Temporal em MS supera média de chuva de fevereiro em apenas quatro dias e acende alerta em várias cidades

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O temporal em MS que se estende desde o dia 1º provocou, em apenas quatro jornadas, volumes de precipitação superiores à média de todo o mês de fevereiro em diversos pontos do Mato Grosso do Sul, gerando alagamentos, transbordamentos de rios e prejuízos à população urbana e rural.
- Volumes extremos marcam o temporal em MS já nos primeiros dias do mês
- Fatores meteorológicos que intensificam o temporal em MS
- Consequências do temporal em MS nas áreas rurais de Corguinho e São Gabriel do Oeste
- Impactos urbanos do temporal em MS: Campo Grande e Camapuã sentem os efeitos
- Rios sob observação e ameaças adicionais durante o temporal em MS
- Orientações da Defesa Civil durante o temporal em MS
- Perspectivas imediatas para as áreas afetadas pelo temporal em MS
Volumes extremos marcam o temporal em MS já nos primeiros dias do mês
Dados coletados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontam que as regiões centro-norte, leste e oeste concentram os maiores acumulados desde o início do evento pluviométrico. Entre 1º e 4 de fevereiro, São Gabriel do Oeste chegou a 417 mm, Corguinho a 390 mm e Coxim a 201 mm. Esses números já ultrapassam — em alguns casos mais do que o dobro — a climatologia esperada para todo o segundo mês do ano.
A relação das chuvas por município no período apresenta um retrato abrangente da situação:
• São Gabriel do Oeste: 417 mm
• Corguinho: 390 mm
• Coxim: 201 mm
• Camapuã: 187 mm
• Campo Grande: 184 mm
• Bandeirantes: 180 mm
• Aquidauana: 175 mm
• Bodoquena: 161 mm
• Rochedo: 147 mm
• Rio Brilhante: 124 mm
• Porto Murtinho: 119 mm
• Dois Irmãos do Buriti: 109 mm
• Ribas do Rio Pardo: 109 mm
• Paraíso das Águas: 107 mm
• Figueirão: 105 mm
A rápida elevação desses índices destaca a severidade do sistema convectivo que atua sobre o estado, com destaque para a zona centro-norte, onde os registros foram os mais expressivos.
Fatores meteorológicos que intensificam o temporal em MS
Especialistas atribuem o fenômeno a três fatores principais, todos típicos do verão no Centro-Oeste. Primeiro, há uma área de baixa pressão atmosférica posicionada sobre o Paraguai, favorecendo o surgimento de nuvens carregadas que avançam para território sul-mato-grossense. Em segundo lugar, o Jato de Baixos Níveis (JBN) transporta massa de ar quente e úmido para a região, alimentando a instabilidade. Por fim, o solo e a atmosfera já estavam saturados por semanas de umidade, o que reduziu a capacidade de infiltração da água e potencializou enxurradas e enchentes.
Historicamente, janeiro lidera o ranking de precipitação em Campo Grande, mas fevereiro ocupa a terceira posição. O comportamento deste início de mês, no entanto, foge do padrão ao concentrar, em apenas quatro dias, percentuais que superam a climatologia mensal em diferentes localidades.
Consequências do temporal em MS nas áreas rurais de Corguinho e São Gabriel do Oeste
Em Corguinho, o acumulado superou o total esperado para todo fevereiro já nos três primeiros dias. A prefeitura, chefiada por Márcio Novaes Pereira, decretou situação de emergência em todo o município. Relatórios da Defesa Civil apontam danos expressivos, sobretudo na zona rural. O rio Taboco transbordou, inundou residências, destruiu pontes e provocou estragos em estradas vicinais e na rodovia MS-352. Um dos casos mais críticos ocorreu na região homônima ao rio, onde a força da água levou uma ponte inteira, isolando comunidades.
São Gabriel do Oeste, com 417 mm em quatro dias, figura como o município mais afetado em números absolutos. Embora a cidade não tenha divulgado decreto formal, a marca evidencia a intensidade da precipitação local e mantém a população em estado de atenção permanente.
Impactos urbanos do temporal em MS: Campo Grande e Camapuã sentem os efeitos
Na capital, Campo Grande, o total de 184 mm já equivale a 56 % da média histórica de fevereiro. A infraestrutura urbana, formada por ruas, córregos e drenagens pluviais, opera no limite. A recomendação oficial é que moradores evitem áreas alagadas e consultem os boletins de aviso sempre que novas descargas atmosféricas forem registradas.
Camapuã registra 187 mm entre 1º e 3 de fevereiro, atingindo 74 % da média mensal em apenas três dias. A combinação de vias não pavimentadas na periferia e encostas suscetíveis à enxurrada amplia o risco de escorregamentos superficiais, motivo pelo qual o poder público orienta a população a reforçar a vigilância em pontos considerados vulneráveis.
Rios sob observação e ameaças adicionais durante o temporal em MS
No cenário hidrográfico, o rio Taquari atingiu a cota de inundação em Coxim. Conforme equipes de monitoramento locais, o nível elevado pressiona margens e coloca comunidades ribeirinhas em alerta, sobretudo aquelas situadas em várzeas. O histórico recente de transbordamentos nessa bacia reforça a relevância da medição contínua para tomada de decisões rápidas.
Além do Taquari, o Taboco, em Corguinho, mostrou potencial destrutivo ao arrastar pontes. Esses episódios evidenciam a correlação direta entre chuva intensa e resposta rápida dos cursos d’água, característica marcante das bacias de planalto do estado.
Orientações da Defesa Civil durante o temporal em MS
A Defesa Civil mantém alertas ativos para moradores de áreas de risco. As principais recomendações são evitar travessias em pontos alagados, não se abrigar sob árvores durante descargas elétricas e seguir instruções emergenciais caso haja necessidade de evacuação. Com o solo saturado e a instabilidade atmosférica persistente, novos episódios de chuva forte podem ocorrer em curto intervalo, elevando o potencial de danos.
Órgãos estaduais salientam a importância de acompanhar comunicados oficiais e de registrar ocorrências assim que identificadas, permitindo resposta mais ágil das equipes de resgate, infraestrutura e assistência social.
Perspectivas imediatas para as áreas afetadas pelo temporal em MS
Embora não haja previsão oficial divulgada de término do período chuvoso, a permanência dos sistemas que favorecem instabilidade indica que novos volumes expressivos podem se acumular ao longo da próxima semana. Em função disso, municípios que já decretaram ou avaliam decretar emergência mantêm equipes de campo mobilizadas para a verificação de pontes, rodovias e linhas de transmissão de energia.
Até que a condição atmosférica se estabilize, a indicação final das autoridades é manter vigilância sobre o nível dos rios, acompanhar os alertas emitidos pelo Inmet, pelo Cemaden e pela Defesa Civil, e adotar medidas de autoproteção diante de qualquer sinal de novo agravamento.

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