Slop é eleita palavra do ano de 2025 pelo Merriam-Webster e reflete a preocupação com conteúdo digital gerado por IA

Slop é eleita palavra do ano de 2025 pelo Merriam-Webster e reflete a preocupação com conteúdo digital gerado por IA
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Slop tornou-se a palavra do ano de 2025 do dicionário Merriam-Webster, destacando a inquietação pública com a avalanche de conteúdos digitais de baixa qualidade produzidos por ferramentas de inteligência artificial e disseminados nas grandes plataformas da internet.

Índice

Por que “slop” foi selecionada

A escolha do Merriam-Webster, divulgada no domingo de 14 de dezembro, baseou-se na frequência de pesquisas dos usuários e na visibilidade do termo em 2025. A definição apontada pela equipe editorial descreve slop como “conteúdo digital de pouca qualidade geralmente criado em grande escala por meios de IA”. A decisão refletiu o aumento de vídeos, ilustrações, anúncios, desinformação, livros e relatórios considerados irritantes pelo público, mas que continuam circulando em diferentes ambientes virtuais.

Slop: do barro do século XVIII ao excesso de IA

A palavra escolhida possui trajetória semântica longa. No século XVIII, slop designava “lama maleável”. Posteriormente, passou a indicar “comida desperdiçada” e, mais adiante, “lixo” ou “produto sem valor”. Em 2025, o termo recebeu novo significado dentro do universo da inteligência artificial, descrevendo materiais produzidos por sistemas generativos que apresentam erros técnicos, distorções visuais ou ausência de valor artístico. Mesmo assim, tais materiais alcançaram grande repercussão em redes sociais como Facebook.

Como o slop domina o ambiente digital

A expansão dos modelos generativos facilitou a publicação em série de criações textuais, sonoras e audiovisuais. Durante 2025, plataformas populares testemunharam o crescimento de conteúdos enquadrados como slop. Entre os exemplos relatados estão:

• Vídeos montados com imagens desconexas, mas divulgados como tutoriais.
• Ilustrações repletas de artefatos visuais, porém apresentadas como obras originais.
• Propagandas automatizadas que repetem frases sem coerência.
• Livros autopublicados com narrativa inconsistente.
• Relatórios gerados a partir de dados incompletos e erros factuais.

O fenômeno levou plataformas de grande alcance a reagirem. YouTube e TikTok anunciaram medidas específicas ao longo do ano, incluindo a desmonetização de publicações classificadas como de baixa qualidade e produzidas artificialmente. O objetivo declarado pelas empresas foi reduzir a rentabilidade dessas práticas e desencorajar a produção em massa de material sem curadoria.

Os finalistas que quase superaram o slop

O dicionário também apresentou uma lista de palavras analisadas que ficaram abaixo de slop na disputa de 2025:

Gerrymandering – termo usado nos Estados Unidos para definir o redesenho de distritos eleitorais com o intuito de favorecer determinado partido.
Touch grass – expressão imperativa sugerindo que alguém “saia para tocar a grama”, isto é, desconecte-se da internet e realize atividades sociais presenciais.
Performativo – adjetivo aplicado a ações vistas como demonstrações públicas de comportamento, sem compromisso autêntico.
Tarifas – palavra associada às políticas comerciais do ex-presidente Donald Trump, que impôs cobranças adicionais a produtos de diversos países.
Six seven – gíria derivada de uma música que se popularizou, tornando-se reação usual entre jovens, ainda que sem significado fixo.
Conclave – eleição do novo papa pelos cardeais católicos, realizada após o falecimento do papa Francisco.
Lake Chargoggagoggmanchauggagoggchaubunagungamaugg – nome de um lago em Massachusetts que viralizou após aparecer em jogo da plataforma Roblox.

Comparação com a escolha da Oxford: rage bait

Em 2025, o Dicionário de Oxford também divulgou seu termo do ano, e a seleção recaiu sobre “rage bait”. O conceito refere-se a conteúdos planejados para provocar indignação, confrontos e alto engajamento nas redes sociais. Apesar de diferente, a escolha britânica mantém proximidade temática com slop, pois também aborda a qualidade e as motivações por trás do material disseminado on-line.

Impacto cultural e próximos movimentos das plataformas

A distinção concedida a slop indica que, em 2025, o debate público concentrou-se na filtragem de material digital e na responsabilidade das empresas de tecnologia quanto ao que circula em suas redes. As iniciativas de YouTube e TikTok para desmonetizar produções de baixa qualidade demonstram que o mercado tenta ajustar incentivos. Ao mesmo tempo, a popularidade de “rage bait” reforça a necessidade de mecanismos que limitem conteúdos criados exclusivamente para inflamar discussões.

Com a atenção voltada para essas questões, os dicionários Merriam-Webster e Oxford marcaram 2025 como o ano em que a preocupação com o volume, a precisão e o propósito dos dados digitais se tornou parte do vocabulário corrente. A próxima atualização dos termos mais pesquisados e das políticas das plataformas indicará se a ação conjunta de usuários, empresas e editores será suficiente para frear a circulação de slop na internet global.

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