Vendas de automóveis e comerciais leves devem avançar 3% em 2026, projeta Fenabrave

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Vendas de automóveis e comerciais leves devem ultrapassar 2,6 milhões de unidades em 2026, segundo estimativa da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), que projeta crescimento de aproximadamente 3% no licenciamento desses modelos no país.
- Panorama das vendas de automóveis e comerciais leves em 2026
- Desempenho do mercado em 2025 e comparação histórica
- Impacto das condições macroeconômicas nas vendas de automóveis e comerciais leves
- Projeções para caminhões, ônibus e demais segmentos
- Motocicletas impulsionam crescimento geral do setor
- Programas de incentivo e perspectivas finais para as vendas de automóveis e comerciais leves em 2026
Panorama das vendas de automóveis e comerciais leves em 2026
Para o ano corrente, a Fenabrave calcula que o segmento de carros de passeio e veículos comerciais leves, categoria que inclui picapes e furgões, terá um avanço moderado, mas consistente. O número absoluto esperado — pouco acima de 2,6 milhões de unidades — reflete um leve aquecimento do consumo, ainda que sob influência de condições macroeconômicas restritivas. Esse desempenho é relevante porque consolida dois exercícios consecutivos de evolução, sustentando a trajetória de recuperação iniciada no período anterior.
A taxa projetada de 3% embute variáveis como disponibilidade de crédito, renda das famílias e políticas de incentivo ao setor. Embora modesta, a expansão reforça a retomada progressiva depois da forte queda observada no início da década, quando a pandemia e a escassez de componentes eletrônicos impactaram a produção global. Em 2026, a expectativa é que tais gargalos produtivos estejam em grande parte equacionados, permitindo que a demanda represada volte gradualmente às concessionárias.
Desempenho do mercado em 2025 e comparação histórica
No exercício imediatamente anterior, 2025, foram comercializadas 2,5 milhões de unidades de automóveis e veículos comerciais leves. O resultado representou incremento de 2,58% sobre 2024, confirmando a reversão da tendência de retração registrada em anos recentes. Quando se observa a série histórica, o mercado ainda permanece distante do pico atingido em 2011, período em que 3,4 milhões de unidades desse mesmo grupo foram negociadas. Esse histórico evidencia o espaço existente para novas expansões caso o cenário econômico se torne mais favorável.
Ao se agregar caminhões e ônibus ao balanço, o total de veículos leves e pesados licenciados em 2025 alcançou 2,7 milhões de unidades, com variação positiva de 2,08%. A referência de 2011, quando o volume combinado desses segmentos chegou a 3,6 milhões de unidades, continua a servir de parâmetro para o potencial de demanda interna do país. A lacuna entre o desempenho atual e o recorde de 15 anos atrás revela que a recuperação, embora constante, ainda não devolveu o setor ao patamar mais elevado de seu histórico recente.
Impacto das condições macroeconômicas nas vendas de automóveis e comerciais leves
A Fenabrave atribui o ritmo moderado de crescimento a fatores macroeconômicos que restringem o poder de compra dos consumidores. O endividamento elevado das famílias limita a capacidade de assumir novos financiamentos, principal forma de aquisição de veículos no mercado brasileiro. Paralelamente, a manutenção dos juros em patamares superiores ao desejado reduz a atratividade de contratos de financiamento de longo prazo.
A federação avalia que a política monetária tem sido influenciada pela necessidade de manter a inflação sob controle, o que inibe cortes mais agressivos nas taxas básicas. Além disso, a entidade destaca o risco fiscal como um componente que afasta investidores e dificulta a formação de expectativas positivas de longo prazo. Esse contexto repercute diretamente no custo de capital das montadoras, no apetite das instituições financeiras para conceder crédito e, por consequência, na decisão de compra do consumidor final.
Mesmo diante dessas restrições, a projeção de alta de 3% em 2026 indica que há uma demanda latente no mercado, impulsionada por renovações de frota e pelo interesse crescente em modelos com maior eficiência energética. Contudo, para que o avanço se acelere é necessário que as variáveis macroeconômicas se tornem mais benignas, sobretudo nos campos do crédito e da renda disponível.
Projeções para caminhões, ônibus e demais segmentos
Considerando automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, a federação prevê que o volume total licenciado em 2026 se aproxime de 2,8 milhões de unidades, o que representaria aumento de 3,02% em relação ao ano anterior. Dentro desse conjunto, o desempenho dos caminhões ganha destaque. Após uma queda expressiva de 8,65% em 2025, causada pela dificuldade de acesso a crédito e pelo alto nível de endividamento de empresas do agronegócio, o segmento deve experimentar recuperação de cerca de 3% em 2026.
Duas variáveis sustentam essa virada. Primeiro, programas de incentivo como o Move Brasil ampliam o horizonte de financiamento para transportadoras interessadas na renovação de frota. Segundo, a necessidade estrutural de caminhões para escoar a produção industrial e agrícola permanece elevada: aproximadamente 65% de tudo que é produzido no país chega ao seu destino sobre rodas. Isso cria demanda contínua por veículos pesados, mesmo em ambientes econômicos desafiadores.
Quanto ao mercado de ônibus, as projeções estão incluídas no porcentual geral, mas não há destaque para variações expressivas. A demanda deve seguir padrões observados em anos anteriores, impulsionada por licitações de transporte urbano e aquisições pontuais de empresas privadas.
Motocicletas impulsionam crescimento geral do setor
Quando se ampliam as estatísticas para todos os tipos de veículos comercializados — automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos rodoviários e categorias diversas — a Fenabrave antevê incremento de 6,10% em 2026. O principal motor desse resultado é o segmento de motocicletas, cuja expansão estimada gira em torno de 10%. Esse desempenho superior deve-se a fatores como preço relativamente mais baixo, menor custo de manutenção e maior procura por soluções de mobilidade individual e de entrega rápida.
Em 2025, o conjunto de todos os segmentos já havia encerrado o exercício com crescimento de 8%, totalizando 5,1 milhões de unidades emplacadas. A performance das motos, naquele ano, foi decisiva para sustentar a média e, em muitos casos, compensar a retração dos caminhões. Diante da persistente demanda por serviços de entrega e do uso cada vez mais disseminado de aplicativos de transporte, a categoria continua a atrair compradores, colaboradores autônomos e pequenas empresas.
Programas de incentivo e perspectivas finais para as vendas de automóveis e comerciais leves em 2026
Os programas de financiamento direcionado, como o já citado Move Brasil, tendem a reduzir o impacto negativo dos juros altos sobre determinados segmentos, caso dos caminhões. Para automóveis e comerciais leves, as iniciativas de montadoras — que incluem bônus de fábrica, alongamento de prazos e redução temporária de taxas — podem ajudar a concretizar a meta de crescimento de 3% traçada pela Fenabrave.
Contudo, a federação alerta para a importância do equilíbrio fiscal e da queda sustentada da inflação como condições necessárias para uma aceleração mais vigorosa do setor. Sob esse prisma, o mercado monitorará de perto as decisões de política monetária e as discussões sobre o arcabouço fiscal ao longo de 2026. Até o momento, a expectativa de fechar o ano com mais de 2,6 milhões de automóveis e comerciais leves licenciados permanece como o cenário-base.
Se as variáveis macroeconômicas evoluírem de forma favorável, analistas da entidade enxergam espaço para que o segmento de caminhões alcance expansão de 5% a 6%, superando a projeção atual de 3,5%. A concretização desse cenário dependerá da combinação entre juros mais baixos, estabilidade fiscal e continuidade de programas de fomento ao crédito direcionado.
Por ora, a estimativa de 3% para as vendas de automóveis e comerciais leves em 2026, somada ao ganho de 6,10% projetado para o conjunto de todos os veículos, indica que o setor mantém trajetória de crescimento gradual, sustentado principalmente pela relevância logística do transporte rodoviário, responsável por movimentar cerca de 65% da produção nacional.

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