Tornado em São José dos Pinhais chega a 180 km/h e é classificado como F2 na Escala Fujita

Tornado em São José dos Pinhais chega a 180 km/h e é classificado como F2 na Escala Fujita
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O tornado em São José dos Pinhais, registrado no sábado, 10, atingiu velocidade estimada de 180 km/h e recebeu a categoria F2 na Escala Fujita, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). O fenômeno percorreu cerca de 1 km na Região Metropolitana de Curitiba, causando estragos pontuais, mas significativos, especialmente no bairro Guatupê.

Índice

Formação e classificação do tornado em São José dos Pinhais

O evento foi enquadrado como F2, faixa que compreende ventos entre 180 km/h e 220 km/h. A classificação deriva da avaliação de danos estruturais observados logo após a tempestade. Conforme o Simepar, o funil não manteve contato contínuo com o solo durante todo o deslocamento, característica comum em tornados de menor largura, mas de alta intensidade. A combinação de velocidade de vento elevada e percurso curto resultou em destruição pontual, típica de tornados classificados nessa categoria.

A Escala Fujita, empregada em todo o território nacional, varia de F0 a F5. Tornados F2, como o de São José dos Pinhais, são considerados “consideráveis” e costumam provocar queda de paredes, avarias severas em telhados e arrancamento de árvores de porte médio ou grande. Valores acima de F3 indicam potencial destrutivo ainda maior, mas não foram observados neste episódio.

Trajetória da célula de tempestade até a Região Metropolitana de Curitiba

A tempestade responsável pelo tornado em São José dos Pinhais teve origem no fim da tarde, nas proximidades de Almirante Tamandaré e Colombo. À medida que se deslocou em direção à capital paranaense, o sistema gerou rajadas próximas de 70 km/h e precipitação de granizo, derrubando 57 árvores em Curitiba. Depois de atravessar a cidade, a célula avançou para o município vizinho, onde ganhou condições para produzir o tornado.

Após atingir São José dos Pinhais, o núcleo convectivo seguiu rumo ao Litoral do estado. Regiões como Guaratuba e Matinhos registraram chuvas fortes, descargas elétricas frequentes e ventos intensos. O radar meteorológico capturou o momento exato em que o funil tocou o solo, ilustrando a rápida evolução da tempestade e a restrição espacial dos danos provocados.

Condições meteorológicas que favoreceram o fenômeno

A instabilidade observada no Paraná naquele sábado resultou da interação de três fatores essenciais: calor, umidade elevada e atuação de um sistema de baixa pressão que se formou entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul antes de avançar para o oceano. Essa área de baixa pressão alterou a circulação dos ventos em altitude, contribuindo para a ascensão rápida de ar úmido e quente, processo indispensável à formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical.

Além disso, a presença de um ciclone extratropical entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul intensificou o gradiente de pressão sobre a Região Sul. Embora o centro desse ciclone não tenha passado pelo Paraná, sua influência indirecta reforçou as linhas de instabilidade. Esse cenário meteorológico é comum no verão: pancadas de curta duração à tarde ou no início da noite, algumas vezes acompanhadas de granizo, rajadas fortes e alta incidência de raios.

Danos registrados e resposta das autoridades em São José dos Pinhais

No bairro Guatupê, a passagem do tornado em São José dos Pinhais danificou 350 residências, de acordo com a Defesa Civil Estadual. Entre os prejuízos relatados estão destelhamentos, colapso de muros e queda de pilares de uma empresa local. A rede elétrica também sofreu interrupções em pontos afetados pela derrubada de árvores.

Equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil distribuíram 92 lonas para cobrir casas avariadas e auxiliar famílias desalojadas. Duas delas precisaram ser realocadas temporariamente. A prefeitura informou que técnicos estão realizando vistorias estruturais para mensurar riscos e orientar reparos. Paralelamente, a concessionária de energia atua na recomposição de cabos e postes danificados.

Metodologia de avaliação: como a Escala Fujita classifica um tornado em São José dos Pinhais

A velocidade exata dos ventos de um tornado raramente é medida diretamente; por isso, meteorologistas analisam os danos deixados. Conforme o procedimento adotado, especialistas observam casas, galpões, árvores e postes afetados, comparando o grau de destruição com padrões definidos em cada nível da Escala Fujita. O critério básico é a estimativa de que a rajada extrema atuou por pelo menos três segundos.

Os intervalos de velocidade são delineados da seguinte forma: F0 (65 km/h a 116 km/h), F1 (116 km/h a 180 km/h), F2 (180 km/h a 253 km/h), F3 (253 km/h a 332 km/h), F4 (332 km/h a 418 km/h) e F5 (418 km/h a 511 km/h). No caso específico de São José dos Pinhais, a presença de muros desabados, telhados arrancados e árvores de médio porte tombadas sustentou a classificação F2.

Perspectivas para os próximos dias no Paraná

No domingo, 11, a área de baixa pressão responsável pela instabilidade deslocou-se para o oceano, mas a previsão indicou manutenção de condições favoráveis a temporais isolados em grande parte do estado. A atmosfera permaneceu aquecida e úmida, cenário que tipicamente provoca chuvas rápidas, porém intensas, durante o verão. Ventos fortes, descargas elétricas e possível queda de granizo continuaram no radar dos meteorologistas para o Leste paranaense.

Autoridades recomendam que a população acompanhe os avisos emitidos pelo Simepar e pela Defesa Civil, sobretudo em municípios que registraram danos recentes. Em caso de novo alerta, orienta-se procurar abrigo seguro, afastado de estruturas frágeis, árvores isoladas e cabos de energia.

Até a atualização mais recente, os serviços de emergência mantêm o monitoramento das áreas atingidas e a execução de reparos prioritários na rede elétrica e em edificações vulneráveis.

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