Venezuela possui maior reserva, mas detém menos de 1% do mercado mundial de petróleo

Venezuela possui maior reserva, mas detém menos de 1% do mercado mundial de petróleo

Um ataque dos Estados Unidos à Venezuela, país que concentra a maior reserva conhecida de óleo cru, provocou oscilações nas cotações de ouro, dólar e barris de petróleo. Apesar da reação imediata dos mercados, especialistas apontam que o mercado mundial de petróleo não depende, atualmente, do volume produzido pelos venezuelanos, que respondem por menos de 1% do total comercializado no planeta.

Índice

Volatilidade inicial e reflexos no mercado mundial de petróleo

Minutos depois da ação militar norte-americana, as bolsas de commodities registraram alta repentina nos contratos futuros de energia. A elevação, porém, foi atribuída pelo professor Alexandre Szklo, do Programa de Planejamento Energético da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a movimentos estritamente especulativos. Na avaliação do pesquisador, o susto dos investidores decorreu mais da incerteza geopolítica do que de qualquer ameaça real de ruptura de oferta, já que a fatia venezuelana no mercado mundial de petróleo é diminuta.

A interpretação explica por que, mesmo com a ameaça de prolongamento da crise, os preços voltaram a recuar após o pico inicial. Compradores perceberam que a disponibilidade global de barris, sustentada por outros grandes produtores, manteria a oferta em patamares confortáveis. Dessa forma, o desequilíbrio foi mais emocional do que estrutural, ilustrando a sensibilidade do setor energético a choques políticos, independentemente do volume efetivo envolvido.

Participação da Venezuela no mercado mundial de petróleo: menos de 1%

Segundo Szklo, dois fatores centrais mantêm o país abaixo da marca de 1% de participação no mercado mundial de petróleo. O primeiro é o conjunto de sanções impostas pelos Estados Unidos, que impede transações regulares com empresas e instituições financeiras do país sul-americano. O segundo diz respeito à natureza do óleo encontrado em território venezuelano: praticamente todo o produto é classificado como pesado ou extrapesado, exigindo refinarias com tecnologia específica, localizadas sobretudo no Golfo do México e no próprio território norte-americano.

Soma-se a essas restrições o fato de grande parte das jazidas estarem em áreas sem infraestrutura de extração plena. Mesmo possuindo reservas volumosas, o país não consegue converter o potencial em produção comercial significativa. Deste modo, a maior riqueza natural venezuelana permanece subterrânea, sem contribuir de maneira relevante para a matriz energética global.

Especificidades do óleo pesado venezuelano e seus efeitos no mercado mundial de petróleo

Óleos pesados apresentam alta densidade e elevado teor de enxofre. Antes de se tornarem gasolina, diesel ou querosene, demandam unidades de craqueamento e hidrodessulfurização, recursos técnicos indisponíveis nas refinarias convencionais. As plantas aptas a lidar com esse tipo de matéria-prima concentram-se em polos industriais de maior complexidade, como as margens do Golfo do México.

Quando as exportações venezuelanas fluíam com menos obstáculos, essas refinarias recebiam carregamentos provenientes do Caribe. Com as barreiras impostas por Washington, boa parte dessas instalações passou a buscar outros fornecedores capazes de entregar petróleo com propriedades similares, reduzindo ainda mais o espaço da Venezuela nos contratos internacionais. Assim, mesmo que a demanda por combustíveis continue crescente, o encaixe entre produto pesado e capacidade de processamento permanece limitado.

Fluxo de produção: do campo à bomba de combustível

Transformar petróleo bruto em produtos utilizáveis envolve uma cadeia extensa. O processo se inicia no planejamento, quando geólogos e engenheiros avaliam a viabilidade do campo. Na sequência, sondas perfuram o subsolo para confirmar parâmetros de pressão, profundidade e viscosidade. Depois vem a etapa de extração contínua, em que plataformas ou poços terrestres retiram o óleo e o direcionam a terminais de armazenamento.

A fase seguinte ocorre nas refinarias, onde o petróleo é aquecido e separado em frações por temperatura de ebulição. Unidades adicionais tratam contaminantes, aprimoram a qualidade e garantem que gasolina, óleo diesel, nafta ou asfalto sigam padrões específicos de segurança e desempenho. Por fim, redes de dutos, navios-petroleiros, caminhões e ferrovias distribuem os derivados para postos, aeroportos e indústrias.

No caso venezuelano, boa parte dessa malha encontra-se subaproveitada ou carece de modernização. A consequência é um volume reduzido de derivados disponíveis para exportação. Com menos barris alcançando terminais de embarque, o país oferece pouca margem para influenciar preços globais, mesmo em momentos de turbulência política.

Embargos, comércio clandestino e frotas fantasmas

Para contornar as sanções, alguns exportadores recorrem ao chamado comércio clandestino. A estratégia consiste em acionar frotas conhecidas como fantasmas, compostas por navios que navegam sem seguro convencional, utilizam registros opacos e desligam sistemas de rastreamento. Estimativas citadas pelo professor da Coppe/UFRJ indicam aproximadamente 300 petroleiros de grande porte operando nessa modalidade.

A ausência de cobertura securitária eleva o risco de desastre ambiental e financeiros. Caso ocorra vazamento ou colisão, os custos de contenção e indenização ficam indefinidos, comprometendo armadores, Estados costeiros e ecossistemas marinhos. Além disso, o prêmio de frete aumenta, já que armadores precisam compensar a exposição a penalidades e apreensões. Esse ambiente nebuloso reduz a previsibilidade e dificulta o cálculo de oferta real, mas não altera substancialmente a participação venezuelana nas estatísticas formais porque as cargas movimentadas fora dos radares não entram nos registros oficiais.

Mesmo no mercado paralelo, a capacidade de escoamento permanece inferior à escala necessária para mudar as curvas internacionais de oferta. Logo, a influência venezuelana segue limitada, ainda que embarques clandestinos ampliem os problemas de governança e segurança na navegação de hidrocarbonetos.

Em síntese, a articulação de sanções econômicas, limitações tecnológicas e redes clandestinas explica por que um país com a maior reserva comprovada do planeta contribui com parcela tão pequena para a energia global. Enquanto essas variáveis persistirem, especialistas não projetam aumento significativo da presença venezuelana no mercado mundial de petróleo.

Os reflexos mais imediatos permanecem circunscritos à volatilidade de preços observada após o ataque, sem perspectiva de alteração estrutural na matriz de abastecimento internacional.

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