UFPA concede diploma simbólico e resgata memória de estudante morto na ditadura

UFPA concede diploma simbólico e resgata memória de estudante morto na ditadura
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A Universidade Federal do Pará aprovou a emissão de um diploma simbólico para Cezar Morais Leite, estudante de Matemática assassinado dentro do campus de Belém em 1980, durante a ditadura cívico-militar brasileira. A decisão, oficializada pelo Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe), integra ações de justiça de transição ao reconhecer formalmente a violência de Estado que interrompeu a trajetória acadêmica do jovem aos 19 anos.

Índice

Diploma simbólico da UFPA formaliza reparação histórica

Ao optar pela concessão de um diploma simbólico, a UFPA busca reparar, ainda que de forma honorífica, a perda de um aluno vítima de perseguição política. O documento não equivale à outorga tradicional de grau, mas garante o registro institucional da vida de Cezar Morais Leite nos anais da universidade. A medida, aprovada em 2 de março pelo Consepe, será oficializada em cerimônia no campus de Belém, com presença da família, da comunidade acadêmica e de lideranças universitárias. A iniciativa também responde às orientações da Comissão Nacional da Verdade, que recomenda gestos de reconhecimento e memória às vítimas de regimes autoritários.

Quem foi Cezar Morais Leite, o estudante que receberá o diploma simbólico

Nascido em Belém em 1961, Cezar Morais Leite ingressou no bacharelado em Matemática da UFPA e cursava o terceiro semestre quando foi morto. Descrito por colegas como dedicado e participativo, o jovem frequentava a disciplina Estudos dos Problemas Brasileiros, componente curricular que, naquele período, costumava reunir debates sobre realidade social e política nacional. Com apenas 19 anos, Cezar via sua formação acadêmica como caminho para contribuir com o desenvolvimento científico da região Norte. Seu projeto de vida, no entanto, foi interrompido por um agente da repressão infiltrado no ambiente universitário.

Detalhes do assassinato dentro do campus e a reação da comunidade

O crime ocorreu em 10 de março de 1980, dentro de uma sala de aula no campus de Belém. Durante exposição da disciplina, um integrante dos órgãos de repressão, atuando como estudante infiltrado, disparou contra Cezar Morais Leite. O episódio marcou a universidade pela violência política explícita em um espaço destinado à livre discussão de ideias. Relatos da época apontam que o caso gerou clima de medo, silenciamento e reforço da presença militar no cotidiano acadêmico. Professores e estudantes que militavam por direitos civis e democracia passaram a ser alvo de vigilância constante, evidenciando o grau de intervenção do regime nas instituições de ensino superior.

Como o Consepe conduziu o processo que resultou no diploma simbólico

O parecer favorável à concessão do diploma simbólico foi elaborado pelo professor Edmar Tavares, que vivenciou os anos finais da ditadura dentro da UFPA e participou do movimento estudantil. O relator fundamentou o pedido em princípios da justiça de transição, que orienta sociedades democráticas a reconhecer e reparar violações de direitos humanos cometidas por regimes autoritários. O documento ainda citou recomendações da Comissão Nacional da Verdade que estimulam instituições públicas a adotar medidas simbólicas em memória das vítimas do aparato estatal. Após análise, o Consepe aprovou a proposta por unanimidade, consolidando o entendimento de que a universidade tem responsabilidade direta na preservação da memória histórica.

Diplomas simbólicos em outras universidades brasileiras

A decisão da UFPA soma-se a iniciativas semelhantes realizadas em diferentes regiões do país. A Universidade de São Paulo, a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade Federal de Alagoas e a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro já concederam diplomas ou honrarias a estudantes mortos ou desaparecidos durante a ditadura. Esses atos visam não apenas reparar individualmente cada vítima, mas também estabelecer um compromisso coletivo com a verdade e a democracia. Ao inserir-se nesse movimento nacional, a UFPA reforça o padrão de responsabilidade social das universidades públicas brasileiras no enfrentamento das violações do passado.

Justiça de transição e o papel das instituições de ensino

A justiça de transição compreende políticas destinadas a revelar a verdade sobre atos de exceção, preservar a memória das vítimas, reparar danos e impedir novas violações. No Brasil, esses pilares ganharam força a partir da Constituição de 1988 e, mais recentemente, com a instalação da Comissão Nacional da Verdade. Dentro desse processo, as universidades exercem papel estratégico por serem centros de produção de conhecimento e reflexão crítica. Ao conceder o diploma simbólico a Cezar Morais Leite, a UFPA reafirma o compromisso institucional com a democracia, a defesa dos direitos humanos e a formação cidadã de suas comunidades acadêmicas. Tais ações também contribuem para combater a naturalização da violência de Estado e para consolidar uma cultura de não repetição.

Cerimônia de entrega do diploma simbólico e próximos passos

Segundo a Reitoria, a solenidade de entrega do diploma simbólico será organizada no campus de Belém, em data a ser confirmada. Participarão familiares de Cezar Morais Leite, servidores, estudantes e representantes de entidades que atuam na defesa da memória. O evento deve incluir leitura de ata do Consepe, apresentação do histórico acadêmico do estudante e pronunciamentos institucionais que ressaltem a relevância do ato para a história da universidade e do país. Com a diplomação, o nome de Cezar passa a figurar oficialmente nos registros da instituição, transformando-se em referência permanente de resistência e de valorização da vida estudantil.

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