Série Ouro 2026: escolas tradicionais e enredos históricos prometem disputa intensa no acesso do Rio

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O Carnaval de 2026 marca mais uma batalha decisiva na Série Ouro, antigo grupo de acesso do Rio de Janeiro, etapa que define quem alcança ou retorna à elite dos desfiles da Marquês de Sapucaí. Em duas noites – sexta-feira, 13, e sábado, 14 de fevereiro – 15 agremiações apresentam enredos que misturam resistência cultural, espiritualidade indígena e afirmação da identidade afro-brasileira. Entre elas, figuram campeãs do passado, tricampeãs e escolas recém-rebaixadas que buscam reparação imediata.
- Série Ouro: cenário, formato e relevância competitiva
- Unidos de Padre Miguel: reparação buscada na Série Ouro
- Estácio de Sá aposta em Tata Tancredo para reconquistar vaga na Série Ouro
- Império Serrano leva peso do tricampeonato para a Série Ouro
- Demais concorrentes e ordem oficial de desfile da Série Ouro 2026
- Critérios de avaliação e expectativa de resultado
- Próximo marco do calendário
Série Ouro: cenário, formato e relevância competitiva
A Série Ouro funciona como a principal porta de entrada para o Grupo Especial. Cada escola desfila na mesma Passarela do Samba, mas com orçamento e visibilidade reduzidos em comparação à elite. Mesmo assim, o julgamento segue os mesmos quesitos – samba-enredo, evolução, comissão de frente, fantasia, alegoria, enredo, mestre-sala e porta-bandeira e bateria. Em 2026, sete agremiações desfilam na sexta e oito no sábado, totalizando 15 concorrentes por apenas uma vaga direta na divisão principal.
Unidos de Padre Miguel: reparação buscada na Série Ouro
Rebaixada após se apresentar no Grupo Especial em 2025, a Unidos de Padre Miguel (UPM) retorna à Série Ouro com o enredo “Kunhã-Eté – O sopro sagrado da Jurema”. A proposta exalta a guerreira potiguara Clara Camarão, figura que liderou resistência à invasão holandesa no século XVII. Para a direção vermelha e branca da Zona Oeste, a volta imediata representaria correção de um resultado questionado em 2025, quando a escola recorreu à Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) alegando problemas de som e interpretação do samba-enredo – recurso não acatado pela entidade.
O desenvolvimento dramatúrgico está a cargo do carnavalesco Lucas Milato. Ele estruturou o desfile em 22 alas e três alegorias que transitam da ancestralidade indígena à apoteose espiritual de Clara, simbolizada pela Jurema Sagrada. Segundo o artista, a narrativa também ecoa a presença feminina dentro da própria diretoria da escola, presidida por Lara Mara. Toré, Jurema e comandantes indígenas femininas integram o roteiro, reforçando o foco no protagonismo histórico das mulheres e no combate ao apagamento de suas conquistas.
Estácio de Sá aposta em Tata Tancredo para reconquistar vaga na Série Ouro
Fundada em 1955 como Unidos de São Carlos, a Estácio de Sá reivindica o título de escola mais antiga da capital, pois descende da Deixa Falar, agremiação criada nos anos 1920. Campeã do Grupo Especial em 1992, a vermelha e branca do Morro de São Carlos escolheu o enredo “Tatá Tancredo: o Papa Negro no terreiro do Estácio” para o desfile de 2026 na Série Ouro.
O carnavalesco Marcus Paulo organiza a narrativa em torno de Tancredo da Silva Pinto, escritor, compositor de mais de 60 músicas, autor de mais de 30 livros e fundador da umbanda omolokô na cidade do Rio de Janeiro. A trajetória começa em Cantagalo, interior fluminense, passa pelo Morro de São Carlos e destaca a criação de festas que marcaram a cultura popular, como a histórica Gira de Umbanda no Maracanã, em 1965, e os rituais de virada de ano em Copacabana.
A Estácio almeja retornar ao Grupo Especial antes do centenário da Deixa Falar, em 2027, e leva para a avenida a memória de Tata Tancredo, considerado pilar da afirmação afro-brasileira no samba e na religiosidade. A prefeitura do Rio encomendou ao próprio Marcus Paulo uma estátua em homenagem ao líder cultural, projeto que reforça a relevância do enredo dentro e fora da Sapucaí.
Império Serrano leva peso do tricampeonato para a Série Ouro
Três vezes campeã do Grupo Especial – 1960, 1972 e 1982 – o Império Serrano regressa à disputa com o objetivo de escrever novo capítulo de glórias. Embora o texto original não detalhe o tema que a verde e branca apresentará em 2026, o histórico da agremiação de Madureira acrescenta peso simbólico à Série Ouro. A simples menção aos títulos põe o Império entre as favoritas, ao lado de Estácio e Padre Miguel, em virtude do capital cultural já reconhecido por jurados e público.
Demais concorrentes e ordem oficial de desfile da Série Ouro 2026
Além das três escolas com experiência na divisão principal, outras 12 agremiações completam o quadro competitivo. As apresentações seguirão a ordem oficial definida pela Liga RJ, responsável pela administração do acesso.
Sexta-feira, 13 de fevereiro
- Unidos do Jacarezinho
- Inocentes de Belford Roxo
- União do Parque Acari
- Unidos de Bangu
- Unidos de Padre Miguel
- União da Ilha do Governador
- Acadêmicos de Vigário Geral
Sábado, 14 de fevereiro
- Botafogo Samba Clube
- Em Cima da Hora
- Arranco do Engenho de Dentro
- Império Serrano
- Estácio de Sá
- União de Maricá
- Unidos do Porto da Pedra
- Unidos da Ponte
Critérios de avaliação e expectativa de resultado
Os jurados atribuem notas de 9 a 10 aos quesitos, com possibilidade de frações. Cada escola descarta a menor nota de cada quesito, reduzindo o impacto de eventuais falhas pontuais. Ao final, a campeã da Série Ouro garante vaga no Grupo Especial de 2027; as últimas colocadas podem ser rebaixadas para a Série Prata, etapa subsequente da hierarquia do carnaval carioca.
Próximo marco do calendário
Concluídos os desfiles de 13 e 14 de fevereiro, o resultado oficial será divulgado após a apuração, procedimento normalmente realizado na quarta-feira de cinzas. A escola vencedora celebrará no Desfile das Campeãs e ingressará no planejamento para a Marquês de Sapucaí em 2027.

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