Temporada de eclipses: entenda por que eclipses solares e lunares ocorrem em pares e com datas já calculadas

Temporada de eclipses: entenda por que eclipses solares e lunares ocorrem em pares e com datas já calculadas
Getting your Trinity Audio player ready...

Temporada de eclipses é o termo que designa os curtos intervalos do ano em que o alinhamento entre Sol, Terra e Lua torna possível observar eclipses solares e lunares. Esses períodos, que se repetem em média a cada 173 dias, explicam por que tais fenômenos aparecem quase sempre em pares, separados por duas semanas, e por que não é viável testemunhar um eclipse todos os meses, apesar das fases regulares do satélite natural.

Índice

O que define uma temporada de eclipses

Para que um eclipse aconteça, três condições precisam ocorrer simultaneamente: o alinhamento geométrico entre os três corpos celestes (configuração chamada de syzygy), a presença da Lua nova ou da Lua cheia e a proximidade do alinhamento com o plano orbital da Terra, conhecido como eclíptica. A conjunção desses requisitos só se verifica dentro de janelas que duram de 31 a 37 dias, nomeadas de temporadas de eclipses. Fora desse intervalo, a geometria orbital impede qualquer sobreposição completa de sombras.

Como nasce uma temporada de eclipses

A peça-chave na formação de cada temporada de eclipses são os chamados nós lunares – dois pontos invisíveis onde a órbita inclinada da Lua cruza a eclíptica. Quando o Sol, no seu percurso anual, se aproxima de um desses nós, inicia-se a janela de cerca de um mês em que os eclipses tornam-se possíveis. A contagem encerra-se assim que o Sol se afasta do nó, restaurando a configuração geométrica que impossibilita novos eclipses até a próxima passagem.

Os cálculos astronômicos indicam que esses nós não permanecem fixos: eles se deslocam lentamente para oeste, a uma taxa de pouco mais de 19 graus por ano. Esse movimento regressivo acarreta um adiantamento de aproximadamente 19 dias no início das temporadas de um ano para outro, justificando por que as datas nunca coincidem exatamente de um calendário ao seguinte.

A geometria orbital que rege cada temporada de eclipses

Embora a Lua complete uma volta em torno da Terra a cada 29,5 dias, a inclinação de cerca de cinco graus de sua órbita em relação à eclíptica faz com que, na maioria dos meses, a Lua nova passe levemente acima ou abaixo do disco solar e a Lua cheia cruze ligeiramente acima ou abaixo da sombra terrestre. Dessa forma, mesmo com a repetição regular das fases lunares, o alinhamento perfeito que provoca um eclipse só ocorre quando o satélite cruza a eclíptica justamente nos instantes de Lua nova ou Lua cheia, situação restrita às temporadas já mencionadas.

Quando essa coincidência se dá com a Lua nova, a sombra projetada pelo satélite pode alcançar a superfície terrestre, originando um eclipse solar. Se, na mesma janela, a Lua cheia transpõe o nó oposto, a Terra interpõe-se entre Sol e Lua, mergulhando o satélite total ou parcialmente em sua própria sombra e produzindo um eclipse lunar.

Por que os eclipses surgem em pares durante a temporada de eclipses

A relação de 14 a 15 dias entre Lua nova e Lua cheia garante que, uma vez aberta a temporada, pelo menos dois eclipses ocorram praticamente de forma inevitável. O primeiro – solar ou lunar – desponta logo após a Lua atingir a fase adequada sobre um dos nós. Duas semanas mais tarde, quando a fase lunar oposta coincide com a travessia do nó situado a 180 graus, acontece o segundo eclipse. Raramente, o posicionamento do tempo e da geometria orbital admite um terceiro evento dentro da mesma temporada, mas o cenário padrão envolve apenas dois fenômenos.

Tipos de eclipses possíveis em uma mesma temporada

A variedade de eclipses que pode emergir em uma única temporada depende de quão perto, em latitude, a Lua cruza a eclíptica. Se a interseção for central, gera-se um eclipse solar total ou um eclipse lunar total. Caso o cruzamento ocorra um pouco deslocado, produzem-se eclipses parciais ou, no caso solar, um eclipse anular, quando a Lua encontra-se distante o suficiente da Terra para não cobrir completamente o disco solar, deixando exposto um aro luminoso conhecido como “anel de fogo”.

Próximas temporadas de eclipses: o que esperar em 2026

Os cálculos publicados por agências espaciais indicam que em 2026 ocorrerão duas temporadas de eclipses. A primeira começa em 17 de fevereiro e termina em 3 de março. Nesse espaço de 15 dias, o calendário astronômico prevê dois eventos:

Eclipse solar anular – 17 de fevereiro de 2026: a Lua encobrirá 96% do Sol, deixando visível um círculo luminoso por até dois minutos e 20 segundos. A totalidade do anel restringir-se-á a uma pequena fração da Antártida, enquanto regiões do sudeste africano, porções da América do Sul e outras áreas do extremo sul do planeta experimentarão fases parciais.

Eclipse lunar total – 3 de março de 2026: exatamente 14 dias depois, a Lua mergulhará inteiramente na sombra umbral da Terra por 58 minutos e 18 segundos. Observadores da Ásia Oriental, da Austrália, do Oceano Pacífico e da costa oeste da América do Norte estarão melhor posicionados para perceber a coloração avermelhada que o satélite adquire durante a totalidade.

A segunda temporada do ano, considerada a mais espetacular, ocorre em agosto. Ela trará novamente um par de eclipses, desta vez invertendo a ordem dos fenômenos:

Eclipse solar total – 12 de agosto de 2026: a faixa de totalidade percorrerá Groenlândia, Islândia e norte da Espanha. Nessa rota estreita, o dia se transformará em noite por alguns minutos, permitindo a visualização da coroa solar a olho nu. Um eclipse parcial será perceptível em boa parte da Europa, norte da África e Atlântico Norte.

Eclipse lunar parcial – 28 de agosto de 2026: pouco mais de duas semanas depois, a sombra da Terra avançará sobre parte da superfície lunar. Ainda que não cubra completamente o disco do satélite, o fenômeno deverá ser visível em grandes extensões das Américas, Europa e África, revelando o escurecimento gradual característico de um eclipse parcial.

Impacto do deslocamento dos nós lunares nas temporadas futuras

O movimento retrógrado dos nós lunares tem efeitos cumulativos de longo prazo. Além de antecipar as temporadas anualmente, ele altera gradualmente as regiões da Terra favorecidas pela totalidade de um eclipse solar ou pela visibilidade plena de um eclipse lunar. Esse deslocamento suave, porém contínuo, faz com que, ao longo de um ciclo de aproximadamente 18 anos – o chamado ciclo de Saros –, séries inteiras de eclipses apresentem características parecidas e percorram faixas geográficas progressivamente diferentes.

Entidades de referência na previsão das temporadas de eclipses

Órgãos como a NASA, observatórios nacionais e portais especializados em astronomia utilizam modelos matemáticos precisos para calcular com décadas de antecedência as datas, os horários, as latitudes e os tipos de eclipse que compõem cada temporada de eclipses. Tais previsões são continuamente refinadas a partir de medições obtidas por satélites, missões de espaço profundo e redes terrestres de telescópios, garantindo ao público cronogramas confiáveis para planejar observações, viagens ou pesquisas científicas.

A próxima data de interesse para quem acompanha os fenômenos será, portanto, 17 de fevereiro de 2026, abertura da primeira temporada do biênio, quando a Lua formará um anel luminoso ao encobrir quase todo o Sol na Antártida.

zairasilva

Olá! Eu sou a Zaira Silva — apaixonada por marketing digital, criação de conteúdo e tudo que envolve compartilhar conhecimento de forma simples e acessível. Gosto de transformar temas complexos em conteúdos claros, úteis e bem organizados. Se você também acredita no poder da informação bem feita, estamos no mesmo caminho. ✨📚No tempo livre, Zaira gosta de viajar e fotografar paisagens urbanas e naturais, combinando sua curiosidade tecnológica com um olhar artístico. Acompanhe suas publicações para se manter atualizado com insights práticos e interessantes sobre o mundo da tecnologia.

Conteúdo Relacionado

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Go up

Usamos cookies para garantir que oferecemos a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você está satisfeito com ele. OK