Alessandra dos Santos enfrenta processo judicial e dificuldades financeiras após amputação do braço: entenda o caso completo

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Alessandra dos Santos, passista reconhecida no carnaval do Rio de Janeiro e popularmente chamada de “Barbie do Samba”, tornou-se o centro de um debate sobre responsabilidades médicas e impactos socioeconômicos depois de ter parte do braço esquerdo amputado em 2023. A artista ajuizou uma ação contra o Estado na qual solicita indenização por danos morais e materiais, além de pensão vitalícia, alegando perda total de renda. O caso avança de forma lenta na Justiça, enquanto a dançarina depende do Benefício de Prestação Continuada (Loas) para sobreviver.
- Quem é Alessandra dos Santos e por que o caso ganhou repercussão
- A cirurgia que culminou na amputação do braço
- Impacto financeiro: de trancista a beneficiária do Loas
- Processo judicial: o que Alessandra dos Santos solicita ao Estado
- Situação do processo e posicionamento da Secretaria de Saúde
- Retorno à Sapucaí: superação física e continuidade artística
- Consequências sociais e próximo passo processual
Quem é Alessandra dos Santos e por que o caso ganhou repercussão
Alessandra dos Santos, figura cativa na Marquês de Sapucaí, integra filas de passistas desde a adolescência. Seu talento consolidou vínculo histórico com a Acadêmicos do Grande Rio, onde desfila anualmente, e com a Inocentes de Belford Roxo, escola que a acolheu aos 14 anos. A repercussão de seu drama se intensificou porque, além da carreira artística, ela mantinha renda como trancista, atividade manual inviável no momento. A amputação alterou drasticamente sua autonomia financeira, chamando atenção para os desafios enfrentados por profissionais informais e artistas quando submetidos a emergências de saúde.
A cirurgia que culminou na amputação do braço
Os problemas de saúde começaram quando Alessandra recebeu diagnóstico de miomatose uterina múltipla em atendimento no Hospital Estadual da Mulher Heloneida Studart. A condição motivou acompanhamento ambulatorial que evoluiu para indicação cirúrgica, em novembro de 2022, para retirada de 17 miomas. Após avaliação pré-operatória, transfusões de sangue e assinatura de termo de consentimento, a intervenção ocorreu em fevereiro de 2023. Complicações pós-operatórias, incluindo hemorragia intensa e choque hemorrágico, levaram à necessidade de nova cirurgia, histerectomia e uso de aminas vasoativas. Segundo relatório da Secretaria Estadual de Saúde, um possível efeito adverso desses medicamentos resultou em oclusão arterial no membro superior esquerdo, causando necrose e exigindo amputação parcial para preservar a vida da paciente. Após estabilização, ela foi transferida ao Instituto Estadual de Cardiologia Aloysio de Castro, especializado em cirurgia vascular, onde ocorreu o procedimento definitivo.
Impacto financeiro: de trancista a beneficiária do Loas
Antes da cirurgia, a renda de Alessandra dos Santos provinha de duas frentes: cachets de apresentações carnavalescas e serviços de tranças afro. Com a perda do membro superior e dormência nos dedos da mão direita, ela afirma não conseguir desempenhar a profissão manual. O orçamento da casa, que antes permitia pensar em reformas estruturais, passou a depender unicamente do Loas. O benefício, destinado a pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade, oferece salário mínimo mensual, valor que a passista alega não cobrir todas as despesas, especialmente as decorrentes de adaptações físicas e médicas. A dificuldade ressalta a frágil rede de proteção social de artistas que se sustentam majoritariamente via trabalhos temporários e informais.
Processo judicial: o que Alessandra dos Santos solicita ao Estado
A passista ajuizou ação de responsabilidade civil contra o Estado, sustentando que houve erro no atendimento hospitalar que desembocou na amputação. Os pedidos principais envolvem compensação financeira por danos morais, ressarcimento dos prejuízos materiais e pensão que garanta sustento futuro, argumentando incapacidade permanente para o ofício de trancista. A advogada Bianca Kald, representante legal da dançarina, explica que o processo encontra-se na fase de conhecimento, etapa inicial na qual são produzidas provas e colhidos depoimentos que subsidiarão julgamento. Em razão da morosidade típica da Justiça, não há prazo estabelecido para sentença.
Situação do processo e posicionamento da Secretaria de Saúde
Mesmo transcorridos quase três anos desde que Alessandra dos Santos deu entrada no sistema de saúde para a cirurgia uterina, o litígio permanece em estágio embrionário. A Secretaria Estadual de Saúde defende que todos os procedimentos médicos foram adequados à gravidade do quadro. Segundo sindicância da Fundação Saúde, tanto o Hospital da Mulher Heloneida Studart quanto o Hospital Estadual Carlos Chagas atuaram dentro dos protocolos assistenciais, realizando intervenções necessárias para salvar a vida da paciente. O órgão ressalta que a amputação foi recomendada apenas após tentativa de reversão do quadro vascular e com consentimento familiar.
Retorno à Sapucaí: superação física e continuidade artística
Apesar das limitações, Alessandra dos Santos pisou novamente na Marquês de Sapucaí em 2024. O retorno aconteceu um ano após a amputação, sinalizando resiliência e manutenção do laço afetivo com o carnaval. Na ocasião, ela desfilou como musa da Inocentes de Belford Roxo, escola onde iniciou trajetória. A reapresentação foi acompanhada de grande emoção, já que em determinado momento da recuperação a passista chegou a duvidar de sua capacidade de voltar a sambar. Para o carnaval deste ano, no entanto, ela optou por se ausentar dos desfiles da Grande Rio em razão de compromissos religiosos.
Consequências sociais e próximo passo processual
O caso de Alessandra dos Santos evidencia implicações sociais em torno de eventos médicos complexos. A longa tramitação processual reforça debates sobre acesso à Justiça e efetividade de políticas de reparação para pessoas que perdem capacidade laborativa. Enquanto o mérito não é julgado, a passista segue dependente do benefício assistencial. O andamento da ação aguarda conclusão da fase de produção de provas, quando laudos periciais devem determinar nexo causal entre complicações cirúrgicas e amputação. A decisão judicial, ainda sem data, será o próximo marco para definir se a dançarina terá direito a indenização ou pensão definitiva.

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