Universal Commerce Protocol: o novo padrão do Google que integra compras com agentes de IA

Universal Commerce Protocol: o novo padrão do Google que integra compras com agentes de IA
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Universal Commerce Protocol (UCP) é a proposta do Google para criar um idioma único entre agentes de inteligência artificial, varejistas e provedores de pagamento, permitindo que todo o fluxo de compra – da busca ao suporte pós-venda – ocorra sem integrações específicas para cada plataforma.

Índice

Universal Commerce Protocol: definição e finalidade

Anunciado pelo Google como um padrão de código aberto, o Universal Commerce Protocol estabelece comandos e estruturas comuns que permitem a softwares baseados em IA trocarem informações comerciais de forma padronizada. Dessa maneira, uma única implementação possibilita que diferentes chatbots, aplicativos ou assistentes de voz descubram produtos, executem o checkout e acompanhem devoluções sem depender de ajustes individuais com cada loja ou sistema de pagamento.

O foco da empresa está na unificação de processos. Hoje, cada integração exige esforço bilateral: o fornecedor do agente adapta sua interface, o lojista cria conectores próprios e, em muitos casos, o provedor de pagamento precisa desenvolver módulos exclusivos. O UCP elimina esses ajustes caso a caso, pois todos passam a falar a mesma “língua” técnica.

Universal Commerce Protocol e o momento do comércio baseado em agentes

A escolha do timing reflete o avanço de uma tendência já quantificada pelo mercado. Segundo um relatório da consultoria McKinsey, o comércio mediado por agentes de IA pode movimentar entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões até 2030. O Google afirma que, sem padronização, esse crescimento seria limitado por barreiras técnicas: cada novo agente precisaria negociar integrações do zero, postergando a escala global da categoria. Ao publicar o UCP como open source, a empresa tenta criar a infraestrutura comum que faltava para viabilizar essa expansão.

Na prática, o protocolo se posiciona como uma camada de comunicação semelhante a outras padronizações que marcaram a internet comercial. Quando protocolos estão disponíveis de forma pública, várias companhias podem implementá-los sem royalties ou licenças restritivas, acelerando a adoção e estimulando a concorrência em serviços complementares.

Como o Universal Commerce Protocol funciona no fluxo de compra

O Google descreve o UCP como um conjunto de “primitivas funcionais” – instruções elementares que cobrem etapas como busca de inventário, verificação de preço, autenticação, métodos de envio, processamento de pagamento e administração de pós-venda. Um agente de IA que suporte o protocolo consegue:

• Solicitar catálogo de produtos de qualquer varejista compatível.
• Receber detalhes de disponibilidade, variantes, imposto e frete.
• Iniciar o checkout usando credenciais previamente salvas em carteiras digitais.
• Emitir solicitações de troca ou acompanhamento de entrega sem reconfigurações adicionais.

O primeiro ambiente a aplicar o padrão é o Gemini, família de apps e modelos de IA do Google. Usuários nos Estados Unidos poderão, durante uma pesquisa convencional, selecionar um item e finalizar o pagamento imediatamente, usando dados do Google Pay e endereço armazenado no Google Wallet. A empresa confirmou que o PayPal será incorporado como opção de faturamento em breve, adicionando flexibilidade ao conjunto de métodos suportados.

Impacto direto para consumidores e varejistas

Para o comprador, a principal mudança é a redução de etapas. Basta descrever o que procura – por exemplo, “fone de ouvido com cancelamento de ruído” – para o assistente listar opções, comparar preços e concluir a transação, tudo na mesma interface. Não há redirecionamento para sites externos nem obrigação de preencher formulários repetidos.

Os varejistas, por sua vez, ganham acesso imediato a novos canais. Depois de implementar o UCP, a loja passa a ser elegível para aparecer em qualquer serviço de IA que também adote o protocolo, ampliando audiência sem investir em integrações exclusivas. Outro efeito apontado pelo Google é a redução de abandonos de carrinho, já que o usuário não se dispersa ao trocar de aplicativo ou recomeçar cadastros.

Universal Commerce Protocol e o panorama competitivo

O lançamento do padrão coloca o Google em rota de colisão com outras empresas que buscam dominar o checkout dentro de assistentes de IA. Entre os movimentos observados:

OpenAI disponibilizou o Instant Checkout no ChatGPT e publicou o Agentic Commerce Protocol em conjunto com a Stripe.
Microsoft integrou recursos de pagamento ao Copilot a partir de parceria com o Shopify.
Perplexity firmou colaboração com o PayPal para viabilizar compras e reservas de viagem sem sair do chat.
Amazon apresentou o Shop Direct e o botão Buy for Me, que executa aquisições em sites de terceiros.

A existência de vários padrões pode fragmentar o mercado. Ao apostar em licença aberta e na força de sua base de usuários, o Google espera que o UCP se torne a referência dominante, repetindo a estratégia já aplicada em protocolos como AMP ou WebM.

Gemini Enterprise for Customer Experience: personalização no setor alimentício

Além da camada transacional, o Google anunciou o Gemini Enterprise for Customer Experience (CX), uma suíte de ferramentas que aprofunda a personalização do atendimento. Um caso citado envolve a rede de supermercados Kroger, que emprega algoritmos do Google para considerar restrições de tempo, planos de refeição e histórico de compra ao sugerir produtos. O sistema também cruza sensibilidades de preço e preferências de sabor, criando listas adaptadas a cada perfil.

Nesse cenário, o UCP funciona como o canal que faz o agente transformar recomendações em pedidos finalizados, reduzindo a distância entre inspiração e compra de víveres, itens de conveniência ou ingredientes específicos.

Publicidade nativa: Direct Offers dentro de conversas

O Google incluiu no pacote um mecanismo de publicidade transacional batizado de Direct Offers. A lógica é exibir incentivos no momento exato em que o usuário demonstra disposição de compra. Se alguém solicitar “tapete fácil de limpar”, a loja pode registrar, via UCP, um cupom de 20% aplicado de forma instantânea. Para o consumidor, o desconto surge como parte orgânica da recomendação; para o anunciante, converte intenção em venda com maior probabilidade.

Diferentemente de anúncios tradicionais, que redirecionam a pessoa para páginas externas, o Direct Offers mantém todo o fluxo no agente de IA. O modelo reforça a proposta do protocolo: minimizar atrito e maximizar conversão.

Próximos passos no ecossistema do Universal Commerce Protocol

No estágio inicial, o UCP será habilitado para varejistas baseados nos Estados Unidos. A ampliação territorial, segundo o Google, virá gradualmente conforme parceiros de pagamento adicionais forem integrados e à medida que a comunidade testar o padrão em diferentes cenários de escala. A expectativa é que novas demonstrações de uso ocorram antes do fim do ciclo comercial atual, quando o suporte ao PayPal estiver plenamente ativo.

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