SP Escola de Teatro se torna faculdade gratuita e cria graduação tecnológica em produção cênica

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SP Escola de Teatro recebeu credenciamento federal para operar como faculdade e, ainda no primeiro semestre deste ano, iniciará o curso superior gratuito de tecnologia em produção cênica, marcando nova etapa na formação profissional das artes do palco em São Paulo.
- SP Escola de Teatro oficializa transição para ensino superior
- Estrutura administrativa mantém parceria entre Adaap e Secretaria de Cultura
- Processo seletivo segue modelo já testado na SP Escola de Teatro
- Metodologia colaborativa reforça identidade da SP Escola de Teatro
- Regulamentação garantirá diploma a atuais matriculados
- Investimento público sustenta expansão sem custos ao estudante
- Oferta de cursos livres, residências e intercâmbios permanece ativa
- Perspectivas imediatas para candidatos e comunidade artística
SP Escola de Teatro oficializa transição para ensino superior
Depois de 16 anos de atividades, a SP Escola de Teatro passa a ser reconhecida como SP Escola Superior de Teatro – Faculdade das Artes do Palco. O credenciamento, concedido pelo Ministério da Educação, consolida uma trajetória iniciada em 2010 com cursos livres e ampliada em 2017 com programas técnicos. A mudança ocorre imediatamente, o que possibilita a oferta do primeiro curso de graduação já no ciclo letivo que começa neste semestre.
O novo curso superior adota o formato de tecnologia em produção cênica, tem duração de dois anos e não exige pagamento de mensalidades. A criação da graduação atende a um projeto antigo da instituição, que enfrentou quase uma década de trâmites burocráticos antes de obter a aprovação final.
Estrutura administrativa mantém parceria entre Adaap e Secretaria de Cultura
A faculdade integra a Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e continua administrada pela Adaap, a Associação dos Artistas Amigos da Praça. Sediada na praça Roosevelt, no centro da capital, a Adaap foi responsável pela gestão desde a abertura da escola e permanece à frente da nova fase, garantindo continuidade pedagógica e administrativa.
O orçamento da instituição combina recursos públicos e privados. Dos R$ 16 milhões previstos anualmente, R$ 13 milhões são repassados pela Secretaria estadual e R$ 3 milhões provêm de parcerias, convênios e emendas parlamentares. Segundo a secretária Marília Marton, a decisão de criar a faculdade busca ampliar o acesso ao ensino superior público e reconhecer as artes do palco como área estratégica de formação e trabalho.
Processo seletivo segue modelo já testado na SP Escola de Teatro
A seleção de estudantes manterá o formato aplicado aos cursos técnicos: prova de redação, entrevistas individuais e atividades específicas conforme cada linha de estudo. Os períodos de ingresso continuam semestrais, com turmas iniciando no começo e no meio do ano. As inscrições para o primeiro processo de admissão na graduação estão previstas para abrir entre março e abril.
Ao todo, oito linhas de estudo permanecem ativas — atuação, cenografia e figurino, direção, dramaturgia, humor, iluminação, sonoplastia e técnicas de palco. Os candidatos escolhem a área no momento da inscrição, e as etapas avaliativas são adaptadas às competências exigidas em cada especialidade.
Metodologia colaborativa reforça identidade da SP Escola de Teatro
Desde a fundação, a SP Escola de Teatro adota sistema pedagógico que estimula a construção coletiva dos espetáculos. A cada semestre, alunos das oito linhas se organizam em grupos interdisciplinares para criar experimentos cênicos supervisionados pelos docentes. Esse método, que combina prática intensiva e reflexão crítica, foi preservado na transição para a faculdade e é considerado o principal diferencial do projeto educacional.
Ivam Cabral, diretor-executivo da escola e um dos fundadores da companhia Os Satyros, destaca que o trabalho cruzado entre as áreas elimina hierarquias tradicionais e prepara os estudantes para a dinâmica real do mercado. Já o diretor e dramaturgo indiano Rustom Bharucha, que participou de atividades na instituição em outubro passado, classificou a abordagem como “holística” e fundamentada em princípios de Paulo Freire. A pesquisadora finlandesa Sanna Ryynänen, da Universidade do Leste, também analisa o sistema como modelo “ousado e emancipador”, utilizando-o como referência em seus estudos sobre artes performáticas.
Regulamentação garantirá diploma a atuais matriculados
Atualmente, cerca de 400 alunos frequentam cursos técnicos e livres na escola. Com o novo status de faculdade, a administração prepara normas para que esses estudantes também possam alcançar o diploma de nível superior, mesmo tendo ingressado antes do credenciamento. De acordo com Ivam Cabral, a própria instituição definirá os critérios de equivalência curricular e a carga horária adicional, se necessária, para assegurar o direito ao diploma.
A medida reforça a continuidade institucional e reconhece o percurso formativo já desenvolvido pelos alunos, evitando a criação de duas trajetórias paralelas dentro da mesma estrutura pedagógica.
Investimento público sustenta expansão sem custos ao estudante
A gratuidade integral do curso superior é viabilizada pelo financiamento direto do governo estadual e pelas parcerias externas. O modelo ratifica a política de ampliar oportunidades de qualificação em áreas de cultura e economia criativa sem repassar custos aos discentes. Segundo a secretaria responsável, a estratégia garante diversidade de perfil socioeconômico nas turmas e contribui para índices de empregabilidade expressivos, resultado apontado pela diretoria da escola como justificativa para a conversão em faculdade.
Oferta de cursos livres, residências e intercâmbios permanece ativa
Mesmo com a criação da graduação, a SP Escola de Teatro continuará oferecendo 20 cursos livres gratuitos de extensão cultural. Permanecem ainda as residências artísticas que culminam em espetáculos abertos ao público, as bolsas-auxílio para estudantes de baixa renda e os programas de intercâmbio internacional. Entre novembro e dezembro de 2025, por exemplo, dez alunos participarão de viagem a Portugal para a apresentação do espetáculo “Pororoca: O Encontro das Águas”, baseado no diálogo cênico entre brasileiros e portugueses.
A manutenção dessas iniciativas reforça a missão de fomentar a pesquisa teatral e a experimentação artística, ampliando a rede de colaboração com universidades e grupos estrangeiros. O diálogo externo também serve de vitrine para o sistema pedagógico brasileiro, que já inspira reformulações em outras instituições de ensino, segundo avaliação de observadores internacionais.
Perspectivas imediatas para candidatos e comunidade artística
Com o credenciamento oficializado e o edital de seleção em fase final de preparação, a atenção da comunidade teatral paulistana se volta ao início das inscrições, programado para ocorrer entre março e abril. O calendário institucional prevê divulgação de resultados e matrícula das primeiras turmas ainda neste semestre, passo que consolidará a operação plena da nova faculdade e marcará início efetivo do curso superior de tecnologia em produção cênica.

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