SUS atinge recorde de 14,7 milhões de cirurgias eletivas em 2025 e fortalece atenção básica

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O Sistema Único de Saúde (SUS) concluiu o ano de 2025 com 14,7 milhões de cirurgias eletivas executadas em todo o país, quantidade que estabelece o maior patamar anual desde a criação da rede pública brasileira. O resultado foi divulgado pelo governo federal durante evento realizado em Salvador, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, vincularam o avanço a uma combinação de políticas de financiamento, cooperação federativa e expansão de serviços.
- Recorde de cirurgias eletivas evidencia capacidade de resposta do SUS
- Cirurgias eletivas e o papel do programa Agora Tem Especialistas
- Comparativo histórico mostra evolução das cirurgias eletivas
- Fortalecimento da atenção básica complementa estratégia das cirurgias eletivas
- Bahia recebe conjuntos de equipamentos e amplia cobertura do SAMU
- Parceria federativa sustenta expansão das cirurgias eletivas
- Próximos passos e metas para o exercício de 2026
Recorde de cirurgias eletivas evidencia capacidade de resposta do SUS
O primeiro dado de destaque no balanço oficial é o salto quantitativo de procedimentos: foram 1,1 milhão de cirurgias eletivas a mais em 2025 do que no ano anterior, quando o número já havia alcançado 13,6 milhões e estabelecido o então recorde histórico. A marca de 14,7 milhões, portanto, não apenas supera o índice de 2024, mas também confirma a tendência de crescimento iniciada após a reorganização do calendário de procedimentos pós-pandemia.
Segundo o Ministério da Saúde, o volume de cirurgias compreende intervenções programadas de baixa, média e alta complexidade em todo o território nacional. O indicador abrange desde procedimentos oftalmológicos e ortopédicos até cirurgias cardiovasculares, refletindo a abrangência do SUS como sistema que garante acesso universal e gratuito.
Cirurgias eletivas e o papel do programa Agora Tem Especialistas
O governo federal atribuiu boa parte do desempenho ao programa Agora Tem Especialistas, criado com a finalidade de reduzir filas cirúrgicas e ampliar a remuneração de serviços prestados por estados, municípios, hospitais filantrópicos e unidades privadas credenciadas. A iniciativa substituiu a antiga tabela de pagamentos, elevando valores repassados por procedimento e, dessa forma, oferecendo incentivo para que mais instituições destinassem salas cirúrgicas a pacientes do SUS.
Na prática, o novo formato de financiamento permitiu incremento na oferta de horários operatórios, contratação de equipes médicas especializadas e uso de centros cirúrgicos ociosos, sobretudo em regiões onde a demanda acumulada era maior. O Ministério da Saúde reforça que, ao aumentar a atratividade financeira, o programa contribuiu para ampliar a rede de estabelecimentos habilitados, sem a necessidade de construir novas unidades num curto prazo.
Comparativo histórico mostra evolução das cirurgias eletivas
Os números divulgados colocam 2025 no topo de uma trajetória ascendente que começou em 2023, quando o SUS somou cerca de 12 milhões de procedimentos eletivos. Em 2024, o salto para 13,6 milhões já representava ganho de 13% em relação ao ano anterior. Com a nova alta em 2025, o avanço acumulado ultrapassa 22% em dois anos, sinalizando que a política de ampliação de oferta cirúrgica tem mantido ritmo consistente.
Esse crescimento é, ainda, acompanhado de esforço para qualificar a informação sobre tempo médio de espera e perfil dos usuários, elementos considerados fundamentais para que secretarias estaduais e municipais planejem escalas e insumos. Sob essa perspectiva, o Ministério da Saúde destaca que a parceria entre as três esferas de governo foi determinante para sustentar o aumento de volume sem comprometer padrões assistenciais.
Fortalecimento da atenção básica complementa estratégia das cirurgias eletivas
Enquanto a ampliação de cirurgias eletivas resolve demandas de média e alta complexidade, a pasta da Saúde anunciou medidas paralelas para reduzir gargalos na atenção primária e, assim, evitar que condições clínicas evoluam para necessidades cirúrgicas de urgência. Entre essas medidas, figura a distribuição planejada de 150 “combos cirúrgicos” destinados a hospitais e 10 mil combos para Unidades Básicas de Saúde (UBS), com o propósito de melhorar diagnósticos e agilizar encaminhamentos.
Cada combo hospitalar reúne equipamentos e insumos específicos para procedimentos de pequena e média complexidade, contemplando, por exemplo, kits de anestesia, aparelhos de videoendoscopia e instrumentais ortopédicos. Já os combos voltados às UBS incluem dispositivos de diagnóstico rápido, como dermatoscópios e otoscópios digitais, para que os profissionais de atenção primária avaliem casos no próprio território e encaminhem o paciente à rede especializada apenas quando necessário.
Bahia recebe conjuntos de equipamentos e amplia cobertura do SAMU
Em Salvador, palco do anúncio do recorde, o Ministério da Saúde formalizou a entrega de 1.030 combos de equipamentos a unidades de atenção básica baianas. Entre os itens fornecidos estão câmaras frias para armazenamento de vacinas, balanças digitais de alta precisão e lasers terapêuticos destinados ao tratamento de feridas, à reabilitação motora e à fisioterapia.
Além disso, prefeituras baianas passaram a contar com 575 mil kits de telessaúde. Esses kits incluem tablets configurados para consulta remota, estetoscópios digitais e softwares de prontuário eletrônico, permitindo que médicos especialistas avaliem exames e orientem equipes de campo sem a necessidade de deslocamento do paciente. Segundo o Ministério, a estratégia reduz custos e acelera a tomada de decisão clínica.
Na área de atendimento pré-hospitalar, foram entregues 107 novas ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Com essa remessa, a cobertura do SAMU atinge 100% dos municípios baianos, fator que, na avaliação da pasta, complementa a malha de cirurgias eletivas ao garantir transporte adequado para casos que necessitem transferência imediata.
Parceria federativa sustenta expansão das cirurgias eletivas
O avanço nos indicadores de cirurgias eletivas dependeu da adesão de governos estaduais e municipais ao programa de financiamento diferenciado. Ao acolher a nova tabela de pagamentos, os entes locais passaram a alocar recursos próprios para complementar custos de anestesistas, enfermeiros e materiais descartáveis. Hospitais filantrópicos, historicamente responsáveis por parcela expressiva da assistência cirúrgica do SUS, ampliaram programação de salas operatórias em função do reajuste remuneratório.
No setor privado, clínicas e hospitais que firmaram convênios com o SUS puderam manter agendas exclusivas para pacientes do sistema público sem prejuízo do equilíbrio financeiro. Essa integração da rede contratualizada contribuiu para diluir filas regionais e minimizar deslocamentos interestaduais de pacientes em busca de cirurgia.
Próximos passos e metas para o exercício de 2026
De acordo com o Ministério da Saúde, o planejamento para 2026 inclui manutenção da tabela diferenciada do Agora Tem Especialistas e expansão do número de estabelecimentos participantes. A pasta projeta, ainda, aplicar dados de taxa de ocupação de salas cirúrgicas na redistribuição de recursos, visando corrigir eventuais desequilíbrios de oferta entre macrorregiões.
Outra meta é aprofundar a integração entre telessaúde e regulação de vagas cirúrgicas, permitindo que o encaminhamento do paciente pelo médico da UBS seja validado digitalmente pelo cirurgião responsável, reduzindo tempo entre avaliação e data do procedimento. Até o fim do próximo ciclo orçamentário, a expectativa oficial é disponibilizar novos lotes de equipamentos para UBS, mantendo o foco na prevenção e no diagnóstico precoce.
Com a divulgação da marca de 14,7 milhões de cirurgias eletivas, o Ministério da Saúde sinaliza que o próximo balanço a ser observado pela população será o detalhamento das metas do programa para 2026, acompanhado da atualização dos números de filas e tempos médios de espera a partir da base de dados nacional.

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