A Voz de Hind Rajab: filme recria resgate frustrado em Gaza e disputa vaga no Oscar

A Voz de Hind Rajab: filme recria resgate frustrado em Gaza e disputa vaga no Oscar
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A Voz de Hind Rajab chega aos cinemas com a proposta de transformar em narrativa audiovisual um dos episódios mais angustiantes do conflito em Gaza, ocorrido em 29 de janeiro de 2024. Dirigido e roteirizado pela tunisiana Kaouther Ben Hania, o longa-metragem combina reconstrução dramatizada e gravações reais para manter viva a memória do pedido de socorro de uma menina palestina de cinco anos, única sobrevivente em um carro alvejado por mais de 350 disparos.

Índice

A Voz de Hind Rajab e o ponto de partida da produção

O projeto nasce das conversas gravadas entre Hind Rajab e atendentes do Crescente Vermelho Palestino em Ramallah. Durante três horas e meia, a criança implorou por resgate enquanto permanecia ferida, dentro de um veículo cercado por tanques israelenses. A diretora opta por colocar esses áudios no centro da obra, empregando atores apenas para interpretar os quatro funcionários que tentaram organizar a operação de salvamento. Esse recurso híbrido — parte documentário, parte dramatização — sustenta o impacto emocional do espectador e evita a reconstrução visual dos eventos em Gaza, confiando no poder dos sons originais para transmitir urgência.

Linha cronológica do ataque retratado em A Voz de Hind Rajab

Na manhã de 29 de janeiro de 2024, Hind viajava com quatro primos e os tios para o norte da cidade de Gaza, seguindo orientações de evacuação das forças israelenses. O trajeto foi interrompido quando o automóvel da família Hamada foi atingido pelo primeiro disparo. Tios e três primos morreram imediatamente. Restaram Hind, de cinco anos, e a prima Layan, de quinze, que conseguiu contatar o serviço de emergência do Crescente Vermelho. A ligação durou menos de sessenta segundos: novo ataque atingiu o veículo e Layan perdeu a vida.

Com a linha restabelecida, a central de Ramallah conectou-se diretamente a Hind. Os registros mostram a menina relatando a presença de tanques israelenses, descrevendo o barulho de tiros e confirmando que sangrava. Ao longo de mais de três horas, atendentes como Rana e o coordenador Mahdi alternaram tentativas de conforto e procedimentos para obter autorização de deslocamento de uma ambulância que estava a oito minutos do local.

A Voz de Hind Rajab detalha o impasse entre a ambulância e as forças israelenses

Segundo o filme, os socorristas precisavam do chamado “sinal verde” das Forças de Defesa de Israel (IDF) para avançar sem risco de serem alvejados. Imagens exibidas na ficção mostram o coordenador explicando o protocolo enquanto apresenta fotografias de profissionais mortos em operações anteriores. O impasse se prolongou até que, horas depois, o sinal de permissão foi finalmente concedido.

Contudo, o resgate jamais se concretizou. Fotografias mostradas ao final do longa evidenciam o automóvel da família Hamada perfurado por centenas de tiros e a ambulância calcinada a cinquenta metros de distância, destruída por munição pesada disparada de tanques. Seis especialistas consultados pelo jornal norte-americano Washington Post concluíram que a destruição é compatível com armamento usado pelas forças israelenses.

A Voz de Hind Rajab: repercussão internacional e trajetória rumo ao Oscar

A Voz de Hind Rajab foi aplaudido por vinte e três minutos no Festival de Veneza, feito inédito na história do evento. O júri concedeu ao longa o Leão de Prata – Grande Prêmio do Júri, posicionando-o entre as obras mais elogiadas da mostra. O alcance global aumentou quando atores como Brad Pitt, Rooney Mara e Joaquin Phoenix, bem como os diretores Alfonso Cuarón e Jonathan Glazer, juntaram-se ao projeto na função de produtores-executivos.

O governo da Tunísia escolheu o trabalho de Ben Hania para representar o país na disputa por uma vaga ao Oscar de Melhor Filme Internacional, em campanha que o coloca frente a frente com “O Agente Secreto”. A decisão reforça o histórico da realizadora, conhecida por fundir ficção e realidade na exposição de dilemas sociais.

Números do conflito em Gaza ecoam no roteiro de A Voz de Hind Rajab

O pano de fundo do filme é a escalada bélica que se intensificou após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, responsáveis pela morte de mais de 1.200 israelenses. Dados do Ministério da Saúde de Gaza citados na produção indicam que, desde então, mais de 73 mil pessoas perderam a vida no território, incluindo mais de 20 mil crianças. Esses números sustentam o cenário de violência que contextualiza a história de Hind e explicam por que, apesar da comoção inicial, o caso foi suplantado por outros episódios do mesmo conflito.

Apuração externa confirma elementos retratados em A Voz de Hind Rajab

Após a divulgação do caso, o Washington Post publicou investigação que reuniu imagens de satélite, documentos militares e depoimentos de oficiais. O jornal identificou ao menos quatro tanques israelenses a trezentos metros do ponto onde o carro foi atingido. A apuração contradiz comunicado do IDF, segundo o qual não havia presença de tropas israelenses no raio de disparo. Um representante da divisão militar responsável por tráfego de ambulâncias declarou ao periódico ter repassado a aprovação de rota e autorização de deslocamento aos paramédicos, informação que também diverge da nota oficial.

Além disso, um relatório da Comissão Independente da ONU para Investigação no Território Palestino Ocupado, divulgado em setembro de 2025, afirma que as forças de segurança israelenses tinham conhecimento da presença de civis em rotas classificadas como seguras e, ainda assim, efetuaram disparos. O documento cita explicitamente o caso de Hind Rajab como exemplo dessa atuação.

Metodologia criativa de Kaouther Ben Hania se destaca em A Voz de Hind Rajab

A diretora tunisiana mescla interpretação e registro factual ao permitir que atores contracenem com a voz original de Hind. A estratégia preserva a autenticidade dos áudios, evita reencenar cenas de violência e concentra a atenção na dimensão humana da história. Em determinado momento, imagens captadas pela equipe de mídia do Crescente Vermelho são projetadas em um telefone celular dentro do set, conectando ficção e realidade em tempo real.

Ben Hania mantém foco nos operadores da central de Ramallah. Câmeras fixas observam as expressões de impotência enquanto tiros e explosões ecoam ao fundo das gravações. Essa solução, apoiada na ausência de imagens diretas da zona de combate, obriga o público a preencher visualmente o que acontece em Gaza, intensificando o efeito psicológico do relato.

A Voz de Hind Rajab e seu legado imediato

Com estreia oficial marcada para quinta-feira, 29, o filme entra em circuito comercial classificado para maiores de 14 anos. Seu desempenho na temporada de prêmios será acompanhado de perto, não apenas pela equipe de produção multinacional, mas também por organizações humanitárias que veem na obra uma peça central para manter a atenção da opinião pública sobre civis afetados pelo conflito. O próximo marco no calendário é a divulgação, pela Academia de Hollywood, da lista curta dos títulos que seguirão na corrida pelo Oscar de melhor filme internacional.

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