Theatro Municipal de São Paulo: secretário nega crise e detalha impasses administrativos

Theatro Municipal de São Paulo: secretário nega crise e detalha impasses administrativos
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O Theatro Municipal de São Paulo, principal palco de ópera, música sinfônica e dança da capital, voltou ao centro do debate público após declarações do secretário municipal de Cultura, Totó Parente. Em pronunciamentos recentes, o gestor assegurou que não existe crise na instituição, apesar de reconhecer “desacertos administrativos” relacionados ao modelo de gestão e à recente suspensão de um edital que escolheria nova organização social para administrar o equipamento cultural.

Índice

Declaração oficial afasta a ideia de crise

Segundo Totó Parente, a percepção de colapso no Theatro Municipal de São Paulo seria fruto de disputas ideológicas que, nas palavras dele, se tornaram um “fla-flu” permanente no País. O secretário argumenta que indicadores objetivos apontam para um quadro de vitalidade. Ele cita, por exemplo, o número de 1,3 milhão de visitantes em programas de visita guiada no último ano e a ocupação próxima de 100% nos espetáculos da temporada. Esses dados, enfatiza, comprovariam que o teatro permanece em pleno funcionamento e com público fiel, ainda que existam ajustes administrativos em curso.

Lotação do Theatro Municipal de São Paulo contradiz rumores de crise

O teatro, que abriga corpos artísticos próprios e apresenta óperas, balés e concertos, registrou lotação quase integral em 2023. Esse índice é apresentado pela Secretaria da Cultura como evidência de que não houve recuo de público nem interrupção de atividades. As visitas guiadas, um dos programas de maior alcance popular, somaram mais de 1,3 milhão de participantes. Para a pasta, esses números confirmam que a relação entre a instituição e a plateia continua robusta, afastando a ideia de um cenário de abandono ou perda de relevância.

Contrato de gestão do Theatro Municipal de São Paulo: entenda o impasse

O debate sobre a administração do Theatro Municipal de São Paulo ganhou intensidade em setembro de 2023, quando o prefeito Ricardo Nunes solicitou à Fundação Theatro Municipal o rompimento do contrato com a organização social Sustenidos. A motivação do pedido foi uma postagem de um funcionário da OS que republicou vídeo classificando o militante norte-americano Charlie Kirk, falecido naquele mês, como nazista. O conteúdo da rede social gerou repercussão negativa entre vereadores aliados ao governo e resultou em pressões para troca da entidade gestora. Apesar da cobrança inicial, o governo decidiu não rescindir imediatamente o vínculo e optou por lançar um edital público que permitiria a entrada de nova organização social.

Tribunal de Contas suspende edital para nova gestão do Theatro Municipal de São Paulo

O edital de concessão, publicado no início de dezembro, previa contrato no valor de R$ 663 milhões. Poucas semanas depois, o Tribunal de Contas do Município suspendeu o processo, apontando falta de fundamentação técnica para o montante proposto e redução significativa de metas artísticas sem justificativa. Com a paralisação, a Fundação Theatro Municipal analisa os apontamentos do tribunal para definir os próximos passos. Até que haja solução, a Sustenidos permanece responsável pela gestão, mantendo o cronograma de espetáculos e ensaios.

Repercussões artísticas e políticas ao redor do teatro

Além do impasse contratual, o Theatro Municipal de São Paulo enfrentou episódios que chamaram atenção de público, crítica e legislativo. Entre eles, destacam-se vaias a uma encenação não tradicional da ópera “Macbeth”, protestos de integrantes dos corpos artísticos e o afastamento de um músico que criticou a programação. Vereadores de perfil conservador, próximos ao prefeito, também questionaram a Sustenidos por suposta “doutrinação ideológica”. Ao comentar as manifestações, Totó Parente disse considerar natural que parlamentares expressem a visão de seus eleitores, lembrando que já pertenceu a oposição e costumava “reclamar de tudo” quando ocupava cadeira na Câmara.

Polêmicas culturais além do teatro: cancelamento de show de Kanye West

Em novembro, a Secretaria de Cultura também se viu envolvida no cancelamento do show do rapper norte-americano Kanye West, que aconteceria no Autódromo de Interlagos. A Prefeitura justificou a desistência na cessão do espaço citando o histórico de declarações do artista, consideradas antissemitas, racistas e de exaltação ao nazismo, incluindo a faixa “Heil Hitler”, retirada de plataformas como YouTube e Spotify. Totó Parente afirmou que a decisão final não partiu da secretaria, mas reforçou que a legislação brasileira proíbe apologia ao nazismo. Conforme o gestor, a produção do evento enfrentava ainda dificuldades com patrocínio e venda de ingressos, situação contestada pelo empresário responsável, que assegura ter pago US$ 5 milhões de cachê e segue buscando alternativas para realizar o espetáculo.

Segurança patrimonial: roubo de Matisse e Portinari na Biblioteca Mário de Andrade

Outra questão sensível para a política cultural paulistana foi o furto de oito obras de Henri Matisse e cinco de Candido Portinari na Biblioteca Mário de Andrade, em um domingo pela manhã. As peças pertencem ao acervo municipal e estavam asseguradas. Totó Parente informou que todas as medidas cabíveis foram tomadas, incluindo acionar Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal e Interpol. O inquérito conduzido pela polícia estadual culminou no indiciamento de quatro pessoas, uma delas apontada como integrante do PCC. Apesar disso, o paradeiro das obras permanece desconhecido.

Planos de reforço na vigilância dos equipamentos culturais

A Secretaria de Cultura anunciou a modernização do sistema de câmeras da Biblioteca Mário de Andrade, do Centro Cultural São Paulo, do Theatro Municipal e do Centro Cultural da Juventude. A intenção é conectar os equipamentos ao programa municipal de videomonitoramento Smart Sampa e instalar câmeras com reconhecimento facial. Parente defende a medida como forma de elevar a segurança sem recorrer a vigilantes armados em espaços que recebem crianças e famílias. Segundo ele, instituições de referência internacional, a exemplo do Museu do Louvre, contam com forte aparato de proteção e mesmo assim já foram alvos de furtos, razão pela qual a prevenção deve ser aprimorada continuamente.

Reorganização interna e novas entregas anunciadas

A pasta também confirmou mudanças na direção da Biblioteca Mário de Andrade. Rodrigo Massi, então diretor e simultaneamente secretário-adjunto de Cultura, deixou o posto de chefia da biblioteca cerca de um mês após o roubo, sendo substituído por Luiza Helena Thesin, anteriormente supervisora de ação cultural. Parente classificou Massi como profissional de “altíssima qualidade” e afirmou que a alteração já estava planejada, portanto não ocorreu em resposta direta ao crime nem ao acúmulo de funções. Entre as iniciativas para 2024, o secretário destaca a construção de um espaço de 1.500 metros quadrados para servir de reserva técnica no Centro Cultural São Paulo, destinado a resguardar a coleção de arte municipal.

Com os dados de público robustos, o edital suspenso aguardando readequações e a promessa de novos investimentos em segurança e infraestrutura, a Secretaria de Cultura prossegue avaliando os apontamentos do Tribunal de Contas para retomar o processo de escolha da próxima organização social que assumirá a gestão do Theatro Municipal de São Paulo.

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