Ataque a Ilhan Omar em Minneapolis: líquido fétido, prisão e as motivações por trás do incidente

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Ilhan Omar, deputada democrata e voz frequente da oposição às políticas migratórias do ex-presidente Donald Trump, foi alvo de um ataque com líquido de odor fétido durante uma reunião pública em Minneapolis na terça-feira, 27. O agressor foi detido imediatamente por agentes que acompanhavam o encontro.
- Ilhan Omar interrompida por ataque durante fala sobre imigração
- Como ocorreu o ataque a Ilhan Omar em Minneapolis
- Reação imediata: resposta da deputada Ilhan Omar e da segurança
- Posicionamento oficial após o incidente com Ilhan Omar
- Histórico de tensões entre Donald Trump e Ilhan Omar
- O papel do ICE e as críticas que motivaram a fala de Ilhan Omar
- Próximos passos após a prisão do agressor que atacou Ilhan Omar
Ilhan Omar interrompida por ataque durante fala sobre imigração
A sessão aberta à comunidade ocorria em um espaço municipal de Minneapolis. A parlamentar discursava sobre a atuação do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) no estado de Minnesota, criticando ações recentes do órgão. Enquanto abordava o tema, Omar relacionou a escalada de operações migratórias à morte a tiros de dois cidadãos norte-americanos na mesma cidade, fatos que, segundo ela, reforçam a necessidade de mudanças profundas. Foi nesse ponto que um homem avançou em direção ao púlpito.
Testemunhas relataram que o indivíduo, ainda não identificado publicamente pelas autoridades, segurava uma seringa. Ele borrifou o líquido em direção à congressista, pronunciando em voz alta que ela deveria “renunciar”. A substância exalava cheiro considerado desagradável por pessoas próximas ao palco.
Como ocorreu o ataque a Ilhan Omar em Minneapolis
O vídeo registrado por participantes mostra a sequência em detalhes. Logo após a declaração em que Omar defendia a abolição do ICE e pedia a saída da secretária do Departamento de Segurança Interna, Kristi Noem, o homem se aproximou rapidamente. Em frações de segundo, o jato foi expelido rumo à deputada. Um segundo participante, posicionado ao lado do agressor, reagiu de imediato, derrubando-o no chão e neutralizando o avanço.
Agentes do Departamento de Polícia de Minneapolis, já alocados no evento para garantir ordem, algemaram o suspeito. Ele foi conduzido sob acusação preliminar de agressão de terceiro grau, categoria prevista na legislação local para ataques que envolvem contato físico e possível risco biológico, ainda que não tenham resultado em ferimentos.
Reação imediata: resposta da deputada Ilhan Omar e da segurança
A parlamentar manteve a calma logo após o impacto inicial. Nos segundos seguintes, pediu apenas um guardanapo para remover o excesso de líquido de suas roupas. Após um breve intervalo, retornou ao púlpito e concluiu a apresentação programada, reforçando que não permitiria que “intimidações” interrompessem o diálogo com eleitores.
O gabinete de segurança do prédio reforçou barreiras físicas diante do palco e passou a controlar as entradas com maior rigor. Peritos criminais foram chamados para coletar amostras da substância, que permanece sem identificação oficial. O local também foi isolado para avaliação de possíveis vestígios químicos.
Posicionamento oficial após o incidente com Ilhan Omar
Em nota divulgada nas redes sociais pouco depois do ocorrido, a equipe da deputada informou que ela “passa bem” e agradeceu a ação rápida tanto de participantes quanto da polícia. O comunicado pontuou que o agressor utilizou “substância desconhecida” e que, mesmo assim, Omar decidiu prosseguir com o evento para não ceder a pressões violentas.
O Departamento de Polícia de Minneapolis, por sua vez, confirmou a prisão e explicou que a tipificação criminal poderá ser revista após análise pericial. A corporação enfatizou que não houve lesões e que os próximos passos dependem do laudo sobre a composição química do líquido.
Histórico de tensões entre Donald Trump e Ilhan Omar
Embora o ataque tenha se dado em um contexto local, os atritos entre a congressista e o ex-presidente Donald Trump ganharam projeção nacional. Trump já havia chamado Ilhan Omar de “lixo” em discurso proferido em dezembro do ano anterior, ocasião em que criticou a diáspora somali estabelecida nos Estados Unidos desde a década de 1990, especialmente em Minnesota. Na fala, o ex-mandatário não diferenciou cidadãos norte-americanos de não cidadanizados dentro da comunidade somali, o que provocou reações de organizações de direitos civis.
A retórica agressiva de Trump vem sendo direcionada à representante democrata em diversos momentos. Omar, imigrante somali naturalizada norte-americana e eleita para a Câmara dos Representantes, rebate de forma constante as políticas de imigração defendidas pelo ex-presidente, incluindo ações de fiscalização que ela classifica como excessivamente punitivas.
O papel do ICE e as críticas que motivaram a fala de Ilhan Omar
O Serviço de Imigração e Alfândega, central na discussão daquela noite, conduz operações de fiscalização de imigrantes em todo o território norte-americano. Segundo Ilhan Omar, a recente concentração de forças do órgão em Minnesota coincidiu com dois homicídios envolvendo cidadãos norte-americanos na região de Minneapolis. Para a deputada, tais ocorrências sinalizam que a escalada de medidas de repressão migratória não garante segurança adicional e, em vez disso, agrava tensões locais.
A congressista sustentou, no mesmo discurso, que o ICE “não pode ser reabilitado” e defendeu sua abolição definitiva. Ela também pediu que Kristi Noem, responsável pelo Departamento de Segurança Interna, renuncie ao cargo ou enfrente processo de impeachment. Esses pontos deram o tom crítico que precedeu o ataque.
Próximos passos após a prisão do agressor que atacou Ilhan Omar
Com a detenção formalizada, o suspeito aguardará audiência de custódia, etapa em que a Justiça avaliará a manutenção da prisão ou eventual concessão de fiança. A promotoria de Minneapolis deve receber o relatório pericial sobre o líquido nos próximos dias, informação considerada determinante para classificar o ato como simples agressão física ou possivelmente um crime mais grave, caso seja detectada substância perigosa.
No âmbito legislativo, aliados de Ilhan Omar sinalizaram que pretendem discutir protocolos de segurança para eventos públicos de parlamentares, ainda que não haja indicação de mudanças imediatas. Até o momento, não foram divulgadas datas para novos pronunciamentos da deputada sobre o caso.
A agenda pré-divulgada do gabinete de Omar indica que ela mantém compromissos comunitários em Minnesota ao longo da semana, sem referências a alterações. O olhar de autoridades e da imprensa se volta agora para a análise técnico-científica da substância, etapa final para definir se o episódio permanece enquadrado como agressão de terceiro grau ou se evolui para acusação mais severa.

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