Torcidas organizadas são proibidas de entrar em estádios no Ceará: entenda a punição e o impacto nos próximos jogos

Torcidas organizadas são proibidas de entrar em estádios no Ceará: entenda a punição e o impacto nos próximos jogos
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Quatro torcidas organizadas estão oficialmente fora dos estádios cearenses pelos próximos cinco jogos. A medida, anunciada pelo Ministério Público do Ceará nesta terça-feira (10), responde aos confrontos violentos registrados no domingo (8) em diversos bairros de Fortaleza, poucas horas antes da partida entre Ceará e Fortaleza pelo Campeonato Cearense 2026. Na ocasião, mais de 350 pessoas foram capturadas, e com elas foram apreendidos paus, pedras, rojões, socos-ingleses e artefatos explosivos.

Índice

Como ocorreu a decisão de suspender as torcidas organizadas

A determinação partiu do Núcleo do Desporto e Defesa do Torcedor (Nudetor), braço do Ministério Público responsável por zelar pela segurança em eventos esportivos. Após analisar os relatos policiais e a gravidade dos atos praticados, o órgão optou por uma suspensão preventiva de cinco partidas, válida tanto para jogos em que o Ceará Sporting Club atue como mandante quanto para partidas do Fortaleza Esporte Clube. O objetivo declarado é evitar novos episódios de violência e proteger o público que frequenta as arenas esportivas.

Para viabilizar a execução imediata da sanção, o Ministério Público encaminhou ofícios à Federação Cearense de Futebol (FCF), ao Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol do Ceará (TJDF-CE), à Polícia Militar e aos próprios clubes envolvidos. Assim, todas as instâncias responsáveis pelo controle de acesso aos estádios foram formalmente notificadas a impedir a entrada dos integrantes dos grupos suspensos.

Quais torcidas organizadas foram atingidas

A suspensão recai sobre quatro agremiações de torcida:

1. Torcida Organizada do Ceará (TOC) – também conhecida no meio esportivo como Cearamor;
2. Movimento Organizado Força Independente (MOFI);
3. Bonde da Aliança;
4. Força da Galera.

Todos esses grupos foram identificados pela Polícia Militar nos tumultos do último fim de semana. A suspensão é coletiva: mesmo integrantes que não tenham sido detidos ficam impedidos de ingressar nos setores que ocupam habitualmente. Caso haja reincidência de condutas violentas, o Ministério Público sinalizou a possibilidade de aplicar sanções mais duras, incluindo banimento por tempo indeterminado.

Restrições impostas às torcidas organizadas durante a suspensão

Além de barrar a entrada dos associados, a decisão veda a exibição de faixas, bandeiras, camisas e qualquer símbolo que faça referência direta aos quatro grupos punidos. Também estão proibidos instrumentos musicais — como tambores e surdos — geralmente utilizados para incentivar as equipes nas arquibancadas. Segundo o Ministério Público, tais restrições buscam afastar o estímulo à aglomeração desses torcedores, reduzindo a probabilidade de novos confrontos em dias de jogo.

Os clubes Ceará e Fortaleza receberam a orientação de reforçar a vigilância interna, de modo a identificar eventuais tentativas de driblar a suspensão, e de cooperar com a Polícia Militar no controle das catracas e dos setores correspondentes. Embora a punição seja limitada a cinco partidas, o Ministério Público destacou em comunicado oficial que continuará monitorando o comportamento dos grupos para avaliar se haverá necessidade de prolongar ou agravar as medidas.

Prisões e medidas judiciais contra adultos e adolescentes

Os distúrbios do domingo resultaram em um total de 350 detenções, entre adultos e adolescentes. Segundo dados consolidados pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), 231 adultos tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça nas audiências realizadas entre segunda (9) e terça-feira (10). Outros 15 adultos foram liberados, sendo que 12 permanecerão submetidos a medidas cautelares, como a obrigação de comparecimento periódico ao juízo.

No âmbito da infância e juventude, 113 adolescentes foram apreendidos. Destes, 97 obtiveram liberação ainda na Delegacia da Criança e do Adolescente. Os 16 restantes foram apresentados à 5ª Vara da Infância e Juventude da Comarca de Fortaleza. O juízo aplicou liberdade assistida para 12 menores, liberou três sem restrições adicionais e determinou internação provisória para um adolescente.

O Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol do Ceará acompanha paralelamente os inquéritos, podendo instaurar processos que resultem em punições esportivas aos clubes, caso se comprove omissão de segurança nas partidas sob sua responsabilidade.

Investigação sobre ameaças de facção criminosa e renúncia de líderes

Em meio às repercussões dos confrontos, surgiu outro desdobramento: a circulação de mensagens atribuídas a uma facção criminosa que proibiria novos embates entre torcedores de Ceará e Fortaleza. O Ministério Público confirmou a abertura de investigação para apurar a veracidade das ordens e a eventual influência do grupo organizado sobre as torcidas.

Logo após a propagação das mensagens, dois nomes historicamente ligados às torcidas organizadas gravaram vídeos anunciando suas saídas. Weslley Paulo, conhecido como Dudu, declarou não ser mais líder da Torcida Organizada Cearamor (TOC), enquanto Anderson Xiboi comunicou seu afastamento da Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF). Até o momento, não há confirmação oficial de que as renúncias tenham relação direta com as supostas ameaças, mas o Ministério Público inclui essa possibilidade no rol de apurações.

A SSPDS informou que setores de inteligência da Polícia Civil acompanham todas as denúncias que chegam às autoridades, inclusive as mensagens que circulam em redes sociais. A secretaria reforçou que investiga possíveis ligações entre os autores dos confrontos, a facção mencionada e os líderes torcedores que deixaram seus cargos.

Próximos passos das autoridades cearenses

Nos cinco jogos subsequentes ao episódio de violência, a fiscalização será intensificada nas áreas internas e externas dos estádios, com reforço do efetivo da Polícia Militar e monitoramento por câmeras. A Federação Cearense de Futebol permanece obrigada a comunicar qualquer mudança na tabela que possa afetar a duração da suspensão, garantindo que as partidas consideradas sejam efetivamente cumpridas.

O Ministério Público ressalta que, caso novos incidentes ocorram durante o período de suspensão ou logo após seu término, poderá solicitar ao Judiciário a ampliação das penas, chegando até ao banimento definitivo das torcidas organizadas envolvidas. Enquanto isso, as investigações sobre as 350 pessoas detidas prosseguem, com o objetivo de individualizar as condutas e identificar eventuais mandantes ou fornecimento de armas improvisadas.

Sem previsão de alterações na punição até o momento, o próximo ponto de atenção será o calendário de jogos válidos pelo Campeonato Cearense 2026 que envolvam Ceará ou Fortaleza. A cada nova rodada, os órgãos de segurança devem reavaliar o efetivo empregado e a aplicação prática das restrições, mantendo em pauta o possível efeito pedagógico da suspensão sobre os torcedores.

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