Versão babilônica da Arca de Noé revela truque divino

Versão babilônica da Arca de Noé revela truque divino

Versão babilônica da Arca de Noé revela truque divino domina uma tábua de argila de 3 mil anos que apresenta Utnapishtim, o “Noé” mesopotâmico, salvando a família e animais do dilúvio após um aviso do deus Ea.

Versão babilônica da Arca de Noé revela truque divino

Descoberta em 1872 pelo arqueólogo George Smith, a tábua integra o épico de Gilgamesh e descreve um dilúvio ordenado por Ea para destruir a humanidade. Diferentemente da narrativa bíblica, o deus mesopotâmico recorre a um artifício sonoro de nove linhas que, lido de forma ambígua, promete aos trabalhadores uma “chuva de alimento”, quando na verdade anuncia a catástrofe.

O historiador Martin Worthington, da Universidade de Cambridge, detalha o estratagema no livro “Duplicity in the Gilgamesh Flood”. Segundo ele, dois versos — ina šēr-kukkī e ina lilâti ušaznanakkunūši šamūt kibāti — podem ser entendidos como “bolos de mel ao amanhecer” ou “escuridão e chuva espessa como trigo”. A interpretação equivocada levou o povo a ajudar na construção da arca acreditando numa recompensa, evidenciando o controle de Ea sobre a linguagem.

Concluída a embarcação, Utnapishtim embarca com a esposa, família e um casal de cada espécie animal. Quando as águas descem, apenas eles permanecem vivos. Worthington sugere que essa manipulação pode ser o registro mais antigo de “fake news”, já que a informação foi deliberadamente distorcida para benefício divino.

A motivação também difere da tradição judaico-cristã: na Mesopotâmia, os deuses dependiam das oferendas humanas. Aniquilar toda a humanidade significaria sua própria fome, tornando necessário preservar ao menos um sobrevivente que garantisse sacrifícios futuros.

O episódio ressalta como a comunicação ambígua moldou ações coletivas desde as primeiras civilizações. Para o pesquisador, a lição ecoa nos dias atuais, lembrando que discursos aparentemente benéficos podem ocultar interesses particulares.

Se histórias antigas já expunham o poder da retórica, entender essas origens ajuda a decifrar estratégias modernas de persuasão e desinformação.

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Crédito da imagem: Jastrow / Wikimedia Commons

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