STF organiza evento para relembrar os atos golpistas de 8 de janeiro e reafirmar a defesa da democracia

Atos golpistas de 8 de janeiro voltam ao centro do debate público no próximo dia 8, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) realiza em Brasília uma série de atividades dedicadas a relembrar a invasão e depredação dos prédios dos Três Poderes ocorrida três anos atrás. A Corte estruturou uma programação extensa que reúne exposição, documentário, roda de conversa com jornalistas e mesa-redonda com especialistas, consolidando um esforço institucional para preservar a memória dos fatos e reforçar o compromisso com a ordem democrática.
- Contexto dos atos golpistas de 8 de janeiro
- Programação detalhada do evento “Democracia Inabalada”
- Linha do tempo até os atos golpistas de 8 de janeiro
- Investigações e condenações relacionadas aos atos golpistas de 8 de janeiro
- Relevância institucional de recordar a tentativa de golpe
- Próximo ponto na agenda: 8 de janeiro de 2026
Contexto dos atos golpistas de 8 de janeiro
Em 8 de janeiro de 2023, alguns milhares de apoiadores do então ex-presidente Jair Bolsonaro, insatisfeitos com o resultado eleitoral divulgado em 30 de outubro de 2022, avançaram sobre a Praça dos Três Poderes. O grupo exigia intervenção militar para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva e, durante a ação, invadiu e danificou as sedes do Legislativo, do Executivo e do Judiciário federais. A ofensiva marcou o ponto mais visível de uma mobilização que se intensificou logo após as eleições, quando bloqueios rodoviários e acampamentos foram erguidos em frente a quartéis em várias cidades do país.
Além dos bloqueios e acampamentos, outros episódios agravaram o clima de tensão. Na véspera do Natal de 2022, as autoridades encontraram uma bomba nas proximidades do Aeroporto Internacional de Brasília. Pouco depois, manifestantes invadiram uma unidade da Polícia Federal na capital, na mesma data em que ônibus foram incendiados após a diplomação do presidente eleito. Esses eventos criaram um ambiente propício à escalada que culminaria na invasão de 8 de janeiro.
Programação detalhada do evento “Democracia Inabalada”
Intitulada “Democracia Inabalada: 8 de janeiro – Um dia para não esquecer”, a iniciativa do STF ocorrerá integralmente nas instalações do Tribunal. A abertura oficial está prevista para o início da tarde do dia 8, com a exposição “8 de janeiro: Mãos da Reconstrução” no Espaço do Servidor. A mostra apresenta registros e peças que simbolizam a recuperação física e institucional dos locais danificados.
Na sequência, será exibido o documentário “Democracia Inabalada: Mãos da Reconstrução” no Museu do STF. A produção audiovisual revisita os acontecimentos, intercalando imagens do dia dos atos golpistas, depoimentos de servidores que atuaram na limpeza e reparação dos espaços e detalhes técnicos sobre a restauração do patrimônio histórico.
A terceira atividade consiste em uma roda de conversa com profissionais da imprensa, também no Museu do STF. Jornalistas que acompanharam os eventos de 2023 e as investigações subsequentes discutirão os desafios da cobertura em tempo real, a checagem de informações e a preservação de evidências documentais.
O cronograma será encerrado no Salão Nobre do Supremo com a mesa-redonda “Um dia para não esquecer”. O debate reunirá representantes de diferentes áreas do serviço público para abordar a importância de políticas de memória, a proteção das instituições republicanas e a resposta do Estado diante de tentativas de ruptura constitucional.
Linha do tempo até os atos golpistas de 8 de janeiro
A manifestação que resultou na invasão dos edifícios públicos foi o ponto culminante de uma série de mobilizações que começaram imediatamente após a divulgação oficial do resultado do segundo turno presidencial, em 30 de outubro de 2022. Nos dias subsequentes:
• Rodovias federais e estaduais foram bloqueadas por manifestantes que contestavam a vitória de Lula.
• Acampamentos foram instalados diante de quartéis, onde participantes pediam intervenção das Forças Armadas.
• Episódios de violência isolada passaram a ocorrer, inclusive o artefato explosivo interceptado no aeroporto da capital.
• No dia 12 de dezembro, data da diplomação do presidente eleito, ônibus foram incendiados e uma delegacia da Polícia Federal foi alvo de invasão.
Esses episódios evidenciaram, segundo autoridades judiciais, a articulação de um movimento persistente que buscava reverter o resultado eleitoral por meios ilegítimos, culminando na ofensiva de 8 de janeiro de 2023.
Investigações e condenações relacionadas aos atos golpistas de 8 de janeiro
Após a invasão, o Supremo Tribunal Federal conduziu investigações que resultaram em denúncias criminais contra centenas de envolvidos, abrangendo tanto executores diretos da depredação quanto financiadores e articuladores. Entre os denunciados estão o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados próximos.
As decisões apontam que o ex-chefe do Executivo tentou convencer comandantes militares a aderirem a um plano de ruptura institucional destinado a anular o pleito e manter-se no cargo. As condenações incluem os crimes de tentativa de golpe de Estado e outros delitos correlacionados com a conspiração para invalidar o resultado das urnas.
A jurisprudência firmada a partir desses julgamentos estabelece parâmetros para responsabilização de líderes políticos e operacionais em ações que atentem contra o Estado Democrático de Direito. O Tribunal destaca que a responsabilização penal é componente essencial da proteção à sociedade e às instituições.
Relevância institucional de recordar a tentativa de golpe
Nas cerimônias promovidas em anos anteriores para marcar a data, ministros do STF têm reiterado que o registro histórico de 8 de janeiro é fundamental para compreender a extensão das ameaças sofridas e fortalecer mecanismos de prevenção. Ao promover o evento de 2026, a Corte pretende consolidar um espaço permanente de memória, ressaltando que virar a página não significa apagar o episódio, mas integrá-lo ao repertório democrático como exemplo de resistência institucional.
A exposição, o documentário e os debates concebidos para esta terceira rememoração pública objetivam ampliar a conscientização social sobre os riscos de movimentos antidemocráticos e incentivar a cultura de salvaguarda das eleições como expressão soberana da vontade popular.
Próximo ponto na agenda: 8 de janeiro de 2026
A próxima etapa desse esforço de memória acontece no próprio dia 8 de janeiro de 2026, quando o público poderá visitar a exposição, assistir ao documentário e acompanhar as discussões programadas. Todas as atividades serão sediadas no Supremo Tribunal Federal, em Brasília.

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