Arrecadação federal atinge recorde de R$ 2,89 trilhões em 2025 e cresce 3,75% em termos reais

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Arrecadação federal de impostos e demais receitas somou R$ 2,89 trilhões em 2025, estabelecendo o maior patamar já registrado pela União e representando crescimento real de 3,75% na comparação com 2024, de acordo com dados divulgados pela Receita Federal.
- Panorama da arrecadação federal em 2025
- Desempenho de dezembro reforça tendência de alta na arrecadação federal
- Impacto dos fatores macroeconômicos sobre o volume arrecadado
- Destaques por categoria de tributo na arrecadação federal
- Efeitos das alterações legislativas e eventos não recorrentes
- Setores que limitaram o ritmo de crescimento
- Próximos números a serem divulgados pelo Fisco
Panorama da arrecadação federal em 2025
O desempenho anual reflete a soma dos valores obtidos com tributos administrados pelo Fisco — como Imposto de Renda sobre pessoas físicas e jurídicas, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), PIS/Cofins, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) — além de receitas que não passam diretamente pela Receita Federal, a exemplo de royalties do setor de energia e depósitos judiciais. Dentro desse universo, as chamadas “receitas administradas” totalizaram R$ 2,76 trilhões, quantia 4,27% superior em termos reais ao resultado de 2024.
Segundo o órgão, o resultado incorpora dois vetores principais: a expansão de variáveis macroeconômicas associadas à atividade interna e o efeito de mudanças legislativas que alteraram bases de cálculo ou alíquotas de impostos específicos ao longo do período analisado.
Desempenho de dezembro reforça tendência de alta na arrecadação federal
O último mês de 2025 fechou com recolhimento de R$ 292,72 bilhões, o que configura o melhor resultado para dezembro desde o início da série histórica. Ajustado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o valor equivale a avanço real de 7,46% sobre dezembro do ano anterior. A parte controlada pela Receita fechou o mesmo mês em R$ 285,21 bilhões, variação real positiva de 7,67%.
Apesar do desempenho expressivo, a Receita ressalta que a base de comparação mensal e anual contém distorções. Em 2024, houve recolhimento extraordinário de R$ 13 bilhões em Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) — rendimentos de capital provenientes da tributação de fundos exclusivos — e pagamento atípico de R$ 4 bilhões em IRPJ/CSLL. Em 2025, essas receitas não se repetiram ou foram menores, o que reduz o ponto de partida para análise de crescimento. Excluídos os efeitos não recorrentes, o avanço real acumulado de janeiro a dezembro subiria de 3,75% para 4,82%.
Impacto dos fatores macroeconômicos sobre o volume arrecadado
A atividade econômica deu sustentação ao resultado, principalmente via setor de serviços. Segundo a Receita, o volume de serviços prestados — que influencia diretamente a base de cálculo do PIS/Cofins e do Imposto de Renda incidente sobre lucro — cresceu 2,72% entre dezembro de 2024 e novembro de 2025. No mesmo intervalo, a produção industrial variou apenas 0,17%, sinalizando recuperação lenta do segmento manufatureiro.
O valor em dólar das importações aumentou 2,11%, fator que, combinado à depreciação cambial, elevou a arrecadação de tributos do comércio exterior. Já a massa salarial — indicador ligado às contribuições previdenciárias e ao Imposto de Renda das pessoas físicas — expandiu 10,9%, reforçando a base de receitas provenientes do mercado de trabalho.
Em sentido oposto, o volume de vendas de bens registrou leve recuo de 0,16%, sinalizando estabilidade do consumo de mercadorias e impacto limitado sobre tributações vinculadas ao varejo e à produção industrial.
Destaques por categoria de tributo na arrecadação federal
Entre os tributos que mais contribuíram para o recorde de 2025, o IOF aparece com variação real de 20,54%, totalizando R$ 86,48 bilhões no ano. O avanço está relacionado a operações de saída de moeda estrangeira, concessão de crédito a pessoas jurídicas e negociação de títulos ou valores mobiliários. Essas modalidades sofreram ajustes de alíquotas em junho de 2025, via Decreto 12.499/2025, posteriormente revogado, mas cujos efeitos alcançaram parte do período.
A arrecadação previdenciária alcançou R$ 737,57 bilhões, incremento real de 3,27%. O aumento acompanha a elevação da massa salarial, uma vez que as contribuições recaem sobre a folha de pagamento. Outro destaque envolve o PIS/Cofins, que somou R$ 581,95 bilhões, alta de 3,03%. O resultado recebeu impulso de duas frentes: desempenho das instituições financeiras e início da cobrança sobre serviços de apostas online, os chamados sites de “bets”.
No caso das apostas, o salto percentual supera 10.000%. A receita anual obtida com o segmento avançou de R$ 91 milhões em 2024 para quase R$ 10 bilhões em 2025, após sanção da lei que regulamentou a taxação sobre essa atividade em dezembro de 2023.
Tributos vinculados ao comércio exterior apresentaram expansão real de 9,49%, impulsionados pela combinação de taxa de câmbio mais alta e majoração de alíquotas médias. Já a rubrica “rendimentos de residentes no exterior”, composta por royalties, remuneração de trabalho e Juros sobre Capital Próprio (JCP) pagos a acionistas, cresceu 12,91% e surpreendeu positivamente o Fisco.
Efeitos das alterações legislativas e eventos não recorrentes
Além do decreto que elevou temporariamente a alíquota do IOF, outras mudanças legais interferiram na coleta de impostos. A lei sancionada em dezembro de 2023 que modificou a tributação de fundos de investimentos fechados e rendas recebidas no exterior produziu recolhimento extraordinário de R$ 13 bilhões em IRRF durante 2024, mas não gerou contrapartida em 2025. Sem esse movimento, a base de comparação anual ficou mais baixa, favorecendo percentual de crescimento no ano seguinte.
Também em 2024, pagamentos atípicos de IRPJ e CSLL somaram R$ 4 bilhões. Em 2025, esse tipo de recolhimento foi de R$ 3 bilhões. Quando o Fisco ajusta a série para remover influências pontuais desse tipo, o crescimento real da arrecadação administrada passa de 4,27% para 4,82%, o que reflete desempenho orgânico das receitas correntes.
Setores que limitaram o ritmo de crescimento
Apesar do recorde absoluto, o Fisco observa desaceleração em tributos ligados diretamente à indústria e às vendas de bens. A receita total de IRPJ/CSLL, que incide sobre lucros empresariais, avançou 1,27% em termos reais, indicando margem de lucro relativamente estável nas companhias. O mesmo percentual foi registrado pelo IPI, refletindo produção industrial praticamente estagnada no período.
A combinação de ligeira retração nas vendas de bens e crescimento modesto da manufatura sugere que o ganho de arrecadação em 2025 concentrou-se em serviços, setores financeiros e operações de crédito, enquanto a economia real ligada à produção de mercadorias contribuiu menos para o volume total.
Próximos números a serem divulgados pelo Fisco
O detalhamento dos resultados de janeiro de 2026 será o próximo dado esperado na agenda rotineira da Receita Federal, que divulga mensalmente os boletins de desempenho arrecadatório.

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