Vacinação contra dengue começa em Maranguape e Nova Lima com dose única do Instituto Butantan

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A vacinação contra dengue com o imunizante de dose única produzido pelo Instituto Butantan entrou em fase operacional nas cidades de Maranguape, no Ceará, e Nova Lima, em Minas Gerais, marcando o início de um estudo de campo que pretende medir a efetividade da nova vacina em ambientes urbanos reais.
- Vacinação contra dengue inicia em Maranguape e Nova Lima
- Distribuição das 204 mil doses e cronograma em Botucatu
- Metodologia de acompanhamento e segurança da vacinação contra dengue
- Perspectivas de produção em massa da vacina de dose única e da vacinação contra dengue
- Eficácia clínica e histórico de desenvolvimento do imunizante
- Orientações à população e continuidade das ações de prevenção
Vacinação contra dengue inicia em Maranguape e Nova Lima
O projeto-piloto foi estruturado para atender integralmente o público de 15 a 59 anos residente em três municípios brasileiros. Em Maranguape, no interior cearense, foram disponibilizadas 60,1 mil doses; em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, outras 64 mil. Esse montante cobre a totalidade da população-alvo dentro da faixa etária definida, permitindo avaliar o impacto de uma campanha de vacinação em massa em curto prazo.
A estratégia contempla a administração de uma única dose por pessoa, característica que diferencia o novo imunizante de outros em desenvolvimento e reduz barreiras logísticas, uma vez que elimina a necessidade de retorno para segunda aplicação. A rede de saúde local exige apenas documento oficial com foto, recomendando, ainda, a apresentação do Cartão SUS para agilizar o registro.
Distribuição das 204 mil doses e cronograma em Botucatu
No total, 204,1 mil doses foram enviadas às três cidades selecionadas. Além dos lotes destinados a Maranguape e Nova Lima, Botucatu, no interior de São Paulo, recebeu 80 mil unidades e inicia sua campanha de vacinação no domingo, 18. A execução simultânea em diferentes regiões pretende gerar dados comparativos sobre a circulação do vírus em contextos epidemiológicos distintos.
Com a vacinação concentrada no intervalo de poucos dias, os pesquisadores poderão acompanhar a curva de incidência de dengue desde o período pré-campanha, passando pelas primeiras semanas pós-imunização e se estendendo por todo um ciclo sazonal da doença. A duração prevista para o monitoramento é de 12 meses.
Metodologia de acompanhamento e segurança da vacinação contra dengue
Especialistas vinculados ao Ministério da Saúde e ao Instituto Butantan conduzirão análises periódicas para detectar possíveis casos de dengue entre vacinados e não vacinados dentro dos municípios. A metodologia replica o desenho já utilizado em 2021 na avaliação da vacina contra a covid-19 em Botucatu, quando se comprovou a redução expressiva de casos após intervenção em massa.
Além de medir a incidência da doença, a equipe acompanhará eventos adversos raros. Embora estudos clínicos tenham indicado perfil de segurança favorável, o acompanhamento pós-introdução em larga escala é considerado etapa crítica para confirmar a ausência de efeitos inesperados em populações heterogêneas. Os dados coletados serão consolidados em relatórios trimestrais e, ao final de um ano, formarão a base de decisão sobre a expansão nacional.
Perspectivas de produção em massa da vacina de dose única e da vacinação contra dengue
Se as evidências de campo confirmarem os resultados obtidos em ensaios clínicos, o Instituto Butantan planeja ampliar a fabricação do imunizante para atender todo o país. Até o momento, 1,3 milhão de doses já foram produzidas. O cronograma prevê nova remessa destinada a públicos prioritários, sobretudo profissionais da atenção primária, que deverão receber aproximadamente 1,1 milhão de doses no início de fevereiro.
O Ministério da Saúde projeta incremento gradual na oferta por meio de acordo de transferência de tecnologia entre o Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines. A expectativa é multiplicar a capacidade produtiva em até 30 vezes, permitindo campanha escalonada que começará por pessoas de 59 anos e avançará, gradualmente, até atingir o público de 15 anos.
Eficácia clínica e histórico de desenvolvimento do imunizante
Nos ensaios clínicos, a vacina apresentou eficácia global de 74 % na prevenção de dengue sintomática, além de redução de 91 % nos casos graves. Entre os voluntários vacinados, não houve necessidade de internação hospitalar atribuída à doença. Esses resultados destacam o potencial do imunizante para aliviar a pressão sobre serviços de saúde durante períodos de alta transmissão.
O desenvolvimento levou duas décadas e envolveu cooperação entre diversos centros de pesquisa nacionais, com apoio de especialistas estrangeiros. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social financiou etapas decisivas: R$ 32 milhões foram aportados em 2008 para pesquisa inicial, enquanto outros R$ 97 milhões, em 2017, viabilizaram a construção da fábrica. Até agora, o investimento totalizou R$ 305,5 milhões.
Orientações à população e continuidade das ações de prevenção
Apesar da introdução da vacina, autoridades municipais enfatizam que medidas de controle ao mosquito Aedes aegypti permanecem essenciais. A eliminação de criadouros, principalmente recipientes com água parada, segue como recomendação central para impedir a proliferação do vetor responsável não apenas pela dengue, mas também por zika e chikungunya.
A Secretaria de Saúde de Nova Lima reforça que a proteção proporcionada pela imunização não substitui cuidados coletivos, sobretudo em períodos chuvosos, quando a reprodução do mosquito costuma aumentar. Mesma orientação vale para Maranguape e Botucatu, cujas equipes de vigilância intensificam visitas domiciliares e campanhas educativas paralelas à aplicação das doses.
Com a fase-piloto em andamento e vacinação concentrada até o dia 18 em Botucatu, o próximo marco do cronograma é a aplicação das 1,1 milhão de doses destinadas aos profissionais da atenção primária no início de fevereiro.

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