Suspeito preso em Salvador lança luz sobre morte do coreógrafo e expõe etapas da investigação

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A morte do coreógrafo Jhonata Carlos Gonzaga Estrela Gomes, de 36 anos, continua a repercutir em Salvador após a prisão de um homem suspeito de envolvimento no crime, detido no mesmo bairro de Itapuã onde a execução ocorreu três dias antes.
- O que se sabe sobre a morte do coreógrafo até agora
- Quem é o suspeito preso e quais crimes são atribuídos
- Como a polícia estrutura a investigação da morte do coreógrafo
- O perfil de Jhonata Gomes e sua relevância comunitária
- Reação de familiares, amigos e autoridades após a morte do coreógrafo
- Detalhes sobre os crimes atribuídos ao suspeito
- Caminhos para a elucidação e próximos passos do inquérito
- Dimensão cultural do assassinato para o movimento junino
- Conclusão factual provisória
O que se sabe sobre a morte do coreógrafo até agora
Na noite de sexta-feira, 7, Jhonata Gomes foi surpreendido dentro da própria residência, em Itapuã, quando homens armados arrombaram o imóvel. A esposa conseguiu escapar pela janela, mas o coreógrafo, que tentou a mesma rota de fuga, foi alcançado no corredor externo e morto a tiros. Os responsáveis deixaram o local imediatamente, sem levar pertences, característica que reforça a hipótese de execução. Ainda não há definição oficial sobre a motivação, e a polícia investiga se o crime pode estar relacionado a retaliação, engano ou outro fator não divulgado.
Quem é o suspeito preso e quais crimes são atribuídos
O homem capturado na segunda-feira, 9, teve a identidade preservada pelas autoridades. Conforme registro policial, ele foi autuado por resistência, supressão ou alteração de marca e numeração de arma de fogo, além de corrupção de menor de 18 anos. Essas tipificações não incluem, por ora, o homicídio, pois a investigação busca comprovar o grau de participação do detido na morte do coreógrafo. Após a prisão, o suspeito foi encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde permanece custodiado, à disposição da Justiça.
Como a polícia estrutura a investigação da morte do coreógrafo
A 1ª Delegacia de Homicídios (DH/Atlântico) assumiu o caso e conduz diligências para definir a motivação, identificar mandantes e localizar demais envolvidos. As equipes recolheram imagens de câmeras de segurança, ouviram familiares e vizinhos e analisam balística das armas apreendidas. A prisão do suspeito, embora relevante, é tratada como etapa inicial; os investigadores buscam elucidar se houve orquestração maior e se o crime se relaciona a conflitos externos à vida pessoal da vítima.
O perfil de Jhonata Gomes e sua relevância comunitária
Conhecido como Jhon, o coreógrafo era natural do bairro de Pero Vaz, onde desde criança participava da quadrilha junina mirim Germe da Era, projetada por sua família como ferramenta de inclusão social. Ao longo de décadas, o grupo se consolidou no calendário cultural da capital baiana, acolhendo crianças e adolescentes em atividades de dança, música e disciplina artística.
Paralelamente às atividades culturais, Jhon trabalhava como porteiro em uma escola de Itapuã e complementava a renda atuando como motorista de aplicativo. Pessoas próximas descrevem uma rotina de dupla jornada: expediente escolar durante o dia e ensaios nas noites, reforçando o comprometimento com o projeto comunitário. Nenhum registro de envolvimento com a criminalidade pesa contra ele, segundo familiares.
A importância de Jhon se manifesta em relatos de alunos que aprenderam a primeira coreografia sob sua orientação e em depoimentos de pais que viram melhorias no desempenho escolar dos filhos após ingressarem na quadrilha. Em junho passado, a filha do coreógrafo, de 10 anos, ganhou destaque ao narrar o enredo do grupo em pleno São João, fato lembrado por autoridades estaduais nas redes sociais.
Reação de familiares, amigos e autoridades após a morte do coreógrafo
O corpo do artista foi sepultado na manhã de sábado, 7, no Cemitério Quinta dos Lázaros, sob forte comoção. Integrantes de diversas quadrilhas juninas, líderes comunitários e parlamentares estaduais participaram da despedida, reforçando cobranças por respostas rápidas. A presença de faixas e cartazes com pedidos de justiça marcou a cerimônia, simbolizando pressão popular por esclarecimento.
Entre as manifestações públicas, a deputada estadual Olivia Santana destacou o legado de Jhon na formação cultural de crianças da Liberdade e de Pero Vaz. Segundo ela, a morte interrompe um trabalho social reconhecido pelo impacto direto em comunidades vulneráveis de Salvador.
Detalhes sobre os crimes atribuídos ao suspeito
Os artigos de resistência e supressão ou alteração de sinal identificador de arma de fogo sugerem que o detido tentou dificultar a ação policial e possuía armamento adulterado, indício relevante para a linha investigativa. Já a corrupção de menor de 18 anos indica possível participação de adolescente ou criança nas circunstâncias analisadas. Esses elementos podem conduzir a penas autônomas, independentemente da comprovação de envolvimento direto no homicídio.
Caminhos para a elucidação e próximos passos do inquérito
Com o suspeito à disposição da Justiça, a polícia pretende confrontar depoimentos, laudos periciais e possíveis confissões. As autoridades também esperam resultados de exames de DNA em vestígios encontrados na cena do crime, que podem associar o detido ou outras pessoas à execução. Registradores de chamadas e triangulação de antenas de telefonia estão sendo examinados para rastrear movimentações antes e depois da morte do coreógrafo.
Embora o inquérito prossiga sob sigilo, fontes revelam que os investigadores consideram três hipóteses principais: retaliação por desentendimento recente, engano de identidade e crime de mando externo ao convívio social de Jhon. Nenhuma delas, contudo, está confirmada, e a equipe trabalha para reunir provas robustas antes de pedir a prisão preventiva ou denunciar formalmente os eventuais executores.
Dimensão cultural do assassinato para o movimento junino
A cultura de quadrilhas juninas em Salvador vai além do entretenimento sazonal. Para muitos bairros, representa pertencimento e oportunidade de formação artística. O assassinato de um de seus principais coreógrafos gera temor de que projetos sociais sofram retração, sobretudo por falta de liderança. A quadrilha mirim Germe da Era já anunciou a suspensão temporária dos ensaios e planeja homenagear Jhonata em sua próxima apresentação oficial.
Entidades culturais locais articulam pedidos de apoio governamental para garantir a continuidade das atividades. Há receio de que o episódio desestimule voluntários e financistas. A comoção reforça a urgência de políticas públicas de proteção a lideranças comunitárias e artistas populares.
Conclusão factual provisória
A prisão do suspeito em Itapuã constitui o desenvolvimento mais recente da investigação sobre a morte do coreógrafo Jhonata Gomes. Enquanto a 1ª Delegacia de Homicídios avança em buscas por motivação e outros envolvidos, familiares e comunidade seguem acompanhando cada atualização oficial, aguardando possíveis novas detenções ou a formalização de denúncia ao Ministério Público.

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