Susan Monarez contesta demissão e acusa RFK no CDC
Susan Monarez contesta demissão e acusa RFK no CDC
Susan Monarez, diretora dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), contestou o anúncio de sua demissão feito pela Casa Branca, alegando que só o ex-presidente Donald Trump, que a indicou, poderia retirá-la do cargo.
Susan Monarez contesta demissão e acusa RFK no CDC
Em nota divulgada por seus advogados, Monarez afirmou ter se recusado a “chancelar diretrizes anticientíficas e imprudentes” e acusou o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., de “instrumentalizar a saúde pública”. A Casa Branca justificou a demissão dizendo que a diretora “não está alinhada com a agenda do presidente”.
Confirmada pelo Senado em julho, Monarez ocupa o posto há apenas um mês. A cientista, primeira diretora do CDC em meio século sem diploma médico, construiu carreira em pesquisas sobre doenças infecciosas. Seu mandato já enfrentava pressão após o ataque armado contra a sede do CDC, em Atlanta, quando confortou funcionários abalados pelo incidente motivado por teorias antivacina.
A tensão interna aumentou com a saída de ao menos três altos dirigentes da agência. A chefe médica Debra Houry mencionou, em carta obtida pela CBS News, a “ascensão da desinformação” sobre vacinas e criticou cortes orçamentários planejados. Daniel Jernigan, responsável pelo Centro Nacional de Doenças Emergentes, e Demetre Daskalakis, do Centro de Imunização, também deixaram seus cargos, citando “instrumentalização do órgão”. Há ainda relatos da renúncia de Jennifer Layden, diretora de Dados em Saúde Pública.
Em paralelo, a Food and Drug Administration (FDA) aprovou novas vacinas contra a Covid-19, restringindo a aplicação a idosos; adultos e crianças sem comorbidades ficaram de fora. Nas redes sociais, Kennedy comemorou o fim das autorizações emergenciais que sustentaram mandatos vacinais durante o governo Biden.
Monarez reiterou que seu compromisso é “proteger o público, não agendas políticas”. A incerteza ocorre semanas após a demissão de cerca de 600 funcionários do CDC, inclusive equipes que atuavam em gripe aviária e estudos ambientais.
Analistas de saúde pública entrevistados pelo New York Times alertam que a instabilidade ameaça a capacidade do CDC de responder a emergências sanitárias e pode comprometer a confiança da população em futuras campanhas de imunização.
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Crédito da imagem: Getty Images

Imagem: Internet