Trump na Venezuela: Bernie Sanders e Kamala Harris condenam ataque dos EUA e criticam intervenção

Trump na Venezuela: Bernie Sanders e Kamala Harris condenam ataque dos EUA e criticam intervenção

O episódio mais recente envolvendo Trump na Venezuela gerou reações contundentes de duas figuras de destaque do Partido Democrata dos Estados Unidos: o senador Bernie Sanders e a ex-vice-presidente Kamala Harris. Ambos usaram as redes sociais para rechaçar o ataque militar ordenado pela Casa Branca contra o governo de Nicolás Maduro, classificando a ação como ilegal, perigosa para a estabilidade regional e motivada por interesses econômicos ligados ao petróleo.

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O que motivou a ofensiva de Trump na Venezuela

Na madrugada de sábado, 3 de janeiro, diversos bairros de Caracas registraram explosões desencadeadas por uma operação norte-americana. Tropas de elite norte-americanas capturaram o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e a primeira-dama, Cilia Flores, transferindo-os para Nova York. Washington alega que o mandatário lidera um cartel de narcóticos apelidado de “De Los Soles” e que, portanto, representaria ameaça à segurança dos EUA. A gestão Trump já havia oferecido recompensa de 50 milhões de dólares por informações que levassem à prisão de Maduro.

Além da acusação de tráfico, críticos apontam que o verdadeiro objetivo seria restringir a aproximação da Venezuela com rivais estratégicos de Washington, como China e Rússia, e assegurar controle sobre as maiores reservas de petróleo comprovadas do planeta. O episódio marca a primeira invasão direta dos Estados Unidos contra um país latino-americano desde a Operação Justa Causa, no Panamá, em 1989.

Reação de Bernie Sanders às ações de Trump na Venezuela

Bernie Sanders, senador independente que atua pelo Partido Democrata, publicou vídeo no qual qualificou o ataque como demonstração de desprezo pela Constituição dos EUA e pelo Estado de Direito. Para o parlamentar, o presidente norte-americano não possui autoridade para conduzir o país a uma guerra de forma unilateral, mesmo contra líderes considerados autocráticos. Sanders solicitou que o Congresso aprove rapidamente uma resolução sobre poderes de guerra, com o objetivo de cessar a operação, que descreveu como militarmente ilegal.

O senador argumentou que a investida não aumenta a segurança dos norte-americanos nem a tranquilidade internacional. Segundo ele, violações às normas internacionais encorajam outros governos a imitar a tática de interferir em nações soberanas visando recursos naturais ou mudanças de regime. Sanders destacou ainda que a administração Trump já havia sinalizado intenção de retomar a Doutrina Monroe, justificando domínio sobre assuntos do Hemisfério Ocidental. Ele mencionou falas anteriores de autoridades da Casa Branca sobre “controlar” as reservas de petróleo venezuelanas, qualificando a postura como prática imperialista com precedentes sombrios na história da América Latina.

Kamala Harris amplia críticas sobre Trump na Venezuela

A ex-vice-presidente Kamala Harris também se pronunciou por meio da plataforma X. Embora reconheça Maduro como “ditador brutal e ilegítimo”, Harris avaliou que a ofensiva norte-americana repete padrões de conflitos motivados por mudanças de regime ou pelo petróleo, que tendem a resultar em caos regional e custos humanos para famílias dos EUA. Para a democrata, o discurso oficial sobre combate ao narcotráfico ou defesa da democracia contrasta com decisões recentes de Trump, como o perdão a condenados por tráfico e o distanciamento de oposicionistas venezuelanos legítimos.

Harris enfatizou que a investida consome bilhões de dólares, expõe tropas norte-americanas e desestabiliza países vizinhos, sem apresentar base legal clara, plano de retirada ou benefícios concretos para a população dos Estados Unidos. Ao ver da ex-vice, o principal incentivo de Trump seria projetar-se como líder forte na região, reforçando a narrativa de poder diante do eleitorado interno.

Contexto histórico das intervenções norte-americanas na América Latina

A operação em Caracas reavivou debates sobre o histórico de intervenções dos Estados Unidos no subcontinente. Ao longo do século XX, Washington apoiou ou executou ações diretas que resultaram em deposições de governos, instalação de regimes favoráveis e controle de recursos estratégicos. A última invasão oficial antes da atual ocorreu em 1989, quando forças norte-americanas desembarcaram no Panamá, capturaram o então presidente Manuel Noriega e conduziram-no aos EUA sob acusação de narcotráfico.

Como ressaltado por críticos, essa tradição interfere na percepção de soberania dos países latino-americanos e reforça narrativas anti-estadunidenses. A menção à Doutrina Monroe — formulada em 1823 para afirmar que qualquer intervenção europeia no Hemisfério Ocidental seria vista como ato hostil — sugere, na avaliação de opositores, tentativa contemporânea de justificar influência política, econômica e militar de Washington na região.

Efeitos regionais e questionamentos legais da operação

Especialistas em direito internacional apontam falta de autorização do Congresso norte-americano para o uso da força, exigência prevista na Constituição dos EUA salvo em casos de legítima defesa ou emergência imediata. Não há, até o momento, pronunciamento do Conselho de Segurança da ONU legitimando a intervenção.

Governos da América Latina reagiram de forma diversa. Seis países — entre eles o Brasil — emitiram comunicado conjunto condenando o ataque. Manifestações populares tomaram as ruas de Caracas, denunciando violações de soberania. Analistas de segurança avaliam aumento do risco de escalada militar, dada a presença de aliados de Maduro em focos estratégicos e a possibilidade de retaliações assimétricas.

No panorama econômico, investidores monitoram possíveis interrupções no fornecimento de petróleo. A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas do mundo e, embora sua produção esteja abaixo da capacidade, o choque geopolítico pode pressionar os preços internacionais da commodity.

Próximos passos discutidos no Congresso dos EUA

Diante da pressão de Bernie Sanders e de outros parlamentares, a Câmara dos Representantes avalia submeter à votação uma resolução de poderes de guerra, instrumento legal que limita o alcance de operações militares presidenciais sem aprovação legislativa. Caso aprovada, a medida exigirá que o Executivo encerre ou reduza substancialmente a presença militar na Venezuela no prazo estipulado, salvo nova autorização expressa do Congresso.

Além disso, comissões de Relações Exteriores e de Serviços Armados devem convocar audiências para examinar estimativas de custo, impacto sobre tropas e metas estratégicas. Paralelamente, a Casa Branca enfrenta questionamentos sobre possíveis negociações com aliados de Maduro, tema mencionado por Harris ao citar marginalização da oposição venezuelana.

Enquanto o debate avança em Washington, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) programam encontros de emergência. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, participa nesta segunda-feira, 4 de janeiro, da reunião da Celac dedicada à crise, sinalizando tentativa de mediação diplomática no âmbito regional.

O próximo evento a ser monitorado é a sessão da Câmara norte-americana que analisará a resolução de poderes de guerra, prevista para ocorrer ainda nesta semana, etapa que pode definir a continuidade ou o encerramento da operação conduzida por Trump na Venezuela.

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