Super-heróis dominam o Alto da Sé: o que torna o bloco Sala da Justiça um ícone do carnaval de Olinda

Super-heróis dominam o Alto da Sé: o que torna o bloco Sala da Justiça um ícone do carnaval de Olinda
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O bloco Sala da Justiça voltou a atrair uma multidão ao Alto da Sé, em Olinda, no domingo (15), quando realizou o seu 29º desfile consecutivo e transformou as ladeiras históricas em passarela de super-heróis, animes e personagens da cultura pop, mantendo acesa uma das tradições mais aguardadas do carnaval pernambucano.

Índice

Tradição do bloco Sala da Justiça atravessa quase três décadas

Iniciado há 29 anos, o desfile “Enquanto Isso na Sala da Justiça” consolidou-se como ponto de encontro entre foliões que preferem trocar o abadá pelo improviso criativo das fantasias. Na edição deste ano, famílias inteiras, casais, amigos de infância e turistas juntaram-se nas encostas do sítio histórico de Olinda, compondo um público heterogêneo que celebra o mesmo objetivo: dar vida a heróis e vilões conhecidos do entretenimento. O resultado é um corredor humano vibrante, onde a musicalidade típica dos blocos pernambucanos se mistura ao colorido das capas, máscaras e acessórios artesanais.

A longevidade do evento é sustentada pela participação ativa da comunidade local. Muitas das pessoas que hoje sobem as ladeiras com traje temático foram crianças que, no passado, assistiam às primeiras aparições de personagens no cortejo. Essa passagem de geração em geração reforça a identidade cultural do bloco e garante renovação anual do entusiasmo popular.

O espetáculo do Homem-Aranha: ponto alto do bloco Sala da Justiça

Entre todos os momentos de suspense e alegria, um se destaca: a descida do Homem-Aranha pela tirolesa instalada no antigo prédio da Caixa d’Água. A encenação, já tradicional, reproduz o embate do herói contra um inimigo fictício diante de milhares de câmeras erguidas pelos foliões. Quando o personagem desliza sobre cabeças e confetes, o efeito visual cria a sensação de que o carnaval é, de fato, salvo por um super-herói. A manobra, executada em segurança por um artista fantasiado, dura apenas alguns segundos, mas concentra olhares e aplausos que ecoam por toda a colina.

A logística para essa apresentação envolve cabos firmados na estrutura elevada e profissionais capacitados. Embora os detalhes técnicos fiquem fora dos refletores, o impacto é visível: o momento da tirolesa tornou-se marca registrada do “Enquanto Isso na Sala da Justiça” e, ano após ano, funciona como chamariz para visitantes que buscam experiências únicas no carnaval.

Criatividade dos foliões transforma as ladeiras de Olinda

Se o Homem-Aranha concentra expectativas coletivas, cada folião contribui com a própria dose de engenhosidade. Materiais simples, como emborrachados, isopor e cola quente, foram base para armaduras, capacetes e adereços que rivalizam com figurinos profissionais. A adaptação caseira, frequentemente descrita como “gambiarra”, é encarada pelos participantes como conquista pessoal: quanto mais original a solução, maior a sensação de vitória ao desfilar.

Os trajes improvisados também dialogam com as condições climáticas do litoral pernambucano. A combinação de calor intenso e ladeiras íngremes exige figurinos leves, ventilados e resistentes ao suor. Nesse equilíbrio entre estética e conforto, foliões alternam camadas de tecido, espuma e pintura corporal, garantindo mobilidade sem comprometer o impacto visual.

Influência geek no bloco Sala da Justiça: do X-Men ao anime de vampiros

Um dos grupos que chamou atenção foi o formado por amigos que, após edição anterior dedicada à série “Caverna do Dragão”, decidiu encarnar personagens dos X-Men. O engenheiro e professor Bruno Brasil relatou que a escolha nasceu da necessidade de reunir, em um único universo temático, pelo menos dez personagens diferentes para acomodar todos os integrantes. A padronização, iniciada no ano passado, agradou tanto que o coletivo já definiu a fantasia de 2027, demonstrando planejamento que ultrapassa o carnaval imediato.

A jornada de cada componente começa muito antes da batida do frevo. Os participantes pesquisam referências visuais, definem quem interpretará qual herói ou vilão e distribuem tarefas de produção. Durante o cortejo, o grupo permanece unido, facilitando a identificação coletiva e estimulando interações com o público, que costuma solicitar fotos, vídeos e até coreografias improvisadas.

Super-Yan, Castlevania e outras homenagens pessoais

Nem todas as fantasias surgem de grandes franquias. O empresário carioca Yan Ramalho foi além dos personagens licenciados e criou o “Super-Yan”, homenagem a si próprio. O conceito nasceu da ligação afetiva que ele mantém com Olinda desde 2011, quando decidiu alugar uma casa no sítio histórico e, por acaso, descobriu o bloco. Desde então, retorna anualmente – exceto no hiato provocado pela pandemia – e mantém a tradição de desfilar com trajes diferentes a cada dia de carnaval.

Já o funcionário público Fábio Cardoso e seus amigos optaram por representar caçadores de vampiros do anime “Castlevania”. A escolha reflete o costume do grupo de alternar temas conforme o calendário carnavalesco; mesmo mantendo a amizade e a casa compartilhada, eles investem em figurinos novos a cada edição. Segundo Fábio, o sucesso é medido pela dificuldade em avançar pelas ruas: a todo instante, famílias, crianças e idosos pedem registros fotográficos, transformando o deslocamento em sessão contínua de interação.

Esses relatos evidenciam a forma como o “Enquanto Isso na Sala da Justiça” serve de palco para expressões individuais e coletivas, onde o limite entre performer e espectador se dissolve. Cada fantasia, independentemente da complexidade, contribui para a paisagem cultural que distingue Olinda no cenário nacional do carnaval.

Folia que se renova a cada dia nas ladeiras históricas

O calendário oficial do grupo de amigos, turistas e moradores não se encerra com o desfile dominical. Muitos permanecem hospedados em casas alugadas no sítio histórico até a Quarta-Feira de Cinzas, garantindo novas fantasias diárias e prolongando a experiência imersiva que caracteriza o carnaval da cidade. Essa continuidade fortalece o comércio local, movimenta pousadas, bares e restaurantes, e alimenta o ciclo de expectativa que conduzirá ao 30º desfile do bloco no próximo ano.

Com o 29º cortejo concluído, permanece o convite implícito para que a criatividade volte a ocupar as ladeiras nos dias seguintes. Foliões veteranos e novatos sabem que o “Enquanto Isso na Sala da Justiça” ressurgirá em breve, mantendo a tirolesa do Homem-Aranha pronta para outro salvamento simbólico e abrindo espaço para novas equipes de heróis, animes ou homenagens pessoais. Até lá, a cidade continua vibrando ao som dos tambores, lembrando que, em Olinda, a fantasia é mais que adereço: é parte essencial da identidade carnavalesca que se renova todos os anos.

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