Viradouro leva Mestre Ciça ao Sambódromo: enredo inédito celebra 70 anos do mestre da bateria

Viradouro leva Mestre Ciça ao Sambódromo: enredo inédito celebra 70 anos do mestre da bateria
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Quando os primeiros toques de tamborim ecoarem no Sambódromo, em 16 de fevereiro, o público verá o nome Mestre Ciça transformar-se em pauta central do desfile da Unidos do Viradouro. A escola de Niterói escolheu como enredo “Pra cima, Ciça!”, uma reverência que sintetiza sete décadas de vida e quase quatro de atuação do mais longevo mestre de bateria em atividade no Carnaval carioca.

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Mestre Ciça: o homenageado que também será avaliado

Moacyr da Silva Pinto, nome de batismo de Mestre Ciça, completa 70 anos em julho. Ainda na condição de líder da bateria, ele será simultaneamente reverenciado e julgado pelos especialistas que avaliam o quesito percussão. O fato é inédito: a figura central do enredo permanece no chão, empunhando a batuta simbólica, em vez de aparecer num carro alegórico. Para o próprio mestre, trata-se de “um momento único”, pois o reconhecimento chega em vida, alinhado à mensagem do samba “Quando eu me chamar saudade”, de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, que pede flores antes que a saudade fale mais alto.

Trajetória de Mestre Ciça dentro e fora da Viradouro

O currículo que sustenta a homenagem começa em 1988, na Estácio de Sá, escola onde Mestre Ciça assumiu pela primeira vez a condução de uma bateria. Dali em diante, ele imprimiu seu estilo em outras agremiações do Grupo Especial, entre elas Unidos da Tijuca, Grande Rio e União da Ilha. A lista de conquistas soma quatro títulos de campeão: Estácio de Sá em 1992, Viradouro em 2020 e 2024, além da participação decisiva nas vitórias mais recentes da escola de Niterói. Conhecido pelas paradinhas milimetricamente ensaiadas, o mestre harmoniza inovação rítmica e disciplina, qualidades que mantêm sua batucada como referência para aproximadamente 120 mil espectadores que lotam as arquibancadas a cada noite de desfile.

O papel de Mestre Ciça no “coração rítmico” da escola

Na estrutura de uma escola de samba, a bateria recebe o epíteto de “coração” e “alma” do desfile. Cabe ao mestre preparar os arranjos, ensinar os percussionistas e liderar o conjunto de ritmistas que sustentam canto, dança e evolução. Mestre Ciça assume pessoalmente cada uma dessas etapas: define as cadências, supervisiona ensaios e executa as famosas pausas estratégicas — as paradinhas — que elevam o volume das arquibancadas. O ecossistema rítmico que ele criou para a Viradouro servirá de fio condutor narrativo do enredo de 2026, funcionando como trilha sonora viva da própria biografia do homenageado.

Construção do enredo “Pra cima, Ciça!” e participação dos compositores

A escolha do tema partiu de uma reviravolta interna. O carnavalesco Tarcísio Zanon afirmou que a direção artística avaliava outros roteiros, mas encontrou similitudes com projetos de escolas concorrentes. Diante do impasse, o presidente de honra Marcelo Calil Petrus, o Marcelinho, sugeriu colocar Mestre Ciça no centro da narrativa. A proposta deslanchou, e o departamento de pesquisa mergulhou na trajetória do mestre. Para transformar a história em samba, 12 compositores — Claudio Mattos, Renan Gemeo, Rodrigo Gêmeo, Lucas Neves, Rodrigo Rolla, Ronaldo Maiatto, Bertolo, Silvio Mesquita, Marcelo Adnet, Thiago Meiners, Anderson Lemos e Sandrinho — uniram forças. O resultado é um samba-enredo cujo refrão proclama: “Se eu for morrer de amor, que seja no samba / Sou Viradouro, onde a arte o consagrou / Não esperamos a saudade pra cantar / Do mestre dos mestres, herdei o tambor”.

Alas, componentes e a dimensão do espetáculo dedicado a Mestre Ciça

O desfile foi planejado para 23 alas e pode reunir até 3,5 mil componentes. Cada ala trará passagens da vida do mestre, desde a infância até as vitórias recentes. Elementos visuais deverão dialogar com o som criado por ele, reforçando a ideia de que o ritmo define a estética. A bateria, quesito oficialmente avaliado, desfilará no segundo dia de apresentações do Grupo Especial, segunda-feira, 16 de fevereiro. Nessa noite, a Viradouro dividirá a passarela com Mocidade Independente de Padre Miguel, Beija-Flor de Nilópolis e Unidos da Tijuca, entre outras.

A jornada de flores em vida: referência ao samba de Nelson Cavaquinho

O conceito de celebrar em vida inspira-se diretamente no verso “Me dê as flores em vida”, escrito por Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito e gravado por Nelson Gonçalves nos anos 1970. A letra serve de metáfora para a atitude da Viradouro: reconhecer as contribuições de Mestre Ciça enquanto ele continua ativo na função. Ao transportar a mensagem para o Sambódromo, a escola propõe que homenagens não se restrinjam a memórias póstumas, mas ocorram enquanto o artista ainda pulsa no compasso que ele mesmo criou.

Influência de Mestre Ciça nas vitórias recentes da Viradouro

O bicampeonato obtido pela escola em 2020 e 2024 conta com participação direta de Mestre Ciça. Em ambos os desfiles, o mestre comandou execuções precisas, marcadas por pausas dramáticas que ampliaram a interação com arquibancadas e jurados. A consistência fornecida pela batucada potencializou outros quesitos, como harmonia e evolução, repercutindo na pontuação final. Tal desempenho sustenta a expectativa de que o enredo de 2026 reforce a identidade sonora que se tornou assinatura da Viradouro ao longo da última década.

Calendário completo do Grupo Especial e posição da Viradouro

A organização dos desfiles do Grupo Especial distribui-se em três noites. No domingo, 15 de fevereiro, abrem a temporada Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Mangueira. Na segunda-feira, 16, a passarela recebe Mocidade Independente de Padre Miguel, Beija-Flor de Nilópolis, Unidos do Viradouro e Unidos da Tijuca. A terça-feira, 17, encerra o ciclo com Paraíso do Tuiuti, Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos do Grande Rio e Acadêmicos do Salgueiro. A posição da Viradouro, terceira escola da segunda noite, coloca o desfile em horário estratégico, quando arquibancadas e jurados ainda estão plenos de energia, fator que pode favorecer a recepção do enredo dedicado a Mestre Ciça.

Expectativa para o desfile e próximos passos

Com pesquisa concluída, samba escolhido e roteiro visual em desenvolvimento, a Viradouro mantém ensaios técnicos para calibrar a performance que será apresentada em 16 de fevereiro. A data marca a convergência de duas trajetórias: a da escola, que busca ampliar o número de títulos, e a de Mestre Ciça, que, aos 70 anos, conduzirá novamente o “coração rítmico” de milhares de foliões, agora embalado pelo próprio tributo que eterniza seu legado.

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