Starship: desafios de 2025, voos recuperados e a rota para a versão V3 em 2026

Starship: desafios de 2025, voos recuperados e a rota para a versão V3 em 2026

Starship, o maior foguete do mundo desenvolvido pela SpaceX, encerrou 2025 em posição mais favorável do que começou. Depois de três tentativas frustradas no início do ano, a empresa realizou dois voos bem-sucedidos na reta final e passou a concentrar esforços na versão V3 do veículo, prevista para estrear em 2026.

Índice

2025: o ano em que a Starship enfrentou desafios cruciais

O cronograma de testes da SpaceX contabilizou cinco lançamentos da Starship ao longo de 2025. Os três primeiros ocorreram ainda na primeira metade do ano e terminaram com a perda do estágio superior, o que impediu a empresa de validar metas técnicas fundamentais. Esses insucessos envolveram explosões em voo e pousos mal-sucedidos, provocando revisões de projeto, inspeções detalhadas e readequação de prazos internos.

Falhas iniciais da Starship e investigação das causas

A sequência de problemas foi inaugurada no sétimo voo de teste do programa, que terminou em explosão. Na ocasião, o propulsor Super Heavy realizou a ignição e separação, mas a nave não completou o perfil previsto. O oitavo lançamento apresentou novo contratempo: após aproximadamente oito minutos, o estágio superior começou a girar sem controle, perdeu altitude e explodiu. O nono voo repetiu a tendência negativa, registrando falha geral que frustrou, mais uma vez, todos os objetivos de ensaio.

De acordo com a SpaceX, análises posteriores permitiram identificar as causas desses eventos. Embora a empresa não tenha divulgado detalhes completos, afirmou ter solucionado os defeitos que desencadearam a perda de estabilidade e as explosões em sequência.

Dois voos perfeitos sinalizam maturidade da Starship

A virada técnica aconteceu nos dois testes seguintes, já com a variante denominada Block 2. No décimo voo — o primeiro considerado perfeito em 2025 — o foguete cumpriu todos os requisitos: separação limpa entre a Starship e o Super Heavy, pouso controlado do propulsor no oceano e execução, em órbita, de experimentos que incluíram a liberação de simuladores de satélites Starlink por uma escotilha lateral. O desempenho validou o sistema de abertura ejetora pensado para futuras constelações.

O décimo primeiro voo, último do ano e também livre de anomalias, repetiu a façanha. O Super Heavy impulsionou a nave, retornou em trajeto planejado e concluiu descida suave no mar. Paralelamente, o estágio superior realizou nova série de testes em microgravidade. A repetição de sucesso indicou que o resultado anterior não foi casual e que o veículo está amadurecido em seus parâmetros atuais.

Transição da Starship V2 para a V3 em 2026

Com o ciclo da variante V2 encerrado, a SpaceX voltou seus recursos para a V3, descrita internamente como mais robusta e voltada a manobras ainda mais ousadas. A meta é iniciar testes dessa nova iteração já em 2026. A V3 será central para missões que dependem de reabastecimento em órbita, tecnologia que a empresa nunca demonstrou em escala real, mas que é considerada indispensável para voos tripulados do programa Artemis e, futuramente, para a colonização de Marte.

Starship, Artemis e a dependência do reabastecimento orbital

Documentação interna da SpaceX, obtida pelo meio de comunicação Politico, aponta que a primeira demonstração crítica de reabastecimento entre duas naves Starship está prevista para junho de 2026. Caso o ensaio alcance êxito, o passo seguinte será um pouso lunar não tripulado, agendado, segundo o mesmo cronograma, para junho de 2027. Esses marcos são pré-condição antes de qualquer missão habitada.

A quantidade de voos destinados a transportar combustível até a órbita varia conforme estimativas. Um executivo da SpaceX mencionou cerca de 10 partidas, enquanto análises externas projetam até 40. A diferença evidencia o desafio operacional que a empresa deverá superar para tornar viáveis tanto as metas lunares da NASA quanto os planos de longo prazo para Marte.

Impacto político e mudanças na NASA durante 2025

O cenário institucional norte-americano também passou por alterações relevantes. Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos em 2025 e, no início da gestão, Elon Musk recebeu a chefia do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE). Pouco depois, a relação entre o empresário e o governo se deteriorou. Paralelamente, Musk influenciou a indicação do bilionário Jared Isaacman para a administração da NASA. A nomeação foi cancelada, mantendo a agência sob comando de Sean Duffy pela maior parte do ano. Apenas em 17 de dezembro Isaacman assumiu o cargo, mas isso não resolveu atritos entre SpaceX e a agência em torno dos prazos do programa Artemis.

Próximo passo: pousos controlados na Starbase

As operações de 2025 mostraram a capacidade do Super Heavy de retornar ao oceano, mas a SpaceX já trabalha em manobras de pouso direto na Starbase, sua plataforma no Texas. Para atingir esse objetivo, a empresa incluiu, no décimo teste, atualizações estruturais que aproximam a nave do perfil de descida pretendido. Pousar no mesmo local de decolagem pode reduzir custos e acelerar cadência, porém envolve risco de danos na base, razão pela qual a equipe estuda o tema com cautela.

A próxima data relevante indicada pela própria SpaceX é junho de 2026, quando a companhia planeja demonstrar o reabastecimento orbital entre duas naves Starship, marco que definirá os rumos do programa tanto para a Lua quanto para missões rumo a Marte.

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