A Voz de Hind Rajab: filme tunisiano que expõe o horror em Gaza enfrenta resistência na corrida ao Oscar

A Voz de Hind Rajab: filme tunisiano que expõe o horror em Gaza enfrenta resistência na corrida ao Oscar
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A Voz de Hind Rajab ganhou projeção internacional ao transformar o registro sonoro do desespero de uma criança palestina em narrativa cinematográfica, foi consagrado no Festival de Veneza com o grande prêmio do júri e agora tenta ultrapassar barreiras políticas para conquistar a estatueta de filme internacional no Oscar.

Índice

A Voz de Hind Rajab e o percurso no Festival de Veneza

Apresentado em setembro, durante a edição mais recente do Festival de Veneza, o longa‐metragem da diretora tunisiana Kaouther Ben Hania entrou na disputa como favorito ao Leão de Ouro. A expectativa generalizada de vitória foi abalada quando o júri optou por entregar o reconhecimento máximo a “Pai Mãe Irmã Irmão”, produção do cineasta norte-americano Jim Jarmusch. A Voz de Hind Rajab acabou recebendo o segundo troféu de maior peso do evento, o grande prêmio do júri, decisão recebida com surpresa por parte da crítica e do público presentes.

A repercussão desse resultado levantou especulações sobre a influência do tema central da obra na decisão dos jurados. Ao tratar de forma direta o ataque a civis palestinos na Faixa de Gaza, o filme traz à tona um assunto que gera reações políticas intensas. Esse histórico em Veneza passou a fazer parte da trajetória da produção e definiu o clima de debate que acompanha a obra desde então.

A Voz de Hind Rajab no caminho ao Oscar

Depois de Veneza, o longa foi inscrito pela Tunísia para concorrer ao Oscar de melhor filme internacional. Na mesma categoria estão, entre outros candidatos, “O Agente Secreto”, do brasileiro Kleber Mendonça Filho. A corrida promete ser acirrada, especialmente porque A Voz de Hind Rajab adota posicionamento crítico às ações do governo de Israel em Gaza, tópico que, segundo observadores do mercado audiovisual, costuma encontrar resistência em parte do cenário hollywoodiano, onde organizações pró-Israel exercem influência tradicional.

A própria cineasta reconheceu a dificuldade de promover a obra entre os membros votantes da Academia. Mesmo assim, a produção recebeu apoio de nomes influentes do cinema estadunidense, como o ator Brad Pitt, que assumiu função de produtor-executivo após assistir ao material filmado. O engajamento dessas figuras funciona como força de contraponto ao ambiente potencialmente adverso, abastecendo a campanha de visibilidade e reforçando a relevância do projeto no circuito de premiações.

O horror real por trás de A Voz de Hind Rajab

O roteiro se ancora em episódio ocorrido em janeiro de 2024. Hind, menina palestina de cinco anos, ficou presa dentro de um automóvel alvejado por forças israelenses em Gaza. Cercada por destroços e sem familiares por perto, ela conseguiu avisar o Crescente Vermelho, entidade equivalente à Cruz Vermelha nos países de maioria muçulmana. Durante cerca de 70 minutos, paramédicos permaneceram na linha tentando acalmá-la enquanto buscavam autorização e condições de chegar ao local.

Esse áudio dramático circulou de forma viral nas redes sociais, transformando-se em símbolo da situação enfrentada por civis na região. A diretora enxergou nesse material a possibilidade de documentar, com fidelidade, a experiência de impotência vivida tanto pela criança quanto pelos socorristas. O arquivo original, portanto, tornou-se o ponto de partida da linguagem escolhida para o filme.

Estratégia narrativa de A Voz de Hind Rajab

Kaouther Ben Hania decidiu preservar trechos autênticos da ligação de Hind, exibindo no longa as gravações sem recorrer a reencenações da menina dentro do carro. A dramatização ocorre em ambiente recriado do escritório do Crescente Vermelho, onde atores palestinos interpretam os profissionais que receberam a chamada. Segundo a diretora, esse recorte enfatiza a impotência dos próprios paramédicos, cuja missão de salvar vidas esbarrou em barreiras logísticas impostas pela ocupação israelense, incluindo exigências consideradas por ela como “regras absurdas” para a liberação de uma ambulância.

Ao evitar escalar uma atriz infantil para repetir o diálogo original, a obra busca respeitar a memória da criança e impedir que a tragédia seja diluída em construção ficcional convencional. Desse modo, a voz registrada atua como prova documental e ancora a narrativa no campo da realidade, afastando a percepção de que se trata de suspense fictício. Para o espectador, o resultado é um lembrete constante de que os eventos mostrados não pertencem ao domínio imaginário, mas ocorreram em contexto de conflito real.

Produção acelerada e elenco palestino

A filmagem aconteceu em novembro de 2024, ao longo de três semanas, em estúdio localizado na Tunísia. Todo o elenco é composto por intérpretes palestinos, fator que, conforme a diretora, conferiu carga emocional adicional ao processo. Os atores traziam experiências pessoais relacionadas ao conflito e já conheciam o caso de Hind antes de entrar em cena. Como método de trabalho, Kaouther Ben Hania orientou que repetissem fielmente as falas originais registradas na ligação telefônica, permitindo que as reações individuais emergissem de forma espontânea durante as tomadas.

Na etapa de montagem, a diretora buscou equilíbrio entre os diferentes arcos emocionais capturados, compondo um filme que mescla documentação sonora e encenação minimalista. Ela descreve o resultado não como atuação tradicional, mas como experiência parcialmente catártica para o elenco, dado o peso simbólico do material retratado.

Agenda de estreia e classificação indicativa

A Voz de Hind Rajab está programado para chegar aos cinemas em sessão regular na quinta-feira, dia 29, com classificação indicativa de 14 anos. O elenco central reúne Amer Hlehel, Clara Khoury e Motaz Malhees. Produzido em parceria entre Tunísia e França, o longa integra o calendário de lançamentos de 2025. Até lá, a atenção permanece voltada ao anúncio dos indicados ao Oscar, etapa que definirá se o filme seguirá representando seu país na premiação norte-americana.

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