Suspeita de meningite tipo B em criança no Espírito Santo: entenda riscos, sintomas e protocolos de prevenção

Suspeita de meningite tipo B em criança no Espírito Santo: entenda riscos, sintomas e protocolos de prevenção
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A Secretaria de Saúde do Espírito Santo (Sesa) investiga um caso suspeito de meningite tipo B em uma criança de três anos internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), em Vila Velha, na Grande Vitória. A paciente permanece em isolamento, recebe acompanhamento multiprofissional e, segundo a pasta, não oferece risco a outros usuários da instituição.

Índice

O que motivou a investigação de meningite tipo B

A notificação da possível infecção bacteriana ocorreu na sexta-feira (13), quando a equipe clínica do Himaba identificou sinais compatíveis com meningite. Seguindo normas do Ministério da Saúde, o registro foi imediatamente incluído no sistema e-SUS Vigilância em Saúde, plataforma oficial que centraliza alertas epidemiológicos em todo o país. Uma vez cadastrada a suspeita, a Sesa passou a monitorar o caso, coletando amostras laboratoriais e avaliando a evolução do quadro clínico.

A investigação envolve exames de sangue e análise do líquor – fluido retirado da medula espinhal – para confirmar a presença do meningococo do sorogrupo B, bactéria responsável pela forma mais prevalente de meningite no Brasil. Enquanto o resultado não é concluído, o protocolo de manejo orienta que o tratamento antibiótico seja iniciado de forma empírica, pois a rapidez na abordagem pode reduzir complicações e letalidade.

Menigite tipo B: perfil da paciente e medidas imediatas

O serviço social do Himaba divulgou apenas dados essenciais: sexo não informado, três anos de idade e estado clínico que exigiu suporte intensivo. Para proteger a identidade da família e atender normas de sigilo, não foram revelados o município de origem da criança nem seu histórico vacinal. Mesmo com a limitação de informações, a secretaria esclareceu que a pequena paciente encontra-se em isolamento respiratório, acomodada em box exclusivo e sob vigilância contínua de infectologistas, enfermeiros, fisioterapeutas e técnicos de enfermagem.

A direção do hospital também reforçou a adoção de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) por toda a equipe assistencial. Ao redor da UTI, placas informativas indicam o nível de precaução necessário para acesso ao leito, medida padronizada em enfermarias que lidam com doenças de transmissão aérea.

Sintomas clássicos da meningite tipo B e sinais de alerta

A pediatra Karoliny Veronese, que atua em hospitais da rede estadual, classificou a doença como “extremamente grave” em razão de sua letalidade superior a 20%. Entre os sintomas precoces mais relatados estão febre alta, dor de cabeça intensa, rigidez de nuca – dificuldade de encostar o queixo no peito – e confusão mental. Na infância, manifestações menos específicas, como irritabilidade e choro inconsolável, também podem surgir.

Quando a infecção evolui para a forma invasiva, manchas vermelhas na pele (petéquias), vômitos em jato e rebaixamento do nível de consciência indicam agravamento. Em tais circunstâncias, a internação deve ser imediata, pois o patógeno pode atingir a corrente sanguínea e causar sepse. Sobreviventes podem apresentar sequelas severas, incluindo perda auditiva, amputação de membros e danos neurológicos permanentes.

Como ocorre a transmissão da meningite tipo B

O agente Neisseria meningitidis grupo B espalha-se por gotículas respiratórias expelidas ao tossir, espirrar ou compartilhar utensílios. A proximidade prolongada e ambientes fechados aumentam a probabilidade de contágio, justificando a orientação de profilaxia em contatos próximos da paciente investigada. Segundo a Sesa, familiares e profissionais que tiveram exposição direta já receberam antibióticos preventivos, procedimento que reduz significativamente o risco de adoecimento secundário.

Nesse contexto, creches, escolas e unidades de saúde costumam ser alvos de vigilância prioritária quando surge um diagnóstico confirmado. O fato de a paciente estar isolada e de nenhuma outra pessoa apresentar sintomas até o momento indica que a cadeia de transmissão pode ter sido contenida precocemente.

Vacinação disponível e lacunas na cobertura contra meningite tipo B

No Brasil, os sorogrupos B e C concentram a maior parte dos registros de doença meningocócica, respondendo por cerca de 49% e 41% dos episódios, respectivamente. Apesar da expressiva participação do sorotipo B, a vacina específica contra meningite tipo B não integra o Calendário Nacional de Imunização do Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, a rede pública oferta duas formulações: a Meningo-C, indicada nos primeiros meses de vida, e a ACWY, introduzida no primeiro ano de idade para ampliar a proteção contra os sorogrupos A, C, W e Y.

Em clínicas privadas, o imunizante Meningo-B está disponível, mas o custo ainda é considerado obstáculo para muitas famílias. Especialistas defendem a incorporação da vacina ao SUS como estratégia para reduzir a incidência e a mortalidade associadas ao sorotipo B, sobretudo em regiões com alta densidade populacional. Enquanto a mudança não ocorre, campanhas de conscientização buscam orientar responsáveis a reconhecer sintomas precocemente e procurar atendimento médico sem atraso.

Atuação da Sesa e fluxo de notificação no Espírito Santo

A Sesa é o órgão responsável por coordenar políticas de saúde no estado, gerir hospitais especializados, como o Himaba, e monitorar indicadores epidemiológicos. Assim que um serviço de saúde lança uma suspeita de meningite no e-SUS, a equipe de vigilância inicia um processo que inclui:

  1. Confirmação laboratorial do agente.
  2. Avaliação do raio de contatos do paciente.
  3. Oferta de quimioprofilaxia conforme protocolo.
  4. Acompanhamento clínico do caso até alta ou encerramento da investigação.
  5. Registro do desfecho para compor estatísticas estaduais e nacionais.

Esses passos permitem à pasta identificar surtos, direcionar insumos e emitir alertas à população quando necessário. Até o momento, a Sesa não divulgou o número de casos notificados de meningite tipo B nos últimos anos, mas informou que atualizará os dados assim que houver confirmação laboratorial do episódio em Vila Velha.

Por que o Himaba é referência no atendimento infantil

Localizado na Região Metropolitana da Grande Vitória, o Hospital Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves dispõe de UTI pediátrica, pronto-socorro de alta complexidade e serviços de infectologia. A unidade funciona como referência para todo o Espírito Santo em patologias graves na faixa etária de 0 a 14 anos. Quando ocorrem suspeitas de doenças de notificação compulsória, como a meningite, o hospital atua em sintonia com a vigilância estadual para agilizar diagnóstico e tratamento.

Além de socorrer pacientes encaminhados pela Central de Regulação, o Himaba mantém equipe multiprofissional que contempla médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais. Esse formato garante atendimento integral, fator crucial em enfermidades que podem evoluir rapidamente, como a meningite do sorogrupo B.

Próximos passos na investigação de meningite tipo B

O Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen/ES) aguarda processamento de amostras que confirmarão ou descartarão a presença do meningococo B. A expectativa é de que o laudo seja concluído nos próximos dias, prazo em que a paciente continuará sob cuidados intensivos e o esquema de isolamento permanecerá inalterado. Se o resultado for positivo, a Sesa deverá divulgar boletim detalhado, reforçando orientações de prevenção e, se necessário, ampliando a quimioprofilaxia para novos contatos.

Até a divulgação do laudo final, a recomendação oficial é que responsáveis por crianças fiquem atentos a sintomas compatíveis com meningite tipo B e procurem o serviço de saúde mais próximo diante de qualquer suspeita.

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