Veículos eletrificados batem recorde de 223,9 mil unidades vendidas em 2025 e avançam 26% no Brasil

O mercado brasileiro de veículos eletrificados encerrou o ano de 2025 em novo patamar histórico. Ao todo, foram emplacadas 223.912 unidades, volume que supera em 26% as 177.358 registradas em 2024 e estabelece o maior resultado anual já mensurado pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). A expansão ocorreu em ritmo dez vezes superior ao crescimento de 2,6% observado no conjunto das vendas de veículos leves, indicando que a eletromobilidade avança mesmo num cenário macroeconômico desafiador.

Índice

Mercado geral de veículos eletrificados em 2025

No recorte anual, o segmento respondeu por 9% de todos os automóveis e comerciais leves vendidos no país, participação que demonstra salto expressivo frente aos 7,1% do ano anterior. O desempenho inclui veículos 100% elétricos (BEV), híbridos plug-in (PHEV) e híbridos sem recarga externa (HEV e HEV Flex). Micro-híbridos (MHEV) são contabilizados à parte pela entidade.

Em dez anos, o setor saltou de 1.091 unidades em 2016 para mais de 223 mil em 2025, crescimento acumulado de 20.423%. Sob a ótica da oferta, os consumidores encontraram 400 modelos diferentes à venda ao longo do ano, número 26% superior aos 317 catálogos disponíveis em 2024. Esse aumento de variedade, somado a preços mais acessíveis e ao avanço da infraestrutura de recarga, foi decisivo para a ampliação do público interessado.

Dezembro impulsiona os veículos eletrificados com recorde mensal

O resultado de 2025 foi potencializado pelo desempenho de dezembro, considerado excepcional pelo setor. No último mês do ano ocorreram 33.905 emplacamentos, volume 60% maior que o de novembro (21.209) e 57% acima do de dezembro de 2024 (21.634). A marca representou a melhor performance mensal da série histórica, garantindo fatia de 13% sobre todos os veículos leves adquiridos no período.

O salto verificado em dezembro também reflete a crescente familiaridade do consumidor com a tecnologia e o reforço de campanhas promocionais de fim de ano. Com a maior participação mensal já vista, o ritmo de adoção dos eletrificados reforçou a tendência de consolidação do segmento, sustentando projeções de continuidade de expansão em 2026.

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Participação dos veículos eletrificados por tecnologia

Considerando apenas dezembro, 78% das vendas de eletrificados corresponderam a modelos plug-in (BEV e PHEV), totalizando 26.511 unidades. Dentro desse conjunto, os PHEV responderam por 14.961 emplacamentos (44% do resultado mensal), enquanto os BEV representaram 11.550 unidades (34%). Na comparação com novembro, os plug-in cresceram 56,5%, e em relação a dezembro de 2024 o avanço foi de 78%.

No acumulado do ano, os veículos elétricos plug-in somaram 181.542 unidades, equivalentes a 81% do mercado de eletrificados. Desse total, 101.364 foram PHEV, alta de 58% sobre 2024, enquanto os BEV atingiram 80.178, aumento de 30%. Já os híbridos sem recarga externa (HEV e HEV Flex) fecharam 2025 com 42.370 exemplares, participação de 19% e crescimento de 19% frente ao ano anterior.

Os micro-híbridos, contabilizados separadamente, avançaram de 16.185 unidades em 2024 para 61.340 em 2025, salto de 279% impulsionado pela chegada de novos modelos com sistemas de 12 V e 48 V.

Distribuição regional dos veículos eletrificados em 2025

A região Sudeste manteve a liderança, concentrando 103.964 unidades e 46,4% de todos os eletrificados emplacados no país. Embora continue na ponta, essa participação vem caindo — era de 52% em 2023 — indicando gradual interiorização da mobilidade elétrica. O Sul aparece em segundo com 40.085 veículos (17,9%), seguido pelo Nordeste, que consolidou a terceira posição ao somar 36.596 unidades (16,3%). Centro-Oeste e Norte responderam, respectivamente, por 33.964 (15,2%) e 9.303 (4,2%) emplacamentos.

Entre os estados, São Paulo liderou com 68.618 eletrificados vendidos, o equivalente a 30,6% do total. Na sequência surgem Distrito Federal (21.639; 9,7%), Minas Gerais (15.155; 6,8%), Rio de Janeiro (14.280; 6,4%) e Paraná (14.024; 6,3%). No ranking dos municípios, a capital paulista registrou 28.212 unidades (12,6%), Brasília reuniu 21.639 (9,7%), Belo Horizonte somou 9.372 (4,2%), Rio de Janeiro contabilizou 8.349 (3,7%) e Curitiba fechou o top-cinco com 6.488 (2,9%).

Oferta industrial e fatores que aceleram os veículos eletrificados

Além da expansão comercial, 2025 marcou o início da produção local de modelos 100% elétricos e híbridos plug-in. Entraram em operação as linhas da GWM em Iracemápolis (SP), da BYD em Camaçari (BA) e da Comexport no polo multimarcas de Horizonte (CE), que fabrica projetos da General Motors. A produção interna reduz custos logísticos, amplia a disponibilidade de peças e favorece programas de nacionalização de conteúdo, elementos que tendem a sustentar preços mais competitivos.

Outro fator importante foi a maior diversidade de versões em faixas de preço intermediárias. O aumento para 400 opções no portfólio facilitou que consumidores migrassem de carros a combustão tradicionais para soluções eletrificadas, incorporando benefícios de eficiência energética e menores emissões a um custo de aquisição menos distante dos veículos convencionais.

Comparação entre eletrificados e mercado total

Enquanto o mercado geral de veículos leves passou de 2.484.740 unidades para 2.549.517 entre 2024 e 2025, avanço de 64.777 unidades, os eletrificados adicionaram 46.554 novos emplacamentos no mesmo intervalo. Em outras palavras, pouco mais de 70% do crescimento do mercado geral veio do segmento de eletrificação, evidenciando o papel central que a categoria desempenha no dinamismo do setor automotivo nacional.

Com 13% de participação em dezembro e 9% no acumulado anual, a expectativa é que a curva de adoção mantenha trajetória ascendente nos próximos ciclos de vendas, especialmente diante do incremento da produção local, da ampliação da infraestrutura de recarga e do avanço regulatório em debates como incentivos fiscais e metas de emissões.

Detalhamento mês a mês de 2025 revela trajetória de consolidação

A análise mensal indica que janeiro iniciou o ano com pouco mais de 14 mil eletrificados, volume que cresceu de forma quase contínua até atingir o pico histórico de dezembro. Eventos como feirões, ajustes de preço após a entrada de novos competidores e maior disponibilidade de crédito para financiamentos contribuíram para sustentar a curva. Destaca-se ainda o salto entre o terceiro e o quarto trimestre, fase em que os primeiros veículos produzidos pelas novas fábricas nacionais chegaram à rede de concessionárias.

No último trimestre, a participação dos eletrificados superou barreiras simbólicas em alguns estados: Distrito Federal e Paraná ultrapassaram 15% de participação em outubro, enquanto São Paulo avançou para 12% em novembro antes de fechar dezembro já acima de 14%. Esses números indicam disseminação do interesse pelo país, com potencial para estimular políticas regionais de infraestrutura e incentivos.

Perspectivas para 2026 com base no desempenho dos veículos eletrificados em 2025

A soma de produção local, expansão de modelos e confiança do consumidor cria ambiente favorável para novos avanços em 2026. A continuidade da operação das linhas inauguradas em 2025 e o anúncio de projetos adicionais podem elevar o mix de peças produzidas internamente, reforçando o objetivo de reduzir custos. Paralelamente, o incremento na rede de carregadores rápidos em rodovias federais, previsto em cronogramas divulgados por concessionárias de energia, deve incentivar viagens de longa distância, ampliando ainda mais a atratividade dos veículos elétricos puros.

No calendário setorial, o próximo ponto de atenção será a divulgação dos números de janeiro de 2026, que indicarão se o patamar recorde alcançado em dezembro se converte em novo piso do mercado ou se ocorrerá ajuste sazonal no início do ano.

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