Abril repleto de arte: guia completo das exposições em São Paulo que estreiam neste mês
As exposições em São Paulo programadas para abril transformam museus, centros culturais e galerias da capital em verdadeiros laboratórios de memória, política, ancestralidade e movimento. De intervenções urbanas históricas a homenagens a grandes nomes do balé, o mês reúne mostras que dialogam com distintos públicos, sempre reforçando a vitalidade do circuito artístico paulistano.
- Panorama das exposições em São Paulo em abril
- Ditadura chilena em foco na mostra do Colectivo Acciones de Arte
- Cosmologias amazônicas ganham espaço nas exposições em São Paulo
- Trabalho urbano e reconhecimento social na obra de Allan Weber
- Formação artística e memória cultural permeiam outras exposições em São Paulo
- Próximas datas-chave para visitar as exposições em São Paulo
Panorama das exposições em São Paulo em abril
Quem planeja visitar a cidade ou já mora na capital encontra, a partir do início de abril, oito exibições inéditas ou recentemente inauguradas. Elas ocupam espaços que vão da avenida Paulista a bairros como Higienópolis, Pinheiros e Santa Ifigênia. A abrangência de curadorias e linguagens se manifesta em fotografias, esculturas, vídeos, instalações e documentos, compondo um mosaico que contempla:
Arte e política latino-americana, representadas pela retrospectiva do Colectivo Acciones de Arte (CADA) no Masp;
Cosmologias indígenas, expandidas nas produções de Denilson Baniwa e Santiago Yahuarcani;
Trabalho urbano contemporâneo, abordado por Allan Weber em sua primeira exposição institucional no país;
Processos de formação artística, destacados no diálogo entre a coleção do Museu de Arte Moderna e a Fundação Armando Alvares Penteado (Faap);
Releituras literárias, com a exposição que contrapõe Macunaíma a Duwid na Pinacoteca;
Dança clássica brasileira, celebrada pela Ocupação dedicada a Ana Botafogo no Itaú Cultural;
Reflexões sobre memória visual, exploradas na Sala de Vídeo do Masp com três obras de Oscar Muñoz.
Ditadura chilena em foco na mostra do Colectivo Acciones de Arte
Instalada no Masp entre 7 de abril e 2 de agosto, “Colectivo Acciones de Arte: Democracia Radical” recupera as ações performáticas realizadas no Chile entre 1979 e 1985. O grupo, ativo em plena ditadura militar, operava com intervenções relâmpago e, muitas vezes, anônimas para contornar a censura. O público paulistano poderá ver fotografias, filmes e documentos que registram essas iniciativas, dentre elas a conhecida ação “NO+”, cuja frase “Não mais” se espalhou pelos muros de Santiago, concluída livremente pelos cidadãos.
A mostra ocupa os horários tradicionais do museu, com acesso gratuito nas noites de terça e parte da sexta-feira. Ao inserir o Colectivo Acciones de Arte no circuito brasileiro, a curadoria evidencia como práticas artísticas podem se imbricar a movimentos de resistência política, uma discussão que continua atual em diferentes contextos latino-americanos.
Cosmologias amazônicas ganham espaço nas exposições em São Paulo
Dois artistas de origem indígena concentram a atenção de quem pesquisa arte ligada às florestas e aos povos originários. No espaço A Gentil Carioca São Paulo, a exposição “Denilson Baniwa: Yawara Akanga” abre em 8 de abril e permanece até 23 de maio. Reunindo 15 obras recentes, o percurso aprofunda investigações sobre a presença não indígena na região do rio Negro e na Amazônia. Criadas com pigmentos naturais, carvão e penas, as composições reorganizam imagens coloniais, cosmologias tradicionais e referências científicas para tensionar visões sobre o mundo contemporâneo.
Paralelamente, o Masp apresenta “Santiago Yahuarcani: o Princípio do Conhecimento”, primeira exposição individual do artista uitoto no Brasil, em cartaz de 2 de abril a 21 de junho. Distribuída em cinco núcleos, a seleção de 35 peças aborda temas como criação, trauma e resistência. Obras como “Lugar quente” — que exibe figuras humanas invertidas, perseguições e fogueiras — dialogam com narrativas de violência impostas a comunidades amazônicas situadas entre o sul da Colômbia e o norte do Peru.
Com estas duas mostras, o roteiro de exposições em São Paulo de abril oferece uma rara oportunidade de comparar discursos visuais que derivam de perspectivas indígenas distintas, mas convergem na crítica aos impactos coloniais e contemporâneos sobre a Amazônia.
No Instituto Tomie Ohtake, a exibição “Existe uma Vida Inteira que Tu Não Conhece” apresenta cerca de 40 trabalhos de Allan Weber, artista brasileiro que converte ruas, avenidas e rotas de entregadores em matéria-prima poética. Esculturas, fotografias, vídeos e instalações partem de materiais coletados na cidade — capacetes, embalagens, câmeras — para refletir sobre circulação, sobrevivência e visibilidade dos motoboys.
A mostra, em cartaz até 24 de maio, marca a primeira incursão do artista em um ambiente institucional brasileiro, consolidando uma trajetória que ganhou projeção nacional em 2025. Naquele ano, o rapper Oruam estampou a capa de uma revista segurando a obra de Weber em formato de fuzil confeccionado com câmeras fotográficas. A peça, agora acessível ao público paulista, permite discutir a intersecção entre arte, música e trabalho informal.
Formação artística e memória cultural permeiam outras exposições em São Paulo
A agenda de abril também contempla narrativas ligadas à educação, à história literária e à dança clássica. No MAB Faap, a coletiva “Faap na Coleção do MAM São Paulo: a Formação do Artista” reúne cerca de 160 obras de 85 nomes que, em diferentes momentos, estudaram ou lecionaram na fundação. Entre eles estão Vik Muniz, Leonilson, Nelson Leirner, Carmela Gross e Leda Catunda. O percurso, disponível até 28 de junho, investiga como ensino, prática e reconhecimento institucional se entrelaçam na construção de carreiras.
Na Pinacoteca, a exposição “Macunaíma é Duwid” propõe uma leitura crítica do clássico “Macunaíma — O Herói Sem Nenhum Caráter”, de Mário de Andrade. Reunindo 100 itens — entre pinturas, gravuras, esculturas e documentos —, a montagem aproxima o personagem modernista da figura indígena Duwid, difundida em cosmologias do Norte do Brasil. A visitação ocorre de quarta a segunda, com gratuidade aos sábados e no segundo domingo do mês.
O Itaú Cultural, por sua vez, inaugura a primeira Ocupação de 2026 em homenagem à bailarina Ana Botafogo. Ao longo de cinco décadas de carreira, a artista consolidou-se como primeira-bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e dedicou-se à difusão do balé no país. Fotografias, vídeos, figurinos e objetos de cena — cerca de 200 itens no total — estruturam o percurso expositivo, aberto até 21 de junho, com entrada sempre gratuita.
Completando o recorte de memória e imagem, a Sala de Vídeo do Masp exibe três obras do colombiano Oscar Muñoz entre 2 de abril e 21 de junho. Conhecido por problematizar a impermanência da imagem e da lembrança em contextos marcados por desaparecimentos, Muñoz utiliza água, pó de carvão e o próprio corpo para demonstrar a fragilidade dos registros visuais.
Próximas datas-chave para visitar as exposições em São Paulo
Para quem organiza o roteiro cultural, vale anotar os períodos de encerramento que se estendem até o meio do ano. As mostras de Santiago Yahuarcani, Oscar Muñoz e a homenagem a Ana Botafogo permanecem até 21 de junho, enquanto o diálogo entre o MAM e a Faap fica disponível até 28 de junho. Já a retrospectiva do Colectivo Acciones de Arte segue até 2 de agosto, posicionando-se como a exposição mais longeva da lista.
Com programações que abrangem manhã, tarde e noite — além de políticas de gratuidade em dias específicos —, o circuito de exposições em São Paulo em abril confirma a diversidade de temas, técnicas e trajetórias presentes na cena artística da cidade.
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