve consultar os canais oficiais divulgados pelo liquidante, que passará a centralizar todas as informações sobre boletos, datas e eventuais mudanças na forma de recebimento.
Situação de saldos e investimentos após a liquidação
Valores depositados em conta-corrente ou aplicados em produtos de investimento ficam retidos até o encerramento do levantamento patrimonial. O liquidante realizará um balanço para verificar quanto a instituição possui em caixa, quais créditos tem a receber e quais obrigações devem ser pagas. Com base nesse diagnóstico, será estabelecida uma ordem de prioridade para devolução de recursos aos credores, incluindo correntistas e investidores.
Durante essa fase, não há possibilidade de resgate ou transferência. Os clientes precisam acompanhar periodicamente os comunicados oficiais para saber quando e de que forma ocorrerá a restituição dos valores. Qualquer contato que não parta dos canais reconhecidos pelo Banco Central ou pelo liquidante deve ser tratado com cautela, a fim de evitar tentativas de fraude.
Cobertura do Fundo Garantidor de Créditos e eventuais riscos
Parte dos recursos mantidos na instituição é protegida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A cobertura alcança até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, englobando depósitos à vista, poupança e certos tipos de investimento. Quando o liquidante conclui o levantamento, o FGC é acionado para reembolsar os valores elegíveis dentro desse limite.
O principal risco para quem está contemplado pelo FGC não é a perda financeira, mas o eventual atraso no pagamento. O tempo necessário para que o fundo inicie os ressarcimentos pode variar de acordo com a complexidade do processo de liquidação. Produtos que não contam com a proteção — a exemplo de determinadas dívidas de emissão própria, letras financeiras e outros instrumentos fora do escopo — permanecem sujeitos à disponibilidade patrimonial da empresa, o que pode resultar em recuperação parcial, conforme a ordem legal de prioridades.
Próximos passos do processo de liquidação extrajudicial
Após o decreto do Banco Central, o liquidante passa a desempenhar várias frentes de trabalho. Primeiramente, ele identifica ativos de rápida conversão em caixa, como títulos mobiliários e aplicações em instituições parceiras. Em seguida, lista todas as obrigações, desde credores institucionais até consumidores finais. Depois de concluída a verificação, um cronograma de pagamentos será divulgado, respeitando a hierarquia prevista na legislação.
No estágio atual, clientes devem:
• Manter pagamentos de dívidas em dia.
• Guardar comprovantes de quitação.
• Consultar notificações do liquidante para instruções sobre restituição de saldos.
• Verificar se seus investimentos têm cobertura do FGC.
• Desconsiderar contatos não oficiais que solicitem dados pessoais ou pagamentos antecipados.
A Will Financeira foi procurada para comentar a situação, mas não se manifestou até o momento. Enquanto isso, as informações oficiais serão centralizadas pelo liquidante designado e pelo Banco Central.

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