Turismo espacial: InterstellOr apresenta cápsula CYZ1 e confirma celebridade chinesa para voo suborbital

Turismo espacial: InterstellOr apresenta cápsula CYZ1 e confirma celebridade chinesa para voo suborbital
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O mercado de turismo espacial tem um novo candidato de peso. A startup chinesa InterstellOr tornou público, em 22 de janeiro, um protótipo em escala real de sua cápsula tripulada CYZ1 e realizou, no mesmo evento, um teste bem-sucedido do sistema de amortecimento de pouso. A iniciativa, que inclui a abertura de reservas antecipadas para voos suborbitais projetados para 2028, coloca a China na rota de um segmento que até agora vinha sendo dominado por companhias ocidentais como a Blue Origin.

Índice

Turismo espacial ganha novo concorrente na China

A apresentação da CYZ1 representa o primeiro passo visível de uma empresa chinesa rumo ao turismo espacial privado em escala comercial. Até então, a participação do país nesse nicho era restrita a iniciativas institucionais ou a projetos ainda em estágios preliminares. Com sede na China, a InterstellOr fixou a meta de realizar voos tripulados dentro de quatro anos, cronograma arrojado se comparado ao ciclo de desenvolvimento típico da indústria aeroespacial.

O anúncio chegou num momento estratégico. A Blue Origin, principal operadora atual de voos suborbitais comerciais, comunicou a suspensão de seu serviço New Shepard pelos próximos dois anos para concentrar recursos em contratos com a NASA associados ao programa Artemis. Esse hiato abre uma janela de oportunidade para novos players validarem suas tecnologias e conquistarem reservas, e a InterstellOr move-se para aproveitar o espaço deixado pelo concorrente.

Cápsula CYZ1: design, capacidade e metas de voo do turismo espacial

A cápsula ChuanYueZhe 1 (CYZ1) foi concebida para cruzar a Linha de Kármán, limite reconhecido de 100 quilômetros acima do nível do mar que marca o início do espaço. De acordo com a startup, os passageiros experimentarão alguns minutos de microgravidade antes de iniciar a descida e o pouso assistido por paraquedas e por um amortecedor de impacto recém-testado em demonstração pública.

O modelo apresentado é em escala real e destina-se a transportar turistas em missões suborbitais que combinam decolagem vertical, breve permanência acima da fronteira espacial e retorno controlado à superfície. Esse perfil copia, de modo geral, o desenho operacional do sistema New Shepard da Blue Origin, cuja cápsula também executa pouso em queda livre moderada, freada por paraquedas e retrofoguetes.

Para reservar um assento, o interessado precisa desembolsar um depósito de 10 % sobre o valor de aproximadamente três milhões de yuans—cerca de 430 mil dólares. O cronograma definitivo dependerá da campanha de ensaios de desenvolvimento e das certificações de segurança exigidas pelos órgãos competentes. A própria InterstellOr declara que a meta de primeiro voo tripulado em 2028 poderá ser ajustada conforme o andamento dos testes.

Celebridades a bordo: Johnny Huang impulsiona o turismo espacial chinês

Além da tecnologia, a InterstellOr investe em visibilidade. O ator chinês Johnny Huang Jingyu foi anunciado como passageiro 009, tornando-se o primeiro nome de grande projeção confirmado pela companhia. A presença de uma figura pública reproduz a estratégia adotada pela Blue Origin, que levou personalidades como Katy Perry em suas missões de demonstração e marketing.

Outro nome já divulgado pela empresa é o da poetisa sino-americana Lin Xiaoyan, que deve se tornar a primeira astronauta de origem chinesa residente no exterior a integrar o programa. Com esses anúncios, a startup busca gerar repercussão midiática, fomentar o interesse do público e validar a atratividade cultural do turismo espacial em um país onde a exploração civil do espaço ainda é recente.

Modelo de negócios inspirado na Blue Origin e panorama do turismo espacial global

A aproximação conceitual com a Blue Origin é evidente. Assim como a companhia fundada por Jeff Bezos, a InterstellOr aposta na reutilização parcial do veículo, em assentos para passageiros pagantes e em uma experiência curta, porém intensa, acima da atmosfera terrestre. Esse formato difere das missões orbitais ou das futuras viagens lunares em termos de custo, complexidade e tempo de duração, mas mantém o apelo de possibilitar que civis vejam a curvatura do planeta e flutuem em microgravidade.

No cenário internacional, a suspensão temporária dos voos do New Shepard, anunciada pela Blue Origin, provoca uma redistribuição pontual de demanda. A empresa norte-americana dedicará seus esforços ao desenvolvimento de sistemas de pouso lunar humano, cruciais para o cronograma da NASA. Até aqui, o New Shepard havia transportado turistas e celebridades ao limite do espaço desde 2021.

Com a pausa da concorrente ocidental, potenciais passageiros voltam os olhos para iniciativas emergentes. A InterstellOr tenta capitalizar esse vácuo, demonstrando prontidão técnica com o teste do amortecedor de pouso e reforçando seu posicionamento por meio da reserva antecipada de assentos. Ainda que o preço de 3 milhões de yuans seja comparável ao praticado pelos operadores norte-americanos, o mercado chinês tende a responder positivamente a uma opção nacional, fator que pode acelerar as adesões.

Corrida doméstica: outras startups chinesas disputam o turismo espacial

O surgimento da InterstellOr acirra a competição interna na China. Empresas como CAS Space, vinculada à Academia Chinesa de Ciências, e Deep Blue Aerospace também desenvolvem projetos de foguetes reutilizáveis e programas de turismo espacial. Embora cada companhia adote cronogramas e arquiteturas diferentes, todas compartilham o objetivo de colocar passageiros pagantes acima da Linha de Kármán na próxima década.

A CAS Space trabalha em um veículo suborbital que, segundo divulgações prévias, empregará tecnologia derivada de programas governamentais, enquanto a Deep Blue Aerospace foca em propulsores de combustível líquido recuperáveis por pouso vertical. Esse ambiente competitivo estimula avanços tecnológicos rápidos e pode consolidar o país como protagonista de uma indústria que, até recentemente, era dominada por Estados Unidos e algumas poucas nações europeias.

Para o consumidor final, a multiplicidade de ofertas tende a pressionar preços e ampliar a disponibilidade de voos, mas a prioridade imediata de todas as empresas permanece a certificação de segurança. Sem aprovação regulatória, nenhum lançamento comercial poderá ocorrer, e os cronogramas ambiciosos estão intrinsecamente ligados à obtenção de licenças e à conclusão de ensaios críticos de voo.

Próximos passos da InterstellOr e cronograma para o turismo espacial em 2028

Com o protótipo da CYZ1 apresentado e o sistema de amortecimento submetido a teste público, o foco da InterstellOr agora recai sobre as campanhas de qualificação estrutural, ensaios de voo não tripulado e validação de sistemas de emergência. Cada etapa bem-sucedida aproximará a empresa da meta de realizar lançamentos com passageiros em 2028.

Até lá, a companhia promete atualizar periodicamente os detentores de reservas sobre o progresso dos testes e sobre o calendário de missões. O próximo marco técnico esperado é a realização de um voo suborbital de demonstração sem tripulação, ensaio considerado decisivo para a obtenção de autorizações finais de lançamento.

Se o cronograma se mantiver, a InterstellOr terá a chance de inaugurar o turismo espacial privado na China num momento em que grandes nomes do setor, como a Blue Origin, direcionam esforços para empreitadas mais distantes, como o retorno à Lua. A convergência dessas estratégias pode redefinir o acesso comercial ao espaço nos próximos anos e determinar novas lideranças em um mercado global em rápida expansão.

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