Show de samba inaugura Festival de Curitiba: Milton Cunha, bateria especial e 435 atrações no maior evento teatral do Sul

No dia 30 de março, o Festival de Curitiba inicia a sua 34ª edição com uma aula-show de samba comandada pelo carnavalesco e comentarista Milton Cunha, reunindo 45 integrantes de escolas de samba para narrar a trajetória dos desfiles cariocas em plena Pedreira Paulo Leminski. A programação, que segue até 12 de abril, soma 435 atrações espalhadas por teatros, praças e espaços culturais da capital paranaense e da região metropolitana.

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Samba, narrativa e tradição marcam a abertura do Festival de Curitiba

Milton Cunha, reconhecido pela atuação nos estúdios de transmissão do Carnaval da Globo, assume o palco em duas sessões: uma restrita a convidados na segunda-feira e outra aberta ao público na terça. Durante “Samba: As Escolas e suas Narrativas”, o carnavalesco contextualiza como mestre-sala, porta-bandeira, baianas e passistas constroem a identidade visual e musical das agremiações cariocas. O público verá demonstrações desses quatro setores fundamentais enquanto o apresentador costura fatos históricos dos desfiles.

A performance inclui a participação especial de Mestre Ciça, homenageado pela Viradouro no desfile vitorioso deste ano no Rio de Janeiro. Ele conduzirá uma bateria montada exclusivamente para o festival, reforçando a imersão rítmica que abrirá oficialmente o evento teatral.

Milton Cunha explica como a linguagem do samba dialoga com o Festival de Curitiba

Ao escolher o samba como porta de entrada, a organização reafirma a proposta de um festival plural. A costura entre teatro e carnaval, duas artes populares de forte apelo coletivo, expande o horizonte do público logo no primeiro dia. O cenário da Pedreira Paulo Leminski, palco ao ar livre que tradicionalmente recebe grandes espetáculos musicais, será adaptado para comportar elementos cênicos típicos de avenida, como o pavilhão das escolas e a formação de alas.

Os 45 componentes convidados representam setores que carregam significados distintos dentro de um desfile. O mestre-sala e a porta-bandeira, por exemplo, exibem o estandarte da agremiação em passos coreografados; já a ala das baianas simboliza a ancestralidade afro-brasileira, enquanto as passistas traduzem a celebração rítmica do samba no pé. Cada grupo, em sincronia com a explicação de Cunha, ilustra capítulos de uma narrativa que ultrapassa o entretenimento e alcança a dimensão histórica e identitária.

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Diversidade de linguagens confirma o ecletismo do Festival de Curitiba

O Festival de Curitiba consolida-se como uma das mostras artísticas mais abrangentes do país. Em 2024, além da abertura em clima de carnaval, a programação contempla monólogo esportivo, musicais sobre ícones brasileiros, montagens premiadas e apresentações de rua. Entre os destaques está “Na Marca do Pênalti”, solo do ex-jogador Walter Casagrande que estreia nacionalmente na mostra. O espetáculo estabelece paralelos entre a cobrança de um pênalti e momentos decisivos de sua vida, como a conquista de títulos no futebol profissional e o enfrentamento da dependência química.

Outro nome de peso é o ator Eduardo Moscovis, que traz a Curitiba “O Motociclista no Globo da Morte”. Dirigido por Rodrigo Portella, o trabalho rendeu ao intérprete o Prêmio Shell por uma atuação solitária que reflete sobre a violência humana. O mesmo diretor assina “(Um) Ensaio sobre a Cegueira”, montagem do Grupo Galpão que também chega com sessões esgotadas.

A lista de atrações concorridas inclui ainda o musical “Tim Maia – Vale Tudo”, inspirado no livro de Nelson Motta, que ocupa o auditório Guairão em 31 de março e 1º de abril, além de “Vinte!”, criação que revisita memórias dos movimentos artísticos negros da década de 1920 no Brasil.

Formação, transmissões e alcance do Festival de Curitiba

A edição de 2024 amplia as frentes formativas. Estão previstas oficinas, debates e encontros que incentivam o intercâmbio entre artistas, estudantes e espectadores. A Mostra Fringe, segmento aberto a grupos fora da curadoria principal, espalha performances por ruas, praças e centros culturais, mantendo o diálogo com diferentes públicos.

Pela primeira vez, a TV Paraná Turismo realiza cobertura ao vivo da abertura na Pedreira Paulo Leminski, com disponibilização simultânea no YouTube e no Instagram. A novidade reforça o compromisso do festival em democratizar o acesso e levar parte da experiência a quem não consegue comparecer presencialmente.

Segundo dados oficiais, a edição anterior recebeu 200 mil visitantes e movimentou R$ 50 milhões na economia local. A expectativa é manter ou superar esses números, aproveitando o impacto das 435 atrações que variam de espetáculos pagos — com ingressos entre R$ 42,50 e R$ 85 — a apresentações gratuitas.

Agenda, locais e serviços para acompanhar o Festival de Curitiba

O calendário estende-se de 30 de março a 12 de abril, distribuindo atividades por teatros tradicionais, como o Guairão, e espaços alternativos situados tanto na capital quanto na região metropolitana. Interessados podem consultar detalhes, horários e disponibilidade de ingressos na plataforma oficial do evento.

Com a diversidade de linguagens em cartaz, o Festival de Curitiba reafirma-se como ponto de convergência cultural. Do samba de Milton Cunha à reflexão esportiva de Casagrande, passando pelas narrativas musicais de Tim Maia e pelos recortes poéticos do Grupo Galpão, a edição de 2024 se apresenta como um panorama abrangente da produção artística nacional, sustentada por ação formativa, inclusão digital e impacto econômico regional.

Na programação ampla, a próxima data de maior expectativa é a exibição de “Tim Maia – Vale Tudo” em 31 de março, marco que inaugura a sequência de espetáculos esgotados nos primeiros dias do festival.

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