Vendas de carros na China batem recorde em 2025: mais de um veículo por segundo e avanço dos elétricos

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vendas de carros na China estabeleceram um novo patamar em 2025 ao somarem 34,4 milhões de unidades ao longo dos doze meses. O volume, consolidado pela Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM), equivale a mais de um automóvel transacionado a cada segundo, refletindo um crescimento anual de 9,4 % e confirmando o país como maior mercado automotivo do planeta pelo 17.º ano consecutivo.
- Panorama macro das vendas de carros na China em 2025
- Cálculo do recorde: mais de um carro por segundo
- Eletrificação impulsiona as vendas de carros na China
- Modelos mais procurados pelo consumidor chinês
- China consolida liderança nas exportações automotivas
- Projeções da CAAM para 2026 mantêm otimismo
Panorama macro das vendas de carros na China em 2025
A performance de 2025 mantém a trajetória de expansão verificada na economia automotiva chinesa desde a virada da década passada. Os 34,4 milhões de unidades representam, por si, um volume superior à soma de diversos mercados nacionais de médio porte. O avanço de 9,4 % em relação a 2024 revela resiliência mesmo diante de oscilações macroeconômicas globais, gargalos logísticos e incertezas geopolíticas.
O rendimento expressivo sustenta o pódio chino pela 17.ª vez consecutiva e aprofunda a distância para o segundo colocado no ranking mundial. Além da absorção doméstica, a escalada recente reforça a capacidade do país de influenciar toda a cadeia de suprimentos automotiva, dos insumos metálicos às baterias de íon-lítio.
Cálculo do recorde: mais de um carro por segundo
Traduzir o total anual em escala temporal torna o marco ainda mais tangível. Um ano possui 31.536.000 segundos. Ao dividir os 34,4 milhões de veículos vendidos por esse número, chega-se a aproximadamente 1,09 carro a cada segundo. Dessa forma, o ritmo de movimento nas concessionárias e plataformas de venda online sustentou uma transação praticamente ininterrupta desde 1.º de janeiro até 31 de dezembro.
Internamente, esse dinamismo implica alta rotatividade de estoque, demanda robusta por financiamentos e volume considerável de emplacamentos junto às autoridades de trânsito. Para a rede de assistência técnica e peças, o reflexo é imediato, exigindo estrutura capaz de acompanhar a entrada massiva de novos proprietários na frota circulante.
Eletrificação impulsiona as vendas de carros na China
O principal motor desse recorde não queima gasolina. Segundo a CAAM, os chamados veículos de nova energia (NEVs) — categoria que reúne elétricos puros, híbridos plug-in e modelos com extensor de autonomia — foram responsáveis por 16,5 milhões de unidades, ou 47,9 % de todas as transações.
Comparado a 2024, o segmento de NEVs saltou 28,2 %, percentual que, isoladamente, supera o crescimento total do mercado. Na prática, a eletrificação deixou de ser fenômeno de nicho e tornou-se padrão de escolha para quase metade dos compradores chineses. Entre os fatores que favorecem tal adoção destacam-se:
• Infraestrutura de recarga: a malha de postos de carregamento rápidos e domésticos expandiu-se de forma agressiva, reduzindo a ansiedade de autonomia.
• Incentivos governamentais: subsídios, descontos em impostos e facilidades no licenciamento para elétricos diminuem o custo total de propriedade.
• Variedade de oferta: montadoras locais multiplicaram modelos em faixas de preço variadas, do microcarro urbano ao utilitário esportivo.
Ao centralizar grande parte da cadeia de baterias, a indústria nacional obteve economias de escala e dominou etapas críticas, tornando o preço dos elétricos domésticos mais competitivo que o de equivalentes a combustão em várias categorias.
Modelos mais procurados pelo consumidor chinês
O ranking de 2025 confirma a preferência pelas baterias. O Geely EX2 (denominado Xingyuan em algumas regiões) liderou as estatísticas com 465.775 emplacamentos. Na segunda posição, ficou o Wuling Hongguang Mini EV, microcarro já conhecido por seu valor acessível e dimensões compactas, totalizando 435.599 unidades. O Tesla Model Y encerrou o pódio com 425.337 exemplares.
Os três modelos compartilham características que ajudam a explicar o volume: versões elétricas puras, possibilidade de atualizações de software e reputação de baixo custo operacional. O desempenho desses veículos reforça o movimento de consumidores em direção a soluções de mobilidade menos poluentes e, simultaneamente, demonstra a capacidade das montadoras de atender a múltiplos perfis, do condutor urbano ao usuário familiar.
China consolida liderança nas exportações automotivas
Além do consumo interno, 2025 marcou a ascensão da China ao topo das exportações globais de veículos, ultrapassando o Japão. O país embarcou mais de 7 milhões de unidades para diversos destinos, resultado 21,1 % superior ao registrado no ano anterior. Dentro desse montante, 2,61 milhões correspondem a elétricos e híbridos, número que dobrou em relação a 2024.
Entre as fabricantes, a Chery liderou os envios internacionais com 1,34 milhão de carros, reforçando a estratégia de posicionar suas linhas de produção próximas a portos estratégicos e adotar acordos logísticos que reduzem custos de frete. A abrangência das exportações chinesas inclui mercados emergentes na Ásia, África e América Latina, além de fatias crescentes em países europeus que buscam acelerar a transição energética.
Para nações importadoras, o fluxo de produtos chineses amplia a oferta de veículos eletrificados de entrada, servindo como catalisador para metas de descarbonização. Por outro lado, concorrentes tradicionais monitoram o fenômeno com atenção, pois a competitividade de preços e tecnologia embarcada pressiona margens e força revisões de estratégia.
Projeções da CAAM para 2026 mantêm otimismo
As estimativas oficiais apontam continuidade da curva ascendente. Para 2026, a CAAM projeta que as vendas de carros na China atinjam 35 milhões de unidades, sendo 19 milhões classificadas como veículos de nova energia. Caso confirmadas, essas cifras elevarão a participação dos NEVs para patamar próximo de 54 %, consolidando a eletrificação como maioria do mercado.
Os fundamentos que dão suporte às projeções incluem evolução tecnológica de baterias — com perspectivas de densidade energética maior e tempos de recarga menores —, além de políticas públicas que mantêm o foco na redução de emissões. O ritmo de expansão da infraestrutura de carregamento também deve continuar, favorecendo não apenas grandes centros urbanos, mas cidades de médio porte e zonas rurais.
Nesse contexto, a indústria local prepara ampliação de capacidade fabril, diversificação de portfólio e integração vertical de insumos críticos. Paralelamente, governos regionais ajustam regulamentações para absorver o aumento de circulação de elétricos, contemplando desde padrões de segurança até gestão de reciclagem de baterias ao final do ciclo de vida.
O próximo dado relevante será a divulgação do balanço parcial de 2026, quando a CAAM informará se o mercado efetivamente ultrapassou a marca de 35 milhões de veículos totais prevista no cenário otimista.

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