Bad Bunny ultrapassa barreiras e lidera streaming no Brasil após Super Bowl: a trajetória que explica o feito

Bad Bunny ultrapassa barreiras e lidera streaming no Brasil após Super Bowl: a trajetória que explica o feito
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O cantor porto-riquenho Bad Bunny alcançou um marco inédito no mercado fonográfico brasileiro ao surgir como o artista internacional mais ouvido no país logo depois de sua apresentação no intervalo do Super Bowl e de dois shows realizados em São Paulo. Na semana imediatamente posterior à final da National Football League (NFL), ele chegou ao 12º lugar no ranking do Spotify Brasil, posição que jamais havia ocupado em quase dez anos de carreira. Na semana seguinte, recuou para o 24º posto, ainda assim mantendo-se no topo entre os estrangeiros, superado apenas por nomes nacionais do funk e do sertanejo.

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Super Bowl impulsiona Bad Bunny no streaming brasileiro

O salto de Bad Bunny nos serviços de streaming coincide diretamente com os menos de 15 minutos que passou no palco do Super Bowl, evento esportivo norte-americano com alcance global. Embora a tradição do show do intervalo seja consolidada nos Estados Unidos há décadas, foi a primeira vez que a apresentação foi transmitida em televisão aberta no Brasil. A Rede Globo exibiu trechos do espetáculo logo depois do Big Brother Brasil (BBB), enquanto o Multishow transmitiu o show completo e o SporTV exibiu a partida de futebol americano. Ao somar todas as janelas — televisão e internet, incluindo o GE TV — a emissora alcançou 12,9 milhões de pessoas no país. Esse alcance maciço ofereceu ao músico porto-riquenho uma vitrine sem precedentes entre os brasileiros.

Audiência da Globo multiplica exposição de Bad Bunny

A repercussão na TV foi apenas o ponto de partida. Nas redes sociais, especialmente no X (antigo Twitter) e no Instagram, a presença digital de Bad Bunny explodiu. Apenas na segunda-feira subsequente ao Super Bowl foram identificadas 218,5 mil publicações citando o artista, volume muito acima da média diária de 486 menções registrada em 2025. Durante toda a semana, ele permaneceu entre os três assuntos mais comentados no X, perdendo espaço apenas para as campanhas de internautas ligadas ao paredão do BBB.

No Instagram, um momento específico da apresentação gerou engajamento massivo: o trecho em que o cantor deseja que “Deus abençoe a América” — mas não somente os Estados Unidos, e sim todos os territórios do continente. O vídeo mais viralizado em perfis brasileiros chegou a 5,7 milhões de visualizações, acumulando 754 mil curtidas, 50,7 mil compartilhamentos e 3,4 mil comentários, de acordo com o monitoramento do Buzzmonitor, empresa especializada em análise de redes sociais.

Métricas nas redes sociais revelam entusiasmo e críticas

As medições do Buzzmonitor indicam que 75,93% das menções a Bad Bunny carregavam sentimento positivo, enquanto 15,25% eram negativas e 8,82% neutras. A taxa de aprovação chama atenção quando comparada a artistas estrangeiros de porte similar. Taylor Swift, por exemplo, costuma registrar 54,36% de menções positivas no Brasil, acompanhadas por 22,56% negativas e 23,36% neutras. O contraste evidencia a recepção calorosa do público brasileiro ao porto-riquenho no período pós-Super Bowl.

Entretanto, as críticas não podem ser ignoradas. Postagens contrárias ao músico, sobretudo de perfis associados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, ganharam visibilidade. O conteúdo mais popular nesse campo partiu de Eduardo Bolsonaro, que reuniu 181,4 mil curtidas ao afirmar que Bad Bunny teria aproveitado a vitrine do Super Bowl para protestar contra Donald Trump e contra a agência de imigração dos Estados Unidos (ICE). Ainda assim, mesmo reações negativas serviram de gatilho para novos acessos às músicas do cantor, reforçando o princípio “fale bem ou fale mal, mas fale de mim”.

Mercado musical brasileiro e resistência a artistas estrangeiros

O sucesso de Bad Bunny adquire dimensão maior quando se considera a dinâmica particular do consumo musical brasileiro. Estudos de mercado apontam que o Brasil é o país que mais ouve a própria música no mundo, cenário que dificulta a ascensão de artistas de fora. A comparação com Taylor Swift ilustra esse desafio: apesar de ser a estrangeira mais bem posicionada depois de Bad Bunny, ela ocupou apenas a 59ª posição no Spotify na mesma semana em que o porto-riquenho figurou no 24º lugar.

Nas faixas individuais, o desempenho também surpreendeu. “DtMF”, principal música do álbum “Debí Tirar Más Fotos”, chegou ao 14º lugar entre as canções mais tocadas no Spotify Brasil, liderando com ampla vantagem sobre “The Fate of Ophelia”, de Swift, que apareceu apenas em 66º. Mesmo após a queda nas semanas seguintes, ambas permanecem como as faixas estrangeiras mais ouvidas, reforçando o destaque do cantor.

Orgulho latino e o discurso que ecoou no Brasil

O antropólogo Rafael Noleto, da Universidade Federal de Pelotas, observa que o engajamento em torno de Bad Bunny foi impulsionado por um sentimento de união latino-americana, catalisado pela postura crítica do artista em relação ao ex-presidente norte-americano Donald Trump. Noleto recorda que Trump mencionou retomadas da Doutrina Monroe, associada a intervenções políticas e militares na região, o que gerou reação negativa em diversos países do continente.

Mesmo que apenas 4% dos brasileiros se autodefinam como latino-americanos, segundo levantamento do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), o discurso do cantor — que abraça símbolos culturais comuns da América Latina — encontrou ressonância. Elementos visuais de sua carreira, como a capa do álbum “DtMF”, que exibe cadeiras de plástico diante de bananeiras, funcionam como códigos compartilhados em festas populares de vários países latino-americanos, inclusive o Brasil.

Futuro de Bad Bunny nas paradas do Brasil

Com a conclusão dos shows de Bad Bunny em São Paulo, resta a dúvida sobre até que ponto o desempenho extraordinário se manterá. Os primeiros sinais apontam para descenso: no Spotify, a passagem do 12º para o 24º lugar ocorreu em apenas uma semana, e o volume de menções nas redes sociais encolheu de 218,5 mil para 62,5 mil no dia seguinte, despencando para 24 mil no terceiro dia.

Especialistas citados na reportagem avaliam que o êxito pode se diluir com o tempo, a menos que surjam novos impulsos, como uma eventual parceria com um artista brasileiro. O próprio cantor declarou que não pretende gravar duetos antes de conhecer melhor a cena musical local e sentir vontade genuína de colaborar. Depois da passagem pelo país, esse posicionamento ainda pode mudar, abrindo nova frente de popularização.

A despeito das projeções de queda, a conexão entre a obra de Bad Bunny e o público brasileiro se fortaleceu por afinidades sociais, políticas e musicais. Ambos os países compartilham raízes afro-latinas na sonoridade e enfrentam históricos semelhantes de colonialismo e influência cultural dos Estados Unidos. Esses pontos de contato ajudam a explicar por que a performance de um artista que até então nunca havia figurado entre os 50 mais tocados se transformou, quase da noite para o dia, em um fenômeno nas plataformas digitais brasileiras.

Os números atuais apontam retração, mas o impacto gerado pelo Super Bowl e pelas apresentações em solo paulistano já entrou para a história recente do streaming no Brasil. O próximo termômetro concreto virá com a atualização das paradas do Spotify e do YouTube nas próximas semanas, que indicarão se o interesse permanecerá estável ou retornará ao patamar anterior à explosão de fevereiro.

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